CRÍTICA – Destino Especial (2016, Jeff Nichols)

Destino Especial é um filme de 2016, escrito e dirigido por Jeff Nichols e conta com Joe Edgerton, Michael Shannon e Kirsten Dunst no elenco. Na história, o jovem Alton (Jaeden Lieberher) – que parece ter poderes sobrenaturais, é procurado por um culto religioso e por agências do governo. Seu pai Roy (Michael Shannon) com a ajuda do melhor amigo Lucas (Joel Edgerton) tentam mantê-lo a salvo e buscam levá-lo a um lugar desconhecido.

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Em um primeiro momento, a sensação ao assistir ao filme é de quem entra na sala de aula no meio de uma lição e tenta pegar os pedaços do que aconteceu antes. O filme não tem cenas de exposição ou créditos iniciais para guiarem o espectador nesse universo. Os personagens sabem onde vão e o que estão fazendo, e eles não tem tempo de te explicar por que. Essa sensação de confusão leva a um constante mistério a respeito de quem são Alton, Roy e Lucas, quais seus objetivos e quais as motivações de seus perseguidores. Jeff Nichols também assina o roteiro e mantém de maneira brilhante o espectador sempre em busca de respostas e criando teorias sobre o que está de fato acontecendo. Essa talvez seja a maior virtude do filme e para muitos, também o seu maior pecado. Ao permitir que a imaginação do espectador corra solta por boa parte do filme, Nichols abre espaço para a frustração uma vez que suas questões são respondidas. Essa parece ser a experiência de muitos ao assistirem Destino Especial.

O roteiro e a direção de Nichols vem desacostumar os espectadores que chegam na expectativa de desfechos espetaculares para mistérios fabricados. Destino Especial é um filme sobre o caminho, e não o ponto de chegada. Sua narrativa e boa parte da sua força se apoiam nos arcos de seus personagens e as performances de seu elenco de estrelas, não na resolução do conflito proposto. A dinâmica entre Shannon e Edgerton é organicamente construída e faz do aspecto Road Movie de Destino Especial muito gratificante de assistir. Shannon inclusive, trabalhou em todos os filmes de Nichols até o presente momento. Testemunhamos o fortalecimento de uma bela parceria do cinema autoral contemporâneo.

Outro destaque de atuação vai para Kirsten Dunst no papel de Sarah, mãe de Alton. Em geral, narrativas que focam na relação de pai e filho apresentam a figura materna como não presente ou problemática. Não é o caso aqui, onde níveis de complexidade dessa relação são trabalhados de forma muito sutil, em grande parte devido a notável atuação de Dunst que confere o tom certo de emoção e sentimento ao papel. Adam Driver como um esquisito e curioso agente do governo que busca por Alton também entrega uma sólida interpretação.

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Destino Especial possui diversas referências a filmes como ET, Contatos Imediatos de Terceiro Grau e Super 8. Nichols busca muita inspiração no trabalho de Spielberg adicionando sempre a suas qualidades únicas na escrita de diálogos e construção da narrativa. A história envolve temas como paternidade e fé, mas não se limita a nenhum deles. A trilha sonora e os efeitos visuais complementam a trama, e a fotografia faz um ótimo trabalho em capturar apenas o necessário para gerar ainda mais perguntas no espectador. A direção de atores é impecável e o filme não perde o ritmo devido a ausência de cenas meramente expositivas. Jeff Nichols mostra mais uma vez ser uma das grandes apostas do cinema da atualidade.

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Avaliação: Excelente

Confira abaixo o trailer:

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the author

Graduada em Antropologia pela Universidade de Brasília e mestra em Cinema e TV pela University of East Anglia, Reino Unido. Atualmente trabalha com produção, filmagem e edição de vídeos. Ama a Viola Davis e batatas de sal e vinagre.