CRÍTICA – Neve Negra (2017, Martin Hodara)

Neve Negra é um filme do argentino Martin Hodara que colabora no roteiro com Leonel D’agostino. Laia Costa, Ricardo Darín, e Leonardo Sbaraglia compõe o elenco principal. Marcos (Sbaraglia) retorna a sua cidade natal após uma morte na família e precisa confrontar seu irmão Salvador (Darín) sobre um passado familiar trágico.

As paisagens gélidas da Patagônia e o clima cinzento e frio ditam o tom e o ritmo de Neve Negra. Com uma narrativa que se constrói lentamente e apresenta seus personagens com poucos diálogos e muita interpretação dramática, o filme tem sucesso em construir o drama e mistério que envolvem os irmãos Marcos e Salvador. A esposa de Marcos, Laura (Costa) apresenta um elemento externo que justifica alguns momentos de exposição narrativa. É um bom suspense que agarra o espectador desde a primeira cena, um flashback da infância dos irmãos e um trágico evento. A boa estrutura narrativa perde força nos últimos minutos da projeção com um desfecho telegrafado. A construção do mistério clamava por um final mais fértil.

Os aspectos técnicos são um destaque de Neve Negra. A bela fotografia, ambientação bem construída em conjunto com a trilha sonora constroem o cenário idílico e misterioso do local, que refletem a trama e seus personagens. A mise-en-scène comunica todos esses elementos de forma a construir muito bem as sequências e atmosfera do longa, um excelente trabalho do Diretor de Fotografia, Arnau Valls Colomer.

A direção é boa e apesar de alguns desfechos do mistério serem óbvios, o filme é capaz de manter a atenção. O ritmo lento não vai agradar a todos, mas ele é intencional. Neve Negra recorre a muitos flashbacks para a infância de seus protagonistas, utilizando uma mudança de paleta de cor e iluminação convencional, mas abraçados por uma fotografia disciplinada – que não muda de foco ou estilo durante todo o filme. Porém, o recurso é utilizado em demasiado e pode ficar cansativo.

Ricardo Darín entrega mais um excelente trabalho de atuação. Suas expressões enrijecidas e torturadas contam tudo o que você precisa saber sobre a vida que seu personagem levou. Laia Costa é outro destaque, suas expressões indecifráveis agregam a construção dramática. Nós descobrimos as pistas do mistério ao mesmo passo que Laura, mas não sabemos as suas conclusões, dificultando a previsibilidade de suas ações e falas. Dolores Fonzi faz um bom trabalho como a irmã de Salvador e Marcos, Sabrina, porém sua participação é reduzida. Sua personagem é interessante e poderia ser mais trabalhada na trama. O filme teria muito a ganhar com ao menos uma interação entre Sabrina e Salvador.

Neve Negra é um belo trabalho cinematográfico, apresentando fotografia, trilha sonora e mixagem de som em excelente sintonia. Apesar de um desfecho seguro, o longa vai agradar amantes da sétima arte que buscam uma narrativa menos convencional e uma alternativa aos inúmeros blockbusters que invadem os cinemas.

Avaliação: Razoável

Confira abaixo o trailer de Neve Negra

Neve Negra estreia hoje, dia 8 de Junho nos cinemas!  Não deixe de nos acompanhar nas principais redes sociais para mais novidades:

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the author

Graduada em Antropologia pela Universidade de Brasília e mestra em Cinema e TV pela University of East Anglia, Reino Unido. Atualmente trabalha com produção, filmagem e edição de vídeos. Ama a Viola Davis e batatas de sal e vinagre.