X-Men: Esqueca-os, The Gifted está criando sua própria linha temporal

Apesar das garantias de que a história de The Gifted existe apenas em sua “linha temporal”, separada da franquia de filmes dos X-Men, é difícil para os fãs que estão cientes da continuidade inexata da Fox, e acabam procurando por conexões entre o novo drama da Fox e o futuro distópico do filme de 2014, X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido ou do sombrio Logan, lançado em 2017. Mas com o episódio dessa semana, a série começa a mostrar os primeiros indícios de seu universo e coloca marcadores ao longo da linha temporal, de certa forma, afastando a série dos filmes.

Como aprendemos no segundo episódio, “rX’, mutantes não são um fenômeno “novo”; sua existência é conhecida por décadas. Apesar da criação de uma divisão do Governo Americano e suas atividades ser algo relativamente novo, mutantes lutam há tempos por aceitação, e seus esforços para se encaixarem em movimentos de direitos civis. Há um número considerável de histórias em que eles não são alvos apenas do Serviço Sentinela, mas sofrem mais comumente, formas sutis de discriminação, de estranhos, profissionais da área da saúde e até mesmo de membros da família.

Essas são as maneiras em que The Gifted começou a distanciar sua linha temporal do resto do universo dos X-Men.

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O Incidente em 15 de Julho

Discutido vagamente no episódio de estreia da série, o evento cataclísmico que ligou o desaparecimento dos X-Men e da Irmandade dos Mutantes de Magneto, e iniciou a restrição à atividades mutantes, ganhou um nome em “rX”: O incidente em 15 de Julho. É a versão de The Gifted do 9 de setembro (atentado às torres gêmeas no ano de 2001), ou 7 de Julho (atentados ao metrô de Londres em 7 de Julho de 2005), envolvendo apenas uma batalha entre grupos rivais de mutantes.

Separado de sua família e sob custódia do Serviço Sentinela, o promotor federal Reed Strucker (Stephen Moyer) é interrogado pelo Agente Jace Turner (Coby Bell), que está disposto à usar qualquer tipo de vantagem para conseguir a localização da Resistência Mutante, que ele vê como um grupo terrorista. Quando Reed contesta e afirma que o grupo não é como a Frente de Liberação Mutante, Agente Turner responde à ele,

“Eu perdi minha filha no incidente de 15 de Julho. Ela tinha 7 anos. Seu nome era Grace. Pessoas falam dos X-Men, falam sobre a Irmandade. Mas essa é a verdade: Eu nunca vou saber se aquela explosão de energia que matou minha filha veio de um mutante bom, ou um mutante mal. E adivinha só?! Eu não ligo.”

Esses comentários não especificam qual ano o incidente em 15 de Julho aconteceu — apesar de dar a sensação de muito pouco tempo ter se passado — mas de alguma forma, as pessoas sabem que os X-Men e a Irmandade de Mutantes estão implicados diretamente no que quer que tenha acontecido. Podemos supor que nem todos os membros de ambos os grupos morreram no incidente, o que sugere que eles estão escondidos ou encarcerados em algum tipo de prisão secreta do governo.

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Apartheid Sul Africano

Para pressionar Reed Strucker, o Serviço Sentinela leva sua mãe para interrogatório como uma potencial co-conspiradora. Agente Weeks pergunta sobre seu ex-marido, que aparentemente vive em Chattanooga, Tennessee, antes de entrar em seu histórico de desobediência civil:

“Você apoiou o movimento dos direitos mutantes. Você protestou contra o governo Sul Africano.”

Ellen esclarece:

“Eu marchei contra o apartheid em 1984. Eles oprimiam todo o tipo de pessoas – não apenas os mutantes!”

Em uma breve troca de cenas que mostra o quão longe o Agente Turner é capaz de ir, atrás de uma confissão de Reed. Mesmo assim, revela muito da história e do ponto em que The Gifted quer chegar, no qual o governo institucional da África do Sul não tinha a intenção de segregar apenas brancos e negros (que era não só mostrar o poder da minoria branca), mas também isolar mutantes de humanos.

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Cidadãos de Segunda Classe

Somos introduzidos à vida diária de um mutante “comum” na abertura do segundo episódio, um flashback que mostra a noite do boliche da família Strucker sendo interrompida por três adolescentes que zombam de uma criança e seus dons mutantes. Ela fica aborrecida e acidentalmente libera uma onda de energia concussiva que causa dano considerável, mas também atrai atenção à ela. Reed, um promotor federal se aproxima da menina, claramente perturbada e seu pai e os avisa, para ir embora, não por causa dos adolescentes que faziam bullying com ela, mas sim, pelo fato da criança ter cometido um ato criminoso, usando suas habilidades em um lugar público.

Diferente das formas de discriminação que são mostradas quando a enfermeira Caitlin Strucker (Amy Acker) vai com Eclipse (Sean Teale) para roubar medicamentos para Blink (Jamie Chung), que está em estado semi-consciente e abrindo portais aleatórios, arriscando revelar a localização da Resistência Mutante para a polícia. Horrorizada com o estado da sala de emergência que está lotada de pacientes, Caitlin ouve de Eclipse,

“Eles ainda dizem que fecharão esse lugar para pacientes mutantes. Parece que o nosso melhor super-poder é falir hospitais.”

Já dentro do hospital, Caitlin finge que seu namorado mutante está ferido, para que ela possa chegar mais perto dos medicamentos que ela precisa. Quando o médico nota que Caitlin possui um ferimento em seu rosto (um resultado do surto de Blink), ele pergunta a ela se foi vítima de violência doméstica.

“Algumas pessoas pensam que é excitante namorar mutantes, mas não é segredo que violência doméstica pode acontecer.”

Nenhum desses fatos mostram a extensão da linha temporal, mas elas ilustram o mundo de The Gifted e como a discriminação é universal, e esse preconceito existe há tanto tempo, ao ponto de estar entranhado na sociedade, desde pistas de boliche à agentes da lei. “Você acha que isso foi ruim?” Eclipse diz à Caitlin depois de serem forçados à deixar o hospital as pressas. “O médico na verdade fez a sutura antes de chamar a polícia. Isso foi um atendimento de saúde mutante cinco estrelas.”

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‘Terror Mutante no Rio de Janeiro’

Um dos momentos chave do episódio dessa semana, veio dos momentos finais, quando o Doutor Roderick Campbell (Garret Dillahunt) reconheceu uma conexão em potencial entre os fugitivos da família Strucker e os gêmeos mutantes capturados em um ataque terrorista no Rio de Janeiro 55 anos antes. Já percebemos que isso pode significar que a The Gifted revelará uma ligação entre Andrea e Andreas von Strucker, conhecidos como Fenris dos quadrinhos da Marvel, e os jovens Lauren e Andy Strucker. Mas talvez qualquer ligação com as histórias dos quadrinhos da Marvel, como o ataque no Rio, só sirva para mostrar a extensão da linha temporal da série.

O jornal em que a notícia do ataque aparece é 21 de Maio de 1962, com o título da matéria “Terror Mutante no Rio de Janeiro”, o que significa que não apenas os mutantes já existiam no começo dos anos 60, mas também estavam ativos o suficiente para ser conhecidos como “mutantes”. A data também leva o público conhecido aos fatos ocorridos no filme de 2011 dos mutantes, X-Men: Primeira Classe, que se desenrola meses depois, perto dos eventos da Crise de Mísseis em Cuba que aconteceu entre os dias 16 à 28 de Outubro de 1962.

The Gifted vai ao ar na Fox, com estreia simultânea com os Estados Unidos, podendo ser assistida no serviço de streaming do canal. Para mais novidades, acompanhe-nos nas principais redes sociais:

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the author

Natural do Rio de Janeiro, agora, um candango do cerrado.
23 anos, de muita nerdice. Cinéfilo, viciado em séries e livros.