CRÍTICA – American Crime Story: The People vs O. J. Simpson (2016, Scott Alexander e Larry Karaszewski)

American Crime Story: The People vs O. J. Simpson, primeira temporada, 2016, nos trouxe uma proposta até conhecida por algumas séries criminais como: Law and Order (1990 – 2010) e Making a Murderer (2015), séries excelentes, com crimes baseados em fatos reais ou reconstituições. No entanto, ACS: O Povo vs. O. J. Simpson, é focada no julgamento de Orenthal James “O. J.” Simpson, baseada na obra de Jeffrey Toobin, The Run of His Life: The People v. O. J. Simpson, nos mostrando o desenrolar da história do ídolo de futebol americano que jogou sua carreira no lixo.

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A série, assim como os fatos, se passa na década de 80/90, e o crime em questão aconteceu em 12 de junho de 1994, em uma época marcada por segregação racial, racismo, questões políticas e intolerância policial.

American Crime Story foi desenvolvida por Scott Alexander Larry Karaszewski, os quais são os produtores-executivos em conjunto com Ryan Murphy, Nina Jacobson, Brad Simpson e Brad Falchuk. E trata-se de um spin-off de American Horror Story, também produzida por Ryan e Brad.

A série foi transmitida originalmente pelo canal fechado FX nos EUA e no Brasil. A série foi exibida nos Estados Unidos de 2 de fevereiro de 2016 a 5 de abril de 2016, com exibições regulares às terças-feiras; já no Brasil, a série foi exibida do dia 4 de fevereiro de 2016 ao dia 7 de abril de 2016, com exibições regulares às quintas-feiras. Agora disponível também na Netflix. E por ter funcionado incrivelmente, já estou à espera da próxima temporada que será baseada nos acontecimentos na época do Furacão Katrina e suas consequências.

Em seus 10 episódios, a série procurou ser fiel, porém imparcial, ao relatar o julgamento de Simpson, que começou em 26 de setembro de 1994 e durou 372 dias. Onde ele foi acusado de matar a facadas sua ex-mulher, Nicole Brown, e o amigo, Ronald Goldman, em 12 de junho de 1994, entre 22 e 23 horas, em frente à casa dela.

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O. J. Simpson e Nicole oficializaram sua união com uma grande festa, em 1985, tiveram 2 filhos; E, no mesmo ano, Simpson quebrou, com um bastão de beisebol, os vidros do carro de Nicole, onde ela havia se refugiado após uma discussão. O divórcio aconteceu em 1992 e havia registros policiais de 3 agressões físicas de Simpson contra Nicole. Em 1993, Simpson foi acusado ainda de invadir a casa da ex-mulher, que se trancou na cozinha. Tais fatos são mencionados por alto na série, mas que ajudam muito ao espectador a entender a história do astro The Juice, como era conhecido. É visível que O. J. era uma pessoa extremamente violenta, porém a série optou apenas por relatar o julgamento em si, e outras figuras que fizeram parte da trama. Como é o caso da promotora de justiça Marcia Rachel Clark, autora, e correspondente de televisão que ganhou fama como promotora chefe do caso de O. J. Simpson.

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Antes do julgamento, a série nos mostra alguns fatos curiosos, como quando O. J. soube da morte de sua ex-mulher e a primeira tentativa de sua prisão de pela polícia, onde ao ser acusado de duplo homicídio, Simpson escreveu uma carta que anunciava seu desejo de suicídio e saiu sem destino com seu carro, um Bronco branco. Foi perseguido pela polícia por 96 quilômetros, e em seguida se entregou. A perseguição a Simpson ganhou grande cobertura da mídia e dividiu as atenções com os eventos esportivos que aconteciam naquele mesmo dia, como a abertura da Copa do Mundo FIFA e o quinto jogo das finais da NBA entre New York Knicks e Houston Rockets.

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American Crime Story, conseguiu transmitir mais de um ano das reviravoltas do julgamento de O. J. de forma leve, sem se aprofundar na parte suja (e sanguinolenta), porém deixando cada episódio mais interessante. Também trouxe a trama, a vida dos promotores, advogados e amigos envolvidos no caso. Assim, personalidades da época que não me eram familiares e então ficaram conhecidas. Como é o caso de Robert Kardashian, na série interpretado por David Schwimmer.

Minhas percepções: a série procurou deixar os atores o mais parecido possível com suas personagens reais. Além de não economizar nas criações das cenas, cheias de referências dos anos 80/90. Cada detalhe que existe de gravações da época, foi recriado para a série com perfeição de detalhes.

Esta temporada de American Crime Story: The People vs O. J. Simpson foi estrelada, em seu elenco principal, por:

Cuba Gooding Jr. como O. J. Simpson;
Kenneth Choi como Juiz Lance Ito;
• Christian Clemenson como William Hodgman;
Sterling K. Brown como Christopher Darden;
Bruce Greenwood como Gil Garcetti;
Nathan Lane como F. Lee Bailey;
Sarah Paulson como Marcia Clark;
David Schwimmer como Robert Kardashian;
John Travolta como Robert Shapiro;
Courtney B. Vance como Johnnie Cochran;
Selma Blair como Kris Jenner;
Jordana Brewster como Denise Brown;
Connie Britton como Faye Resnick;
Billy Magnussen como Kato Kaelin e
Steven Pasquale como Detetive Mark Furhman.

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Todos muito comprometidos em transmitir os fatos de forma real, digo isso, pois fiquei tão envolvida na série que busquei os vídeos que existem no Youtube, assim percebi que até os trejeitos não foram poupados.

Sem dúvida é uma história impactante, e na época, acredito que tenha sido “apocalíptica” para o mundo dos esportes. Como eu não sabia o veredito do julgamento, fiquei esperando ansiosamente pelo desfecho.

SPOILER ALERT! ALERTA DE SPOILER!

O júri era formado por 9 negros, 2 brancos e 1 hispânico. Dos 12 jurados, 10 eram mulheres que foram escolhidos após muitos percalços. O veredito “inocente” foi anunciado em 3 de outubro de 1995.

A morte de Nicole e Ronald, ainda está sem um culpado, o que gera uma certa revolta para quem está assistindo a série. Aliás, para qualquer pessoa, imagino para os familiares das vítimas.

Se você, assim como eu, gosta de curiosidades, deixo algumas sobre o julgamento:

• Foram ouvidas 133 testemunhas;
• A palavra sangue, a mais citada, foi pronunciada 15 mil vezes;
• Aconteceram 16 mil objeções;
• Os autos tinham 50.150 páginas, e 1 milhão de linhas escritas;
• 20 milhões de pessoas assistiram o julgamento pela televisão. O anúncio do veredito bateu o recorde de audiência da chegada do homem na Lua, e do funeral do presidente John F. Kennedy, recordes antes quebrados em abril de 1973 com o show de Elvis Presley no Havaí.
• A promotora Marcia Clark foi quem mais falou no julgamento: 37 mil palavras. Em segundo lugar, ficou o principal advogado de defesa, Johnnie Cochran, com 33 mil palavras;
• Durante o julgamento, o ex-marido da promotora Marcia Clark vendeu à imprensa sensacionalista fotos em que ela aparece com os seios expostos;
• O advogado de Simpson, Johnnie Cochran, foi acusado pela ex-mulher, num livro, de tê-la espancado com frequência. Ele era também advogado de Michael Jackson e
• O juiz Lance Ito é filho de 2 imigrantes japoneses que se conheceram num campo de concentração para japoneses nos EUA, durante a Segunda Guerra Mundial.

FIM DO SPOILER!

O. J. Simpson, mesmo após os acontecimentos de 94, não sossegou, em setembro de 2007, voltou a ter problemas com a lei após ser preso em Las Vegas, Nevada, além de ter sido acusado por crimes como assalto à mão armada, sequestro e formação de quadrilha. Em 3 de outubro de 2008, foi considerado culpado de todas as acusações, foi julgado e condenado a 33 anos de prisão. Além destes fatos, mesmo na prisão O. J. ainda “causou” muito, o que prova que o fundo do poço é mais longe do que imaginamos.

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American Crime Story: The People vs. O. J. Simpson, arrebatou a maioria das estatuetas do Emmy, às quais concorria: foram nove ao todo, cinco entre as categorias principais.

Apesar da série nos contar algo que talvez muitas pessoas presenciaram nos noticiários, também abordou como os fatos aconteceram dentro do tribunal, os erros e os acertos, tanto da defesa quanto da acusação; além de nos mostrar como a perícia criminal evoluiu, contando os primeiros passos dos testes de DNA, e como a sociedade encarava fatos com mais emoção do que razão.

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Nosso parecer final é claro, após tanto entusiasmo e curiosidades, só poderia ser ótimo, com gostinho de quero mais! Esta série provou que entretenimento também é cultura e informação. Como sempre, deixo o meu parâmetro IMDb, e sua nota: 8,5. Raramente discordamos 🙂

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the author

Paulista, morando em Brasília. Tenho 30 com cara de 29. Apaixonada por filmes, séries, livros, rock e animais fofinhos.