CRÍTICA – A Múmia (2017, Alex Kurtzman)

A Múmia inaugura o universo compartilhado de monstros da Universal Pictures. A direção é de Alex Kurtzman, o roteiro de David Koepp, Christopher McQuarrie e Dylan Kussman. No elenco principal, Tom Cruise, Sofia Boutella, Russel Crowe e Annabelle Wallis. E a premissa do longa é que a princesa Ahmanet retorna a vida e pretende exterminar o mundo dos homens.

O filme inicia com uma longa cena de exposição narrada por Russell Crowe, explicando a história de Ahamet. De certa forma, essa cena dita a experiência do filme: Muito diálogo expositivo e nenhuma coesão de tom. Em alguns momentos, A Múmia empresta do visual de filmes como Indiana Jones em outros, as obras de George A. Romero como Despertar dos Mortos. O roteiro é desastroso, todos os eventos que conduzem a trama são narrados ou contados em diálogos sem energia. Tamanha exposição deixa o ritmo do filme confuso e a montagem disparatada, onde a ação focada no personagem de Tom Cruise e o suspense da missão de Ahamet não se misturam deixando o longa sem foco. Um trabalho visivelmente inexperiente de Kurtzman em sua estréia dirigindo longas.

Resultado de imagem para a múmia 2017

Os efeitos especiais são inconsistentes. Se por um lado a ambientação é notável e as grandes cenas de ação – como a queda do avião presente no trailer – são épicas, a construção da múmia tomando forma poderia utilizar mais efeitos práticos do que CGI. As cenas são exageradamente escuras e o 3D não ajuda. Na realidade, a presença do 3D não influência em nada a experiência de A Múmia.

Resultado de imagem para a múmia 2017+cena avião

Tom Cruise entrega a mesma atuação errática e compromissada que já é esperada dele, em especial em projetos como Missão Impossível e Jack Reacher. Sofia Boutella como Ahamet é um ponto positivo do filme. Apesar de limitada por um roteiro pobre que não oferece arco ou motivação para sua personagem, mas ainda assim é capaz de mostrar algum potencial como atriz. Sua personagem é extremamente fetichizada, tratada como uma femme fatale.  Annabbelle Wallis, a arqueóloga Jenny, assim como Boutella é refém de um roteiro que não sabe muito bem o que fazer com suas mulheres, nem mesmo com a personagem cujo nome é o título do longa. O sotaque falso britânico de Russell Crowe distrai e seu personagem oferece pouco, principalmente por ser colocado como o tecido de ligação entre os filmes do Dark Universe. Jake Johnson (o Nick de New Girl) é talvez o mais deslocado. A tentativa de alívio cômico de seu personagem é fora do tom – ou tons – que o filme busca alcançar e nenhuma piada funciona. Aqui, roteiro e direção estragam um elenco que poderia ser muito cativante.

Resultado de imagem para a múmia 2017

Por fim, A Múmia sofre de um mal que acomete muitos filmes recentes: A necessidade de criar uma franquia e/ou universo compartilhado. Existe uma preocupação maior em estabelecer personagens que possam ser reciclados e gerar interesse em futuros projetos do que em se contar a história proposta de maneira satisfatória. A Múmia é apenas um dos elementos que o filme busca introduzir. O Dr. Jerkyll/Mr Hyde de Crowe e Nick Morton de Cruise não existem no filme para interagir com a história da Princesa Ahmanet, mas sim para introduzir o Dark Universe. O filme assim se torna um longo e sacal trailer de 1h50min.

Se você procura uma boa experiência cinematográfica esse fim de semana, Mulher Maravilha continua sendo a melhor pedida!

Avaliação: Ruim

Confira abaixo o trailer:

E você, vai conferir o filme? Deixe seu comentário sobre o filme e não se esqueça de nos acompanhar nas principais redes sociais:

FacebookInstagramTwitterPinterest

the author

Graduada em Antropologia pela Universidade de Brasília e mestra em Cinema e TV pela University of East Anglia, Reino Unido. Atualmente trabalha com produção, filmagem e edição de vídeos. Ama a Viola Davis e batatas de sal e vinagre.