CRÍTICA – Thor: Ragnarok (2017, Taika Waititi)

Enfim chegou o terceiro filme do Deus do Trovão, o filho de Odin digno de empunhar o martelo Mjölnir; e nele teremos o Ragnarok. Bem, mais ou menos. Primeiro, para os que não conhecem o termo: Ragnarok é uma profecia da mitologia nórdica que é marcada por uma série de eventos futuros, incluindo uma grande batalha que resultará na morte de diversos deuses (incluindo OdinThor Loki); seguido de várias catástrofes naturais e a destruição dos nove reinos (a Terra está aí nesse bolo, claro). Depois do fim, o mundo ressurgirá fértil e os sobreviventes e os deuses – renascidos – se reunirão em um mundo repovoado.

Se voltarmos lá em outubro de 2014, quando a Marvel Studios anunciou o título do terceiro filme de Thor e a primeira logo oficial com uma data de previsão de estreia; pensamos:

Bom! Meio sombrio. O Ragnarok parece estar chamas. Coisa linda!

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Mas, para fazer jus a eterna discussão dos fãs da DC/Warner versus fãs da Marvel/Disney de que os filmes da primeira são mais sombrios que os da segunda, fomos apresentados a nova logo do filme e a notícia de que o diretor Taika Waititi mudaria o tom do filme para algo mais cômico:

Pensei:

Odin, quem nesse planeta ainda usa o Word Art? Tom cômico no apocalipse nórdico?? #PartiuLadeiraAbaixo

Para qualquer fã de mitologia nórdica e/ou da série Vikings esse seria o fim; mas todo fã de quadrinhos sabe que apesar desse Thor ser o da mitologia nórdica, a mitologia nórdica “da Marvel” tem as suas conveniências e por isso, acendi uma vela para Odin e aguardei para ver o conjunto da obra.

Apesar de Thor: Ragnarok ser infinitamente melhor que o Thor (2011) e mais divertido que Thor: O Mundo Sombrio (2013), neste terceiro longa de Odinson, o diretor Taika Waititi pareceu demonstrar falta de identidade ao não se decidir se este é um filme de super-heróis com comédia ou um filme de comédia com super-heróis. Deixo a sessão de comentários para vocês. 

Cabe ressaltar que no decorrer da produção, descobrimos que Thor: Ragnarok também teria espaço para uma pequena adaptação da saga Planeta Hulk, que – apesar de clichê – é considerada uma das melhores sagas do Gigante Esmeralda nos quadrinhos. E como ainda não temos uma previsão de um novo filme solo do “Vingador mais forte” desde O Incrível Hulk de 2008, saber dessa participação tornou-se uma ótima notícia. Porém, na prática se resume em: se você se perder no espaço, cairá no planeta Sakaar. E mesmo tendo uma luta incrível entre Hulk e Thor, seria melhor se tivessem deixado Planeta Hulk nas páginas dos quadrinhos; afinal um Hulk que parece ter uma mentalidade de criança e um Korg “zoeiro” não representam sua contraparte dos quadrinhos.

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O longa começa bem, com uma peça teatral recapitulando os últimos eventos de Thor: O Mundo Sombrio (não exatamente como aconteceu, mas ajuda) e as participações de Matt Damon (filmes Bourne), Luke Hemsworth (Westworld) e Sam Neil (o eterno profº Grant de Jurassic Park) são bem vindas e divertidas como grande parte do filme. O primeiro ato apresentou um roteiro conveniente e o excesso de colorido oitentista – referência aos traços de Jack Kirby – torna-se digno de cansaço aos olhos e onde o único que parecia se divertir era Jeff Goldblum como o – excêntrico – Gão Mestre, um imperfeito imperador que parece ter tido dicas de maquiagem via YouTube, e comandava uma festa ploc.

O ponto alto do filme é, sem dúvidas, a atriz australiana Cate Blanchett que interpretou a bondosa Galadriel na trilogia O Senhor dos Anéis, mas dessa vez dá vida a vilã Hela, que em seu primeiro encontro com seus irmãos (pois é, esqueça a mitologia nórdica), demonstra seu impressionante poder esmagando o martelo onipotente de Thor como já havia sido mostrado nos trailers. Blanchett, como de costume, brilha em cada aparição na tela grande e sua Hela é convincente, tão habilidosa quanto poderosa e tenta com todas as forças cumprir o que o título do filme promete, porém lutar contra o tom cômico foi um duelo de titãs.

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Obviamente, não posso deixar de falar do que a Marvel Studios faz de melhor: as referências (e como sempre, temos mais um filme com o “Selo de Referência Capitão América”). Tivemos desde Planeta Hulk com Korg e Miek, como dito anteriormente, até o totem com as cabeças de Bill Raio Beta, Ares, Bifera, Homem-Coisa e Ares. As referências são inúmeras e estão espalhadas pelo longa a cada sequência e diálogos. Mas a melhor de todas, certamente, foi o novo visual de Thor, que remete ao Thor Indigno dos quadrinhos. A caracterização ficou excelente agora só precisamos do Jarnbjorn, o machado que substitui o Mjolnir.

Confira o trailer de Thor: Ragnarok:

Avaliação: Razoável

O filme é divertido e isso basta para quem quer aproveitar a ida ao cinema e comer uma pipoca, mas se você quer assistir ao Ragnarok, pode ser que ele já esteja acontecendo para os filmes de super-heróis e ainda não tínhamos percebido (ok, difícil não perceber). Possivelmente estejamos presenciando o apocalipse dos filmes da Marvel Studios, para que eles possam renascer com Guerra Infinita ou Vingadores 4. Vamos torcer.

Thor: Ragnarok está em cartaz em todos os cinemas do país. E você, já assistiu? Deixe seu comentário e lembre-se também de nos acompanhar nas principais redes sociais:

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the author

Um carioca nerd de alma e coração. Cinéfilo, viciado em livros e que chama seu Xbox One de Wilson (entendedores entenderão).