CRÍTICA – A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell (2017, Rupert Sanders)

Altamente influenciado pelo gênero cyberpunk como Akira e filmes como Blade Runner e Robocop, o cenário escolhido pelo criador Shirow Masamune para Ghost in the Shell, é um futuro distópico no ano de 2029, em que a alta tecnologia se mistura à sociedade já decadente e desigual.

Nesse mundo, somos apresentados à Major Mokoto Kusanagi, chefe da Seção 9, divisão da polícia, voltada à Segurança Pública Japonesa. Mokoto é uma ciborgue altamente treinada incumbida de desmantelar uma rede de crimes cibernéticos realizados por um hacker conhecido como Mestre dos Fantoches.

Em meio à caçada, o autor insere na trama questionamentos existencialistas, nos levando por vezes questionar o que consideramos “um ser vivo”.

O filme homônimo de 2017, estrelando Scarlett Johansson no papel de Major, bebe do material fonte, sendo por vezes bem fiel.

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A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell nos apresenta Mira (Scarlett Johansson), que após um acidente, tem seu cérebro transplantado para um corpo cibernético, tornando-a um ciborgue (ser dotado de partes orgânicas e cibernéticas, geralmente com a finalidade de melhorar suas capacidades utilizando tecnologia artificial) que foi usado como arma contra crimes. A Seção 9, é a divisão da polícia encarregada de regular as ações de Mira e sua equipe formada quase que inteiramente por pessoas com aperfeiçoamento cibernético, liderados pelo misterioso Daisuke Aramaki (Takeshi Kitano).

A ambientação do filme nos faz ter certeza do cuidado que o diretor, Rupert Sanders teve ao fazer referência a espalhafatosa cidade que os fãs já viram nos mangás e em sua adaptação que no anime de 1995; nos fazendo pensar em como será nosso futuro. Os lugares de anúncios antes impressos em banners e outdoors na lateral dos prédios foram tomados por hologramas por vezes poluídos. E segundo o diretor, podemos ter uma certeza: De que a marca Honda sobreviverá até o ano de 2029. (“merchan”? kkkk)

O filme faz incríveis referências aos materiais de origem, e a trilha sonora nos faz ter mais certeza de que estamos de fato em uma cidade japonesa, mas com uma cultura altamente miscigenada. E percebemos desde cenas claras, como nos detalhes como o som de um koto, instrumento originalmente chinês, mas fortemente utilizado no Japão, com uma distorção, dando ao som do instrumento um tom mais futurista.

Sanders teve o cuidado de fazer de Ghost in the Shell uma das mais fiéis adaptações, sendo completamente respeitoso com os fãs do tão aclamado mangá. Entretanto, a atuação de Johansson não nos traz o equivalente à sua contraparte do material de origem. Que mesmo perdida em seu plot de auto descobrimento, não perde toda a sua força.

Infelizmente, a protagonista do filme não é o ponto mais alto, mas sim a equipe que a cerca, como o seu esquadrão, a Seção 9, que dão um show a parte; desde os soldados, até o seu mentor, Daisuke Aramaki. O antagonista é sem dúvidas “rouba a cena”, sendo por vezes mais profundo no fim do terceiro ato, do que o personagem interpretado por Scarlett Johansson.

Não é o primeira vez que a atriz encarnou uma “criatura” não tão humana. Em Sob a Pele (Under the Skin, de 2013), Johansson mostrou que quando bem dirigida, sabe entrar no personagem, mesmo que interpretando um não tão capaz de demonstrar emoções.

A atriz não mostrou tanta emoção que a personagem de Mira realmente necessitava. A personagem dos mangas, que é por vezes explosiva, foi no cinema um personagem mais contido do que o necessário, havendo explosão apenas em cenas de luta.

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As cenas em que houve uma tradução clara do mangá e das animações, trouxe aos fãs uma sensação nostálgica de familiaridade, sendo na minha opinião, uma das mais fiéis adaptações relacionadas à todas as mídias.

Confira o trailer:

 

 Avaliação: Bom

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the author

Natural do Rio de Janeiro, agora, um candango do cerrado. 23 anos, de muita nerdice. Cinéfilo, viciado em séries e livros.