CRÍTICA – Divinas Divas (2017, Leandra Leal)

Divinas Divas é um documentário nacional sobre as artistas performistas que fizeram carreira no Teatro Rival, no Rio de Janeiro; onde os travestis Rogéria, Divina Valéria, Marquesa, Jane di Castro, Camille K, Fujika de Holliday, Bridget de Búzios e Eloína dos Leopardos compartilham suas memórias e carreias. Na direção, a estreante, atriz Leandra Leal.

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A própria Leandra define Divinas Divas como um filme de amor, e é exatamente essa a sua mensagem mais impactante. O amor pela arte, amor pelo teatro e o amor-próprio. As Divas são temperamentais, caóticas, brilhantes. Em suas expressões, falas e silêncios percebemos todo o sofrimento que elas se recusam em permitir que controle suas vidas. Elas compartilham as lutas e dores com um humor ácido e doses de cinismo, e celebram as vitórias com orgulho e glamour. As entrevistas são conduzidas com leveza e fluidez, fruto da relação próxima que a diretora possui com seus sujeitos. A família de Leal é dona do Teatro Rival, e a relação entre as artistas e a diretora é próxima e familiar. Ao contar a história das Divas e do Rival, Leandra Leal conta sua própria história. Essa familiaridade é sentida no cuidado da direção e na vontade de celebrar e emocionar, assim como os shows das Divas faziam e fazem até hoje.

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O filme intercala bastidores do Espetáculo Divinas Divas que esteve em cartaz no Teatro Rival, entrevistas com as Divas e alguns parentes, realizadas em suas casas ou no próprio teatro. Também estão presentes cenas das apresentações das Divas no espetáculo, onde a fotografia e edição conferem um ar lúdico e fantástico aos números, oferecendo a sensação descrita por Leandra sobre como seria crescer em um teatro, em meio aquelas artistas. Nas entrevistas e bastidores, a relação de irmandade das Divas é latente, com brigas, discussões, carinhos e intimidade. Divinas Divas oferece um olhar sob as relações construídas entre as Divas ao longo de seus caminhos, e a importância do senso de comunidade e coletivo.

O triunfo de Leandra Leal na direção é a coragem de não controlar a narrativa, tentando explorar algum tema em específico. Assim, Divinas Divas se torna um trabalho de memória realizado pelas próprias Divas, reconstruindo o caminho e o valor que essas artistas possuem na cultura nacional e no imaginário brasileiro sobre a arte LGBT. A expectativa de vida de pessoas Trans e Travestis no Brasil é assustadoramente baixa, e as Divas, que chegam na velhice superando essas expectativas, oferecem para as novas gerações um vislumbre de futuro promissor, um futuro que em um país como o Brasil, parece cada vez mais raro. Promove assim a reflexão e o debate. A importância social de Divinas Divas é uma de resistência ao preconceito e ódio, combatidos com amor e muito glitter!

Divinas Divas é um belo filme, que celebra a vida e o trabalho de artistas tão importantes da história do país e um raro resgate da memória de um povo que se esquece de lembrar e celebrar a própria história.

Confira o trailer:

Avaliação: Bom

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the author

Graduada em Antropologia pela Universidade de Brasília e mestra em Cinema e TV pela University of East Anglia, Reino Unido. Atualmente trabalha com produção, filmagem e edição de vídeos. Ama a Viola Davis e batatas de sal e vinagre.