CRÍTICA – Tudo e Todas as Coisas (2017, Stella Meghie)

Tudo e Todas as Coisas (Everything Everything) é a adaptação para o cinema do livro homônimo de Nicola Yoon. A direção é de Stella Meghie e a adaptação do roteiro é de J. Mills Gooodloe. No elenco os estreantes Amandla Stenberg e Nick Robinson. A jovem Maddy (Stenberg) sempre nunca saiu de sua casa. Uma deficiência grave em seu sistema imunológico a impede de qualquer contato com o mundo exterior. A chegada de Olly (Robinson) ao bairro fará com que Maddie arrisque tudo, até sua própria vida, para viver esse amor adolescente.

Filmes adaptados de livros são uma constante em Hollywood, e ultimamente livros com temáticas focadas no público infanto juvenil são apostas dos estúdios para sucessos de público, baseado no sucesso do material fonte. Exemplos são A Culpa é das Estrelas, Cidades de Papel e o recente Antes que eu vá. Tudo e todas as coisas entra na mesma categoria e não oferece muita novidade ao gênero. O roteiro é uma adaptação fraca, contando com muita narração expositiva e diálogos mecânicos que parecem lidos pelos personagens Esse é um problema que persiste em adaptações, pois nem todo diálogo lido funciona no contexto cinematográfico. A inexperiência de ambos os protagonistas é latente e a entrega de falas é mecânica e sem fluidez. O amor entre Maddie e Olly é contado e não sentido, pois falta química entre o casal.

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No aspecto técnico, o filme é competente mas não oferece muita inovação. O design de produção é harmonioso e demonstra o tédio vivido por Maddie, com muitas cores frias, muitos tons de brancos e cinza e uma decoração minimalista que se assemelha a um hospital. Maddie parece confortável e aprisionada, e a ruptura criada com as cores vibrantes do mundo exterior funciona de forma coerente, um ponto positivo do longa. A trilha sonora é genérica, um agrupado de músicas pop românticas sem muita expressão. O enredo é clichê e sem muita vida, mas apresenta os elementos que agradam o público juvenil que consome o livro. O terceiro ato sofre com a falta de pulso emocional da protagonista e uma direção mais firme, mas apresenta uma reviravolta bem-vinda em uma história até então trivial.

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Tudo e Todas as Coisas é um filme esquecível, que sofre da necessidade de manter diálogos exatos do livro, e faz escolhas preguiçosas na adaptação. A máxima do cinema “show don’t tell” (mostre, não conte) não é respeitada aqui. Porém apresenta um esforço estético louvável e dentro da sua proposta, é competente. Vai agradar o público juvenil.

Confira o trailer:

Avaliação: Razoável

Razoável

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the author

Graduada em Antropologia pela Universidade de Brasília e mestra em Cinema e TV pela University of East Anglia, Reino Unido. Atualmente trabalha com produção, filmagem e edição de vídeos. Ama a Viola Davis e batatas de sal e vinagre.