CRÍTICA – Uma Família de Dois (2017, Hugo Gélin)

Uma família de Dois (Demain tout Commence) é um filme francês dirigido por Hugo Gélin, em uma adaptação do original mexicano Não Aceitamos Devoluções, de 2013. O longa que é estrelado por Omar Sy, Clémence Poésy, Antoine Bertrand e Gloria Colston conta a história do baladeiro Samuel (Sy) que vê sua vida se modificar quando um antigo romance o encontra e deixa com ele a filha que os dois tiveram juntos, um bebê de 3 meses. Samuel então se muda para Londres e por 8 anos cria Glória (Colston) sozinho, mas a dinâmica dos dois será abalada quando Kristin (Poésy), mãe da criança retorna e tenta se reaproximar da filha e recuperar o tempo perdido.

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O primeiro ato do filme se apoia no carisma e comédia de Omar Sy, e assim funciona muito bem, logo nos primeiros 30 minutos o filme passa por uma longa montagem de passagem de tempo na qual Samuel se estabiliza em Londres com sua nova vida como pai de Glória e dublê cinematográfico. O filme também ganha com a introdução da jovem Glória Colston. A dinâmica entre ela e Sy é convincente e a melhor parte do longa.

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O roteiro apresenta muitas reviravoltas e uma série de coincidências e eventos que apenas servem a trama, assemelhando-se a uma telenovela, porém em um curto período de tempo. Consequentemente a escrita de personagens se torna então superficial, não pautada na realidade de como pessoas agiriam em dadas situações. Com personagens enfraquecidos e uma trama conveniente, o filme apela para o impacto emocional, que acaba mal solucionado pois apresenta problemas estruturais que comprometem a qualidade do desfecho. O tom do filme transita entre um humor colegial e um drama melodramático sem muita fluidez.

Dois personagens em especial tem representações problemáticas: Bernie (Bertrand), é o melhor amigo de Samuel, um produtor de televisão que o ajuda a estabelecer sua vida no Reino Unido. Sua representação é a de um homossexual afeminado que flerta com todos os homens, gays ou não, de forma até agressiva. Esse arquétipo ofensivo que busca retirar risadas do público é unidimensional e a escolha de utilizá-lo em vez de oferecer profundidade ao personagem demonstra a falta de entendimento de seus escritores. Kirstin, a mãe de Glória, apresenta uma excelente oportunidade de trabalhar temas como a depressão pós-parto, porém o filme a representa de forma maniqueísta e sua função é apenas a de oferecer obstáculos para a relação familiar entre pai e filha.

Confira o trailer:

Em geral, Uma Família de Dois apresenta uma premissa interessante, um bom elenco que oferece os melhores momentos de comédia do filme com suas interações, porém um texto preguiçoso, repleto de conveniências narrativas, pouco real e com construções unidimensionais de seus personagens.

Avaliação: Ruim

Uma família de Dois chega aos cinemas nesta quinta-feira (29). Fique ligado aqui no Feededigno para mais novidades do cinema e você pode nos acompanhar também pelas principais redes sociais:

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the author

Graduada em Antropologia pela Universidade de Brasília e mestra em Cinema e TV pela University of East Anglia, Reino Unido. Atualmente trabalha com produção, filmagem e edição de vídeos. Ama a Viola Davis e batatas de sal e vinagre.