Assédios, estupros e pedofilia nos bastidores de Hollywood

Desde o mês passado o glamour de Hollywood perdeu sua beleza ilusória mantida há décadas após revelações sobre o que acontece quando as câmeras não estão ligadas.

Silêncios foram quebrados e dezenas de vítimas de assédios recentes e ao longo das últimas décadas decidiram falar e nomear produtores, diretores, atores que até então mantinham-se intocáveis e devidamente acobertados.

Harvey Weinstein, produtor cinematográfico norte-americano: mais de 60 denúncias envolvendo assédios e estupros. Está em “reabilitação voluntária”;

Kevin Spacey, ator: 08 acusações de assedio… e contando. Usou questões de orientação sexual para tirar o foco da primeira acusação e afirma estar “em tratamento”;

Brett Ratner, diretor: 06 acusações de assédio (incluindo a atriz Olivia Moon). Afirmou que irá processar uma das mulheres que o acusou;

Dustin Hoffman, ator: acusado de assédio pela escritora Anna Graham Hunter, que na época estava com 17 anos;

John Grissom: acusado de assédio pelo ator Corey Feldman, que na época estava com 14 anos. Corey lançou uma campanha no intuito de arrecadar fundos para um documentário em que pretende revelar outros nomes da indústria cinematográfica, envolvidos em assédio, estupro e pedofilia.

Adam Venit, da renomada agência de talentos WME: acusado de assédio contra Terry Crews, que afirmou não ter reagido na hora porque “ele seria só um negro agredindo um grande agenciador”.

E as denúncias só aumentam e entre uma e outra tivemos Harvey demitido, expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, (responsável pelo Oscar), expulso do Sindicato dos Produtores e investigado. Kevin Spacey demitido da Netflix… os demais? Alguns pedidos de “desculpas”, outros permanecem denegrindo as vítimas, outros nada declararam até agora.

Enquanto isso, vamos relembrar uma listinha de diretores e atores envolvidos em denúncias (comprovadas ou assumidas) de assédio/agressões/estupros de mulheres, homens e/ou crianças e adolescentes:  Sean Penn, Johnny Depp, Vin Diesel, Casey Affleck, Woody Allen, Michael Fassbender, Sean Bean, Mel Gibson, Bernardo Bertolucci, Marlon Brando, Roman Polanski

TODOS permanecem trabalhando ou “imortalizados”, idolatrados e renomados. Agressores blindados pela mídia, pela justiça e pelo público (que por cegueira, falta de informação ou identificação, os defendem com unhas e dentes).

Suas vítimas? Algumas anônimas ou famosas, algumas conseguindo manter suas respectivas carreiras, suas vidas; outras nunca se recuperaram. Todas em maior ou menor grau, foram acusadas de oportunismo, seja por vantagem financeira ou pelos cinco minutos de fama. Sim, mesmo diante de provas e condenações, a verborreia se mantém.

Vamos relembrar uma outra listinha de assediadores “do passado” que depois do escândalo de Harvey se lembraram de seus atos: Ben Affleck, Jason Momoa, etc. Ops, Momoa “SÓ” declarou que “a melhor coisa de estar em Game of Thrones era poder estuprar lindas mulheres”.

Se você acha que está tudo bem falar de estupro como “brincadeira”, parabéns, você faz parte dessa cultura que massacra mulheres diariamente, dessa cultura que coloca cenas de estupros em uma história onde originalmente a violência não existia para “dar audiência”. DAR AUDIÊNCIA. É tão difícil assim perceber a gravidade dessa relação?! Interessante notar a quantidade impressionante de pessoas questionando “Ah, mas você só veio acusar o cara agora, depois de tanto tempo? Gente atrás de fama e dinheiro”.

E aqui o questionamento que deveria ser feito é: “Ah, e vocês, assediadores, só se lembraram de pedir desculpas agora? E vocês acham mesmo que desculpas são suficientes?

E voltamos à pergunta:

Aaaaah mas há pessoas que se aproveitam dessa situação sim. Por que não denunciaram antes?

O período em que a denúncia ocorre não faz diferença pois a vítima será SEMPRE acusada de “estar se aproveitando” (Amber Heard mandou abraços).

Anônimas/os no trabalho, na vizinhança, na família: quem já foi assediada/o e tentou denunciar sabe bem como a situação é totalmente distorcida e abafada (na grande maioria dos casos); e basta um pouco de pesquisa e empatia para entender essa realidade mesmo sem a ter vivido.

Anônimas ou famosas em início de carreira acusando grandes diretores, produtores, atores de assédio, agressão, estupro: Não precisa ser muito inteligente para saber o resultado de possíveis denúncias.

Em situações como essas a vítima só denuncia quando se sente forte, apoiada, segura mas diante de uma sociedade absurdamente sexista, homofóbica, hipócrita, essa segurança não existe e a coragem para se encarar o agressor pode levar um tempo maior, menor ou nunca aparecer.

Na maioria das denúncias pipocando agora em Hollywood, as vítimas buscaram ajuda na época da ocorrência mas foram “aconselhadas” a manterem-se caladas (por motivos óbvios).

Em meio à chuva de denúncias, algumas empresas tentam demonstrar aparente indignação. Netflix cortou todos os vínculos empregatícios com Spacey ontem. Ok, justíssimo porém é difícil acreditar que por 5 anos nunca havia recebido nenhuma reclamação sobre o comportamento do ator. Vale destacar também que a mesma empresa não manteve a mesma rigidez diante das negociações da participação de Casey Affleck no projeto Triple Frontier.

A Academia afirmou que terá um novo e rígido Código de Conduta após o caso Harvey Weinsten. Mesmo?!

Poderíamos dizer “antes tarde do que nunca” mas é necessário avaliar e culpabilizar também pela omissão e cumplicidade de TODOS os envolvidos e se tem um local que não só estimula o silêncio das vítimas como enaltece assediador é a Academia/Oscar.

Graham Norton iniciou seu programa na noite da última sexta falando ironicamente sobre Spacey e questões de assédio mas na sequência apresentou o convidado… Johnny Depp.

Incoerência manda abraços em Hollywood, na mídia e em cada opinião indignada sobre assédios, agressões e pedofilia que varia e pode se abrandar, dependendo do nome do agressor envolvido.

Aguardemos cenas dos próximos episódios dessa série que infelizmente parece não ter fim.

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the author

Paulista, 38 anos. Doida por séries, filmes, classic rock, gatos e catioros.