CRÍTICA – Feito na América (2017, Doug Liman)

Feito na América é estrelado por Tom Cruise, que interpreta Barry Seal, o piloto de avião de moralidade flexível conhecido por seu envolvimento com o Cartel Medellín. O filme de Doug Liman também conta com Domhnall Gleeson e Sarah Wright no elenco, e roteiro de Gary Spinelli.

Por conta do longo período que Feito na América busca retratar (quase 10 anos), o primeiro ato parece apressado e oferece pouco de seus personagens para gerar engajamento real. Fica por conta do carisma de Tom Cruise carregar os momentos iniciais da trama, onde o ator faz o que sabe bem, exibindo um charme errático e descompromissado, que aqui funciona perfeitamente para o papel. O filme possui alto valor de entretenimento, em grande parte graças as performances de Cruise como Barry Seal e Gleeson como Monty Schafer, e a exploração do aspecto absurdo das operações envolvendo seus personagens. Centrado na história, o filme conta com longos momentos expositivos e narrativos, onde não chega a ser inventivo, mas não perde o ritmo da narrativa.

Em relação ao elenco de apoio, não existem muitos destaques, mas todos cumprem bem o seus papéis. Os personagens não possuem arcos muito bem estabelecidos, de forma que se tornam reativos a mudanças de circunstâncias ao redor. No caso do núcleo colombiano, majoritariamente Uchôa (Alejandro Edda) e Escobar (Mauricio Mejía) que recebem tempo considerável em cena, tem as mudanças de seus personagens apenas contadas e não mostradas. O aspecto da vida familiar de Seal é pouco explorado, deixando sua esposa Lucy (Wright) em uma posição desprivilegiada no que diz respeito a tempo e objetivos em cena. A atriz é competente com o que lhe é oferecido, mas de uma forma geral o elenco coadjuvante é esquecível.

No aspecto técnico, a montagem e a trilha sonora oferecem uma mistura interessante de gêneros, sempre buscando explorar a banalidade com a qual Seal trata as situações nas quais é colocado, de forma satírica e cômica. O recurso da shaky cam – onde a câmera se move de forma rápida e sem muita disciplina, muito utilizado em sequências de ação – é marca do trabalho de Liman, como visto em Identidade Bourne. O controverso efeito também está presente aqui sendo usado em demasia, se tornando uma distração do impacto de algumas cenas.

Feito na América é um filme que se apoia gravemente no carisma de Tom Cruise para funcionar, e acerta em cheio. Com uma visão unilateral e apolítica dos eventos em que se baseia, o longa empresta de filmes como Lobo de Wall Street, onde histórias outrora contatas de maneira realista e dramática, aqui se tornam o motivo de risadas na sala de cinema.

Avaliação: Razoável

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.Confira o trailer:

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the author

Graduada em Antropologia pela Universidade de Brasília e mestra em Cinema e TV pela University of East Anglia, Reino Unido. Atualmente trabalha com produção, filmagem e edição de vídeos. Ama a Viola Davis e batatas de sal e vinagre.