CRÍTICA – Malasartes e o Duelo com a Morte (2017, Paulo Morelli)

Malasartes e o Duelo com a Morte é um filme de Paulo Morelli e tem no elenco Jesuita Barbosa, Julio Andrade, Isis Valverde, Milhem Cortaz e Leandro Hassum. Inspirado na figura folclórica de Pedro Malasartes (Barbosa), um caipira trambiqueiro precisa escapar dos planos que a própria Morte (Andrade) tem para ele.

Malasartes e o Duelo com a Morte possui a maior quantidade de efeitos visuais na história do cinema brasileiro. De acordo com releases da distribuidora, cerca de 50% do filme possui algum tipo de efeito visual. Esse é um marco no cinema nacional, abrindo diversas possibilidades para projetos futuros. A construção de mundo criada com os efeitos visuais é impactante e de forma geral o elenco consegue interagir com objetos animados em pós de forma convincente. No aspecto técnico, Malasartes e o Duelo com a Morte utiliza bem os efeitos e as transições entre o universo mágico e mundano são interessantes. A trilha sonora é evocativa de uma atmosfera campestre bucólica, lembrando obras como O Auto da Compadecida. Morelli aqui bebe da fonte de Guel Arraes em diversos aspectos, mas não consegue replicar o encanto da obra de 2000.

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No aspecto narrativo, Malasartes derrapa. O plano da Morte para colocar Malasartes em seu lugar faz pouco sentido e o roteiro se utiliza de muitas conveniências para levar ao duelo final. Os personagens coadjuvantes são caricatos e pouco explorados, em especial Aurora (Valverde) que apesar de muito tempo em cena, não possui qualquer motivação própria, servindo como apoio para o arco narrativo do personagem principal. A fórmula da mocinha eternamente enganada que sempre acredita nas histórias do mentiroso namorado é batida e sem graça, e a boa dinâmica em cena dos protagonistas mereceria uma história mais encorpada.

Alguns momentos cômicos, em especial os que envolvem Malasartes e seu companheiro, despertam risadas, porém o personagem de Leandro Hassum destoa do resto do elenco oferecendo um humor infantil e irritante. O elenco possui química em cena, mas a história recheada de reviravoltas e diálogos clichês não lhes deixa muito espaço. Jesuita Barbosa como Malasartes é cativante, mas o personagem é unidimensional, fazendo com que seus esforços na atuação não sejam suficientes para salvar Pedro das armadilhas de um roteiro fraco.

Malasartes e o Duelo com a Morte é um esforço louvável em utilizar novas tecnologias cinematográficas no cinema nacional e abre caminhos para novos projetos. Porém o uso excessivo de clichês e caricaturas em um roteiro que aposta em planos mirabolantes e muita sorte faz desse um filme com muito potencial, mas mal aproveitado.

Confira o trailer de Malares e o Duelo com a Morte.

Avaliação: Ruim

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the author

Graduada em Antropologia pela Universidade de Brasília e mestra em Cinema e TV pela University of East Anglia, Reino Unido. Atualmente trabalha com produção, filmagem e edição de vídeos. Ama a Viola Davis e batatas de sal e vinagre.