CRÍTICA – Real: O Plano Por Trás da História (2017, Rodrigo Bittencourt)

Real: O Plano Por Trás da História é dirigido por Rodrigo Bittencourt e roteirizado por Mikael de Albuquerque. No elenco, Tatu Gabus Mendes, Emílio Orciollo Netto, Paola Oliveira e Cássia Kis.

O longa conta a história da equipe desenvolvedora do Plano Real, plano econômico que modificou a moeda brasileira, imersa em forte recessão e inflação. O foco narrativo é na participação do economista Gustavo Franco, um dos idealizadores do plano é personalidade histórica fortemente envolvida com os acontecimentos da época.

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Real é um filme longo, e seu estilo narrativo, baseado em muitos diálogos rápidos e complexos o faz parecer ainda mais extenso. A linguagem utilizada possui um uso agressivo de termos técnicos da área econômica. São diálogos difíceis de acompanhar para o espectador não entendido do tema, e existem poucos esforços por parte do roteiro de inserir o espectador na história.

A narrativa é carregada e sem qualquer apelo de entretenimento. Assistir ao filme em muitos momentos se assemelha a assistir uma aula ou ler um livro teórico. A adaptação cinematográfica sofre com as decisões de roteiro e direção tomadas. Toda a trama é contada com um excesso de descrição de fatos e reações aos mesmos. É um filme onde tudo se fala e pouco acontece, e existe pouco esforço criativo para adicionar ritmo e alma ao filme.

Gustavo é um protagonista mediano. O roteiro não ajuda, mas a interpretação sólida de Emílio Orciollo Netto, consegue fazer da personalidade irredutível e agressiva do personagem um carisma anti-heroico. Apesar disso, o ator faz um uso excessivo de alguns maneirismos que podem irritar. Outro destaque do elenco é Cássia Kis, como a jornalista Valéria. Apesar de presa em uma personagem construída de forma rasa, apenas para servir uma função expositiva na trama, Kis faz um bom trabalho.

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O longa entrou em cartaz no dia 25 deste mês.

Confira o trailer:

Avaliação: Ruim

Real é uma releitura de um dos fatos históricos mais marcantes na história brasileira. Enquanto obra cinematográfica, não oferece qualquer apelo dramático, sendo uma adaptação biográfica chata e cinematograficamente pobre.

Apesar de tudo, a ida ao cinema ainda é a melhor forma de apoiar o cinema nacional! Afinal, tudo tem um lado bom. Gosta de cinema? Então não deixe de nos acompanhar nas principais redes socias:

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the author

Graduada em Antropologia pela Universidade de Brasília e mestra em Cinema e TV pela University of East Anglia, Reino Unido. Atualmente trabalha com produção, filmagem e edição de vídeos. Ama a Viola Davis e batatas de sal e vinagre.