Conto: As reflexões de um geek na vida adulta

Sei que o site é voltado para cultura pop e geek, e eu sou fã de tal cultura. Mas por traz disso existe a vida real e árdua do cotidiano, e é disso que vim falar.

Sou colaboradora do site, para quem não me conhece, escrevo reviews sobre filmes, séries, etc, coisas que amo. Mas hoje, venho como pessoa, que acorda cedo, vai trabalhar, que paga boletos e chega exausta em casa. Entendo que você procura distração e de vida real: já basta a sua. Mas, te convido a refletir comigo e te mostrar que não estamos sozinhos neste barco da vida adulta.

Saí de casa aos 18, fui morar sozinha, fazer faculdade e aprender a cozinhar chuchu (confesso que queimaram na primeira vez). Naquela época eu considerava a vida injusta em alguns pontos, porém mal sabia que o “melhor” ainda estava por vir.

#PartiuAventura

No lado pessoal tive alguns relacionamentos, uns duradouros outros nem tanto. (sim, comédias românticas nos iludem e é por isso que sempre preferi séries como Supernatural) Após me formar, resolvi expandir horizontes e fui trabalhar fora do país. Foi então que percebi que conviver com pessoas de diferentes faixas etárias e, principalmente, diferentes culturas pode ser complicado. Como assim: bom, partindo do princípio de que nem todo mundo toma banho todos os dias ou que lavar louça não é dever geral, você já leva um choque.

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Aprendi que é preciso respeitar o espaço alheio, afinal, nem todo mundo fala na mesma sintonia que eu; aprendi que se eu quero as coisas limpas, devo deixá-las assim por mim, sem esperar que façam o mesmo. E principalmente, aprendi que não podemos agradar a todos, portanto seja sempre quem você gostaria de ser. Busque seu melhor (Tio Ben Parker, já ensinava Peter Parker a ser uma pessoa melhor).

Ao voltar para o Brasil, fui a busca de um novo emprego, novos horizontes, e então entrei na fase da crise econômica. Empregos mal remunerados, horários abusivos, você não é ninguém sem Q.I. (quem indica) e foi então que parti para os concursos públicos, e meu amigo, que tarefa árdua. Um currículo repleto de linhas de nada vale sem estudo; muito estudo. E claro, persistência, porque você morrerá na praia, no mínimo algumas dezenas de vezes. Neste momento, você precisa da sua família te apoiando a cada minuto, para não cair em um mar de desanimo e depressão.

 

Nesta fase da vida você já deixou aquela penca de amigos que possuía; agora você tem no máximo 5, que pagarão seu lanche e sua cerveja quando chegar o fim do mês, e eles entenderão que você não irá ao happy hour de sexta porque você tem concurso no domingo e precisa estudar. Esta é a fase que você aprende a selecionar quem você quer ao seu lado quando conquistar o emprego tão esperado. Relacionamentos nessa altura do campeonato, ou somam ou somem, se é que você me entende. E, posso afirmar que mesmo você achando que aprendeu muito, a vida sempre tem algo novo para te ensinar.

Após os 30, você já haverá aprendido sobre a perda de uma pessoa querida: luto; também já haverá aprendido que boletos não se pagam sozinhos, que mães não são eternas, que os remédios estão na farmácia e você precisa dar um jeito quando estiver com uma puta gripe. Você também aprenderá que o dinheiro para ir ao cinema será trocado pela quentinha de uma noite sem comida em casa.

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Nessa fase, você certamente saberá que a vida é feita de momentos, felizes ou não. Portanto aproveite aqueles que te trarão sorrisos e boas emoções, como a estreia de um filme, ou o lançamento de um livro, ou um show incrível que você esperou uma vida para presenciar. Esteja sempre com pessoas que lhe façam bem, que desfrutem do seu sorriso e que lhe apoiem nas mais doidas decisões. Ou então, esteja consigo mesmo, aproveite do quão prazerosa é a sua própria companhia.

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Agora, estou naquela fase de encarar mais 30 anos de contribuição para então um dia desfrutar de uma aposentadoria, a qual imaginei a beira da praia tomando água de coco; seria utópico? Sinceramente não sei. Eu pulei a parte do casamento e filhos, mas é claro que estão inseridos nos planos da maioria das pessoas. Acredito que existem pessoas feitas para esta concepção e outras que precisam de mais tempo. Me considero no segundo quadrante. Enfim, viver não é um parque de diversões, mas acredito que seja uma grande escola. Todos os dias uma lição a se aprender. Daí você para e pensa: se nem Logan ou o Superman, tiveram vidas fáceis e sentiram o peso da responsabilidade, quem dirá nós, reles mortais, não é mesmo? E outra, a vida passa rápido, quando você olha para trás já se passaram mais de 20 anos de Jurassic Park e O Rei Leão.

Uma coisa posso dizer sobre esta reflexão: Sempre existirá alguém no mesmo barco, dividindo o mesmo fardo e que este alguém, seja quem for, vai estender a mão para você se agarrar. Não se entregue ao vitimismo e principalmente, a depressão, entenda que todo momento difícil passa, e você sempre sai mais forte. E quando se sentir sozinho, e ao olhar em volta, todos estiverem ocupados, faça algo que lhe dê alegria, assista sua série favorita (abrace a maratona), faça sessão corrida de filmes clássicos, releia seu livro favorito; posso garantir que coisas assim valem como um abraço quentinho. Agora, se o abraço for de extrema urgência, procure aquela pessoa querida ou ligue para a sua mamãe.

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Nunca se esqueça: a farmácia tem delivery, a rede de mercados Pão de Açúcar tem delivery, o Subway tem delivery, a Netflix faz parte da sua família e o Popcorn Time nunca te deixará cair no fosso que é a TV aberta.

Dica: Não ligue a tv (aberta) no domingo, ela te lembrará a cada segundo que a segunda-feira está aí batendo na sua porta. Eu particularmente prefiro ser iludida e dormir esperando o alarme tocar.

Finalizo agradecendo quem leu e se identificou. Estamos juntos.
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the author

Paulista, morando em Brasília. Tenho 30 com cara de 29. Apaixonada por filmes, séries, livros, rock e animais fofinhos.