CRÍTICA – A Cura (2017, Gore Verbinski)

Dirigido por Gore Verbinski, que retorna ao terror 15 anos após O Chamado, ele prova que é capaz de contar histórias inteiras apenas com imagens sem se alongar muito em diálogos expositivos, enchendo os olhos com uma belíssima montagem e fotografia.

Na trama, o jovem empresário Lockart (Dane DeHaan) é enviado em busca do CEO de sua empresa, que havia ido para um retiro em um local remoto nos Alpes Suíços, local famoso por possuir fontes milagrosas. Então se percebe que mesmo no cenário corporativo ou ainda em uma simples viagem de trem, o diretor já expressa detalhes tanto quanto da beleza do cenário quanto ao caráter obvio dos personagens. Verbinski preza por explorar todos os detalhes e este acaba sendo o maior problema do longa, com sua duração de 146 mim, o que acaba tornando um pouco cansativo devido ao clima sempre tenso e detalhado.

Ao chegar a um centro de convivência onde vários idosos estão internados em busca de cura para diversos males ou mesmo para se desconectar do mundo agitado, o protagonista é recebido por um clima repleto de mistério no qual os pacientes se entretêm com tarefas diversas. Todos que estão ali só conseguem tecer elogios ao tratamento que é oferecido a eles por profissionais de saúde que parecem sempre estar dispostos a ajudar, mesmo que seja com um sorriso um tanto falso estampado no rosto.

Logo de cara, ficam evidentes diversas referências a outros filmes de suspense como Drácula, O Iluminado e visivelmente Ilha do Medo (o paciente versus o tratamento no local). O filme não é do tipo que joga sustos na tela aleatoriamente: existe um suspense em torno do psicológico e das fobias comuns, onde a principal delas é o medo de enlouquecer.

A trama passa a ser costurada de forma burocrática onde Lockhart passa boa parte do filme se perguntando o “por que” em torno de relações um tanto óbvias de causa e efeito, mas infelizmente as respostas são evidentes. É bem provável que o espectador resolva o mistério todo bem antes do final do filme, que até mesmo é entregue de bandeja pelo vilão, interpretado pelo veterano Jason Isaacs. É gostoso de assistir o desenvolvimento da relação entre o personagem de DeHaan e a “mocinha” do filme, Hannah, interpretada pela expressiva Mia Goth. Já no que cabe ao desenvolvimento de Lockhart, ele não necessariamente se torna uma pessoa melhor ao longo da trama, mas pelo menos consegue empatia através de seus infortúnios.

A Cura poderia ter sido muito mais se apenas mantivesse a qualidade e o clima que apresenta na primeira hora, onde o diretor preza por explorar todos os detalhes e este acaba sendo o maior problema do longa, o tornando um pouco cansativo devido ao clima sempre tenso. Entretanto, considerando o resultado final, A cura não é o tratamento recomendado para quem apresenta sintomas de deficiência de bons filmes de suspense/terror, porém é um filme consistente e intrigante.

Avaliação: Razoável

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the author

Natural do Rio de Janeiro, agora, um candango do cerrado. 23 anos, de muita nerdice. Cinéfilo, viciado em séries e livros.