CRÍTICA – Sense8: 2ª temporada (2017, Lana Wachowski)

Sense8 voltou!!

Após a longa espera de 1 ano e meio, a 2ª temporada, iniciada em dezembro de 2016 como o Especial de Natal, teve finalmente todos os episódios liberados pela Netflix.

Produzida somente por Lana Wachowski, rodada em 11 países (inclusive no Brasil), essa 2ª temporada veio com a expectativa de uma produção ainda maior do que a primeira.

Confesso que após algumas críticas negativas e a última promo liberada (com um MEGA spoiler) comecei a ver a série com um pé atrás…

Se o episódio de Natal pareceu meio vago, com a parte mais “sci-fi” andando quase nada, as questões individuais mostradas de uma forma rasa e com somente raras sequências realmente boas, esse retorno iniciado com o segundo episódio mostrou a série retomando não somente o andamento da trama envolvendo a origem dos sensates mas acima de tudo as questões sociais que realmente envolvem a proposta da série.

A melhora na produção nessa temporada em comparação à primeira é notável e grandiosa: fotografia, locações, cenas de ação, as sequências de perseguição… Que evolução!

A sequência em São Paulo foi relativamente curta, mostrando basicamente a Parada do Orgulho LGBT, mas essas sequências foram gravadas em dois locais diferentes. Acompanhei a gravação de uma delas (o discurso) e Lana levou horasssssssss repetindo a cena até que em um dos intervalos olhou o local de todos os ângulos, pediu para virar o caminhão totalmente e voilá! Fez-se aquela iluminação PERFEITA no final de uma tarde de maio de 2016.

Não. Sense8 não é uma série sobre sexo mas sim… Vamos falar sobre sexo em Sense8. Já que muito da fama de Sense8 vem da putaria.

Interessante destacar que, na verdade, dos 22 episódios das duas temporadas, as cenas de orgia ocorrem em duas sequências, em 2 episódios.

Não. Não são sequências para se assistir com sua avó (ou talvez seja e tudo bem rsrs). Afinal, são sequências que levamos um tempinho para nos recuperarmos não é mesmo? 😉

Sobre as cenas de sexo em outros episódios, é absolutamente necessário dizer que a perfeição e beleza com que as Wachowski (especialmente Lana, nessa temporada) conseguem nos colocar dentro da suruba (adoramoooooooooooooooooos) assim como espectadores dos casais em particular é inigualável!!!

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Não. Sense8 não é uma série sci-fi!

Li algumas críticas afirmando que “a série deveria se focar mais no lado sci-fi porque estava se perdendo”.

Obviamente queremos entender e acompanhar o começo, meio e fim da saga envolvendo os sensates vs whispers mas… cara… sério… Se você acha mesmo que essa é a proposta principal de Sense8, volte 23 casas e assista de novo com olhos e MENTE abertos porque você não entendeu direito… mesmo.

Durante a passagem do cast por São Paulo, vi jovens chorando durante as gravações por se identificarem com Lito mas não terem a liberdade para serem eles mesmos em suas próprias casas. No Meet & Greet organizado pela Netflix, questionei o ator Miguel Angel Silvestre (Lito) sobre como é fazer parte de um projeto que trata de questões tão importantes e sobre a importância social da série:

Nesse caso, muitas coisas combinaram. As Wachowski são muito comprometidas com a Comunidade LGBT e a mensagem que elas trazem, então você sabe que entregarão algo muito especial. Li apenas 3 episódios e neles percebi que havia o intuito de fazer com que as minorias não se sentissem sozinhas, no intuito também de mostrar ao mundo como diferentes minorias, quando se unem, são a maioria.

E relembrando a sequência do Museu, com o diálogo entre Lito e Nomi (Jamie Clayton), na 1ª temporada:

Se você não se aceita, se você não se ama… todos temos coisas que não gostamos em nós, mas a partir do momento que você começa a aceitar tudo isso: você começa a ser mais feliz. Então nessa noite, enquanto ela (Jamie) me falava sobre essa cena, eu fiquei surpreso ao ver sua felicidade, quando ela me disse: ‘Miguel, eu descobri… eu sou quem eu sempre quis ser! Eu realmente sou essa pessoa agora e tenho tanto orgulho de mim!

Sense8 não é somente sobre 8 pessoas de diferentes lugares do mundo conectadas mentalmente, com cenas de sexo selvagem. Não. Esses temas são parte do todo, mas a raiz da história ainda é sobre pessoas, relações humanas, diversidade, preconceito, esperança, família, liberdade, homofobia, transfobia e, claro l’amour, diferentes tipos de amor. E isso ainda incomoda muita gente, infelizmente.

Ao contrário de outras críticas afirmando que a série deixou o emocional de lado ou que faltou ação, afirmo que:

a) Prepare-se para entender e/ou se identificar ainda mais com cada personagem, rir, chorar, gritar de desespero, pedir para a vovó sair da sala 😉 e acabar a temporada literalmente suado e tremendo após uma season finale que mais parece um filme de ação dos bons;

b) Essa 2ª temporada traz TODAS essas questões sociais e emocionais de cada personagem com uma beleza e uma força bem mais profundas do que na temporada anterior.

Sobre a 2ª temporada de Sense8: VEJA AGORA, com mente e coração abertos 😉

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*PS: Para executivos de Marvel, DC, Warner, Sony etc que repetem a verborreia de que protagonistas femininas e orientais/asiáticos não conquistariam público, eu só digo uma coisa: BAE DOONA (Sun).

Avaliação: Ótimo!

O série já está disponível na Netflix

Confira abaixo o trailer:

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the author

Paulista, 38 anos. Doida por séries, filmes, classic rock, gatos e catioros.