CRÍTICA – A Cabana (2017, Stuart Hazeldine)

A Cabana conta a história de Mackenzie Allen Philip (Sam Worthington) que quando criança tinha uma família muito devota: o pai que trabalhava na igreja e a mãe estava sempre presente nas celebrações religiosas. Porém Mack teve uma infância difícil, quando não estavam na igreja, ele assistia o pai se embriagar e bater em sua mãe, e quando tentava defendê-la acabava sofrendo da mesma violência. Nos momentos de desespero, procurava por Deus para que o ajudasse a encontrar uma solução, enquanto seu pai justificava os atos em nome de Deus. A partir disso, sua fé começou a se abalar. O que ele não sabia era que Deus estava mais perto do que ele imaginava, e que o alimentava e acalmava. Passaram-se alguns anos e Mack formou sua própria família: casou-se com Nan (Radha Mitchell), uma mulher religiosa, e juntos tiveram três filhos: Josh (Gage Munroe) de 15 anos, Kate (Megan Charpentier) de 13 e a caçula Missy (Amélie Eve) de 5. Apesar da fé de Mack ter se abalado durante a vida, ele estava sempre presente na igreja com os filhos e a mulher.

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Quando o verão chegou na cidade, Mack e os filhos resolveram fazer um acampamento para curtir os dias de sol, o pai então encarou a viagem sozinho com as crianças. Lá viveu momentos singelos e especiais com a filha caçula. Todos estavam curtindo os dias de folga, até que os filhos mais velhos resolveram dar um passeio de caiaque no lago e foi aí que acontecimentos mudaram o rumo da família Philip.

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Tais fatos transformaram a vida da família de Mack, o qual perdeu a vontade de viver, entrou em uma tristeza profunda, e sua fé que já estava abalada pelos traumas da infância, chegou ao limite da descrença; além da família, que ficou desestabilizada. Um dia Mack recebe uma carta-convite para voltar na mesma cabana do dia fatídico. No primeiro momento, ele reluta em ir, mas algo mais forte dentro dele faz com que ele insista na vontade de ir até o local.

Mack chega ao local em meio a uma nevasca e encontra-se com um homem que o leva a um lugar muito bonito. Lá ele vive momentos de reflexão, e tem um reencontro com alguém muito especial. A partir daí os questionamentos começam a surgir, o rancor e a dor misturam-se.

Neste momento, o valor do perdão, o porquê de cada acontecimento na vida, a força do amor, e o quanto a fé em Deus são importantes na vida das pessoas. A sabedoria (Alice Braga), que por sinal tem um papel importante neste momento, o coloca frente a frente consigo, e o faz entender a chamada empatia, e como é difícil fazer julgamentos de quem se ama.

O filme nos passa a mensagem de que apesar dos acontecimentos ruins, há como se olhar com outros olhos, e que o tempo é o melhor remédio.

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Dirigido por Stuart Hazeldine, o filme contempla muito bem o livro, o qual foi baseado, respeitando a descrição das personagens, e o roteiro da história.

O ator Sam Worthington constrói um personagem muito humano, e que através de sua história, faz com que o público se identifique rapidamente. As crianças (os filhos, e o personagem Mack quando criança) são verdadeiros talentos natos. O orgulho patriota fica por conta da atuação de Alice Braga que tem uma personagem muito importante e marcante no filme. A fotografia é muito bonita e delicada em todos os momentos, o e suas locações são todas muito bonitas; até mesmo no inverno, quando o branco da neve deixa tudo mais frio e triste. Por outro lado, no verão; somos surpreendidos com ricas paisagens em cores que transmitem a paz de um lugar onde se encontra Deus.

O filme é mais do que uma história espiritualista, retratando a importância do perdão, da superação e o quanto as pessoas podem evoluir se deixar o verdadeiro amor e a força interior falar mais alto.

Dentre várias lições, o longa traz a importante mensagem de que nunca é tarde para recomeçar. No filme, Deus é um poço imenso de amor, e a medida que as pessoas vão se deixando ser tocadas por Ele, o mundo começa a melhorar. A vida humana assim, como todas as outras vidas são cíclicas, e a cada um tem o momento do ciclo se fechar.

O longa produzido pela Paris Filmes e baseado na história do best-seller A Cabana do canadense William P. Young promete arrancar muitas lágrimas dos espectadores e fazê-los refletir sobre a vida e sobre as circunstâncias que nos acometem no dia a dia. É um filme delicado que mostra uma forma diferente de ver a vida, entender que nada acontece por acaso, e há dentro de nós, independente da religião, uma força maior chamada amor, e através dela, todas as demais portas irão se abrir.

Avaliação: Ótimo

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Confira o trailer:

the author

23, jornalismo, Brasília. Gosto de teatro, esportes e viajar. Filmes românticos, dramas e comédias são o que me levam ao cinema, já no quesito leitura: vou do jornal a HQ. Livro é item básico na bolsa feminina (pelo menos a minha).