CRÍTICA – Rei Arthur e a lenda da espada (2017, Guy Ritchie)

Rei Arthur e a Lenda da Espada é dirigido por Guy Ritchie e estrelado por Charlie Hunnam, Jude Law e Djimon Hounsou. Conta a história da ascensão de Arthur ao trono britânico e sua relação com a lendária espada mágica Excalibur.

A lenda de Rei Arthur e seus cavaleiros já foi tema cinematográfico inúmeras vezes. Com Rei Arthur e a Lenda da Espada, Guy Ritchie tenta oferecer alguma novidade, focando nos anos iniciais de Arthur, construindo uma verdadeira história de origem similar a de muitos super-heróis. O diretor, conhecido por seu estilo peculiar, adiciona muitos toques próprios na narrativa, edição e diálogos do filme. A fórmula funciona em parte, mas o longa se torna desconexo, apresentando duas partes – o estilo de Guy Ritchie e a drama épico das origens do lendário rei e sua espada – que não se comunicam e manifestam problemas de tom e roteiro.

A ambientação é bem feita e a melhor parte do filme é o seu prólogo, onde o pai de Arthur, Rei Uther Pendragon (Eric Bana) brilha e demonstra que um filme sobre os seus feitos seria mais cativante. Os efeitos especiais são irregulares. Enquanto as sequencias iniciais são muito bem construídas e com efeitos que fluem de forma natural no universo criado, outras se assemelham a um vídeo game de 2010, em especial as cenas de ação que exibem os poderes mágicos da espada. As mesmas sequências abusam do recurso de câmera lenta e planos alongados que deixam o filme mais longo do que necessário (2h 6min) e cansativo.

A direção de Guy Ritchie também é inconsistente, seu trato com o drama épico deixa a desejar. O diretor prefere investir no micro, nos diálogos e cenas de ação mais orgânicas envolvendo os personagens, onde seu estilo brilha e daí saem as boas sequencias do filme. Destaque pare uma montagem inicial do crescimento de Arthur, que se assemelha a um vídeo clipe repleto de cortes secos que fluem no ritmo do tema musical, e uma sequencia de diálogos entre quatro personagens na qual Guy Ritchie empresta de seu sucesso anterior Snatch e conduz com maestria uma sucessão de falas ácidas e com muito humor. Um ponto alto do longa.

A utilização de flashbacks aqui também é inventiva mas utilizada em demasiado, o que remove seu elemento surpresa.

Charlie Hunnam é um Rei Arthur decente, mas suas capacidades enquanto ator são limitadas. Hunnam encaixa bem no estilo de diálogos de Guy Ritchie, mas não apresenta qualquer profundidade dramática em cenas necessárias. Jude Law como o vilão Vortigern é caricato e maniqueísta, seus trejeitos e expressões exagerados não condizem com o personagem e chegam a irritar. O elenco coadjuvante é sólido sem muitos destaques.

Assim como em outras obras de Guy Ritchie, as personagens femininas são em sua totalidade marginalizadas. As poucas mulheres presentes servem apenas como mecanismos para o avanço da narrativa, seja como guia, oferenda ou moeda de troca na luta pelo poder entre Vortigern e Arthur. A Maga interpretada por Astrid Bergès-Frisbey possui o maior tempo de cena e relevância na história, porém seu único propósito é levar Arthur ao trono. A personagem sequer recebe um nome, e seu potencial é desperdiçado.

Rei Arthur e a Lenda da Espada é um filme que apresenta potencial, mas derrapa na execução.

Confira o trailer de Rei Arthur: A Lenda da Espada:

Avaliação: Ruim

Rei Arthur: E a Lenda da Espada estreia amanhã nos cinemas de todo o Brasil, dia 18/05! Depois de assistir, compartilhe conosco sua opinião!

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the author

Graduada em Antropologia pela Universidade de Brasília e mestra em Cinema e TV pela University of East Anglia, Reino Unido. Atualmente trabalha com produção, filmagem e edição de vídeos. Ama a Viola Davis e batatas de sal e vinagre.