CRÍTICA – Laranja Mecânica (1972, Stanley Kubrick)

Olá galerinha, tudo bem?

Hoje vou falar de um filme mega clássico que, apesar de ter cenas muito violentas, me agrada bastante pois consegue transmitir uma boa reflexão… Vou falar um pouco sobre Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, título original).

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O filme dirigido por Stanley Kubrick é baseado no livro de mesmo nome escrito por Anthony Burgess. Tanto o filme quanto o livro são ótimos, mas é óbvio que o livro é mais completo e nos dá uma experiência diferente de leitura – já que ele é escrito com muitas gírias e termos totalmente diferentes, que são explicados ao decorrer da história. Dica amiga: procure pelo “dicionário nadsat” e tenha ele sempre por perto quando for ler. Isso me ajudou bastante a entender!

Chega de enrolação: e a história? Bom, resumidamente, o filme gira em torno do jovem Alex DeLarge (Malcolm McDowell). Ele é um jovem com gostos muito peculiares, adora música clássica, violência, e lidera gangue de arruaceiros: Pete (Michael Tarn), Georgie (James Marcus) e Dim (Warren Clarke), a quem ele chama de seus drugues (do russo “amigo”, “camarada”). Eles se divertem praticando atrocidades, como roubos, estupros e espancamentos, chamado de “ultraviolência”… Logo, o jogo vira quando os amigos se voltam contra Alex, o enganam em um de seus crimes e consequentemente, ele é preso e condenado. E assim, o filme narra a horrível série de crimes de sua gangue, sua captura e a tentativa de reabilitação através do controverso condicionamento psicológico.

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Na cadeia, ele aparenta um comportamento positivo e por conta disso é convidado a participar de um tratamento muito curioso, chamado de Ludovico – uma terapia experimental de aversão para a reabilitação de criminosos dentro de duas semanas – que reduziria o seu tempo de prisão.

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A história é bem pesada e complexa, regada a violência, reviravoltas e reflexões sobre moralidade e psicologia.

É uma sátira social lidando com a questão de saber se a psicologia comportamental e o condicionamento psicológico são as novas armas perigosas para um governo ditatorial usar para impor grandes controles sobre seus cidadãos, e transformá-los em pouco mais do que robôs.

Escreveu Stanley Kubrick em Dezembro de 1971 ao Saturday Review.

Outro alvo crítico é o Behaviorismo ou “psicologia comportamental” proposto pelos psicólogos John B. Watson e B.F. Skinner. E no filme o tratamento Ludovico é amplamente percebido como uma paródia da terapia de aversão, já que Alex se comporta como um bom membro da sociedade, mas não por escolha. Sua bondade é involuntária, ele tornou-se o que se chama de “Laranja Mecânica” – orgânico do lado de fora, mecânico no interior.

É uma história de redenção duvidosa de um delinquente adolescente pela terapia de reflexo condicionado. Trata-se ao mesmo tempo de uma discussão sobre o livre-arbítrio.

Podemos perceber, Laranja Mecânica é um filme que rende debates por toda uma a vida! kkkk

Claro que sou muito mais fã do livro, mas devemos lembrar que o filme foi lançado em 1972 (aqui no Brasil), onde os elementos cinematográficos eram bem limitados – e isso transfere na cenografia do filme. E ainda assim conseguiram fazer um filme muito bem elaborado e a história continua tão atual que chega a assustar! rs

Assistindo ao trailer, é possível ter uma leve impressão do quanto o filme é pesado:

E todo esse “peso” que a história carrega, em oposição (talvez satiricamente), o filme é envolvido com uma trilha sonora de músicas clássicas, como Beethoven. Confira na playlist:

O longa mesmo com toda sua complexidade e reflexões, teve quatro indicações ao Oscar de 1972, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor e três indicações ao Globo de Ouro, sendo uma delas também Melhor Direção; além de diversas outras indicações em outras premiações. Apesar da natureza controversa do filme, Laranja Mecânica arrecadou mais de 26 milhões de dólares em um orçamento conservador de US$ 2,2 milhões.

Sua classificação no Rotten Tomatoes é de 90% e no IMDb é de 8,3.

Bom galera, é isso. Deixo aqui a minha indicação de um ótimo clássico para quem ainda não assistiu. Para quem já assistiu, deixe seu comentário dizendo o que achou do filme! Com certeza ele vai te intrigar e te fazer refletir… rs 🙂

Avaliação: Bom

Bom

Obs.: Não dou nota máxima só por alguns detalhes da cenografia que deixaram a desejar, mas o enredo e as performances são sensacionais!

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