Crítica – Velozes e Furiosos 8 (2017, F. Gary Gray)

Velozes e Furiosos 8 (The Fate of the Furious) é a continuação da saga iniciada em 2001. A direção é assinada por F. Gary Gray (do excelente Straight Outta Compton). Após os acontecimentos do último filme, Dom (Vin Diesel) é interrompido durante sua lua de mel com Letti (Michelle Rodriguez) e recrutado para um trabalho com a hacker Cipher (Charlize Theron), pois essa possui um segredo de Dom e o homem está disposto a tudo, inclusive trair sua família, para protegê-lo.

Todos os clichês da série estão presentes: perseguições surreais, desafio as leis da física e senso comum de realidade, diálogos recheados de testosterona e trocas de brandas ofensas sem propósito. Assim como outros filmes da saga, Velozes e Furiosos 8 é repleto de tentativas de humor juvenil em especial de Tyrese Gibson (deve ter alguma cláusula contratual para disparar ao menos 1 piadinha cada 5 minutos de filme.) muitas explosões e caos. Algumas sequências de ação são bem filmadas e bem executadas, outras caminham em território ‘Transformers’ de golpes de câmera sem sentido que não permitem que o espectador acompanhe o que acontece.

O carisma de Dwayne ‘The Rock’ Johnson agrega muito ao filme, que ganha com a sua presença mais constante quando comparado ao filme anterior. Michelle Rodriguez é também um ponto alto do filme, se estabelecendo como uma heroína de ação com boa fisicalidade. É uma pena que ela continue em grade parte, presa a uma franquia na qual não possui espaço para crescer.

Charlize Theron como Cipher é uma vilã maniqueísta, sem profundidade e motivações claras, numa performance abaixo do que a atriz pode entregar, mas de acordo com o proposto no roteiro.

Em diversos momentos o filme se apoia numa performance emocional de Vin Diesel, que não é entregue, deixando a desejar na tentativa de convencer o espectador mais exigente do dilema moral do personagem. A falta de Paul Walker é tratada de forma sutil e respeitosa, porém é sentida no filme.

Ian Shaw (Jason Statham) continua na saga e em grande parte, provoca uma quebra de ritmo na enfraquecida narrativa. Quando Statham está em cena, Fast8 parece se transformar em outro filme, o filme que a franquia velozes e furiosos planeja se tornar, e o tenta desde Fast5 e a entrada de Dwayne Jahnson, mas sua premissa inicial, focada em perseguições fantásticas e carros impactantes e velozes, não o permite ser. A franquia parece estar em conflito com o seu passado e suas aspirações para o futuro.

Velozes e Furioso 8 entrega o que se propõe a entregar e nada mais que isso. Os fãs da franquia vão gostar, mas quem buscar uma narrativa coesa e atrativa vai precisar procurar em outro filme.

Avaliação: Razoável

 

 

Confira abaixo o trailer:

Velozes e Furiosos 8 estreia no dia 13 de Abril e é uma boa pedida a todos os fãs da franquia. E lembre-se de nos acompanhar nas redes sociais:

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the author

Graduada em Antropologia pela Universidade de Brasília e mestra em Cinema e TV pela University of East Anglia, Reino Unido. Atualmente trabalha com produção, filmagem e edição de vídeos. Ama a Viola Davis e batatas de sal e vinagre.