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CRÍTICA – Duna (2021, Denis Villeneuve)

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CRÍTICA - Duna (2021, Denis Villeneuve)

Duna chega aos cinemas de todo o Brasil no dia 21 de outubro. Baseado no livro homônimo de Frank Herbert, o filme é dirigido por Denis Villeneuve e protagonizado pelo astro em ascensão Timothée Chalamet.

Confira o que achamos da produção que traz em seu elenco Oscar Isaac, Zendaya, Jason Momoa, Josh Brolin, Javier Bardem e Rebecca Ferguson.

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SINOPSE DE DUNA

Paul Atreides (Timothée Chalamet) é um jovem brilhante, dono de um destino além de sua compreensão. Ele deve viajar para o planeta Arrakis, junto de sua família, para garantir o futuro de seu povo.

ANÁLISE

Duna não é um livro fácil de ser adaptado. Com um conteúdo denso e riqueza de detalhes impressionante, a obra é considerada uma das maiores ficções de todos os tempos.

Em 1984, o excelente diretor David Lynch se arriscou a adaptar o livro de Herbert para as telonas, mas (por diversos motivos) a obra não saiu da maneira que ele esperava, sendo considerada um completo fracasso.

Agora, 37 anos depois, Denis Villeneuve encara o desafio de traduzir esse grande universo para a tela do cinema, com uma experiência visualmente estonteante. Duna é tão fiel ao livro que chega a causar estranheza, pois por vezes a criação de Villeneuve reflete exatamente as cenas idealizadas pelos leitores ao acompanharem as desventuras da família Atreides em Arrakis.

É fato que esse material não poderia ter caído em melhores mãos. A filmografia de Villeneuve fala por si só: Incêndios, Blade Runner 2049, A Chegada, Sicario: Terra de Ninguém… do blockbuster ao underground, da ação ao suspense. Sua experiência é incontestável.

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O poder de Villeneuve em trazer a melhor atuação do elenco com que trabalha é outro ponto importante, visto que os personagens envolvidos na história principal de Duna são todos igualmente poderosos e complexos.

Todas essas qualidades se refletem na ótima primeira parte da franquia. Adaptando os primeiros capítulos do livro homônimo, a produção roteirizada por Jon Spaihts, Eric Roth e o próprio Villeneuve condensa muito bem os acontecimentos, preservando a natureza política e os debates ambientais da obra original.

A leitura de Duna é um pouco arrastada, visto que é necessário estabelecer o rico universo criado por Herbert, ao passo que explica todo o impasse entre o Império, os Harkonnen, Atreides, Bene Gesserit e Fremen. Além de apresentar esses povos e suas tradições, o livro ensina a importância da especiaria, do deserto e dos vermes da areia – sem esquecer da profecia do escolhido.

Tal qual a obra, os roteiristas fazem um trabalho excelente em estabelecer o cenário para, então, desenvolver a história de Paul, Lady Jessica (Rebecca Ferguson) e Duque Leto (Oscar Isaac). Rebecca e Timothée são os atores que mais se destacam nessa primeira parte, principalmente quando estão juntos em cena. A química familiar é crível e muito bem trabalhada por Villeneuve. Vale também uma menção honrosa a Oscar Isaac e Jason Momoa, que também estão ótimos em seus papéis.

Mesmo que haja desconfianças com o rápido crescimento de Timothée em Hollywood, aparecendo em quase todos os filmes da temporada, o ator é competente e muito talentoso. Seu Paul Atreides é gentil, mas ao mesmo tempo reservado, fazendo com que o público crie simpatia por um personagem que, nos livros, é extremamente difícil de se conectar.

Ficam como núcleo mais apagado da trama os Harkonnen e os Sardaukar. Apesar da ótima caracterização de Stellan Skarsgård, David Dastmalchian e Dave Bautista, e algumas mudanças propostas para os personagens, os Harkonnen não causam nem metade do impacto dos Fremen na narrativa.

Mesmo sendo extremamente fiel, Duna encontra espaço para fazer suas próprias adaptações em alguns acontecimentos, principalmente em relação às cenas de ação. A proposta torna a narrativa menos arrastada em alguns momentos, mas ainda assim não consegue (ou não tenta) fugir dos diálogos expositivos na maior parte do tempo.

É nessa tentativa de mudança que um dos plots principais dos primeiros capítulos é enfraquecido, não causando surpresa ao ser revelado em cena. Ao não conectar o público com alguns personagens da forma que deveria, a virada na narrativa não causa espanto e não é efetiva.

O ritmo vagaroso do filme, que em muito lembra Blade Runner 2049, pode repelir uma parte da audiência que busca por um filme blockbuster com ação e efeitos desenfreados. Entretanto, deve ser bem aceito pelos fãs da obra original, pois busca fazer jus a todo o debate em torno da importância da água, biologia e do futuro da humanidade.

Seja como for, as escolhas feitas por Villeneuve foram as mais acertadas possíveis. Mesmo que, em alguns momentos, possa haver uma breve comparação com a fotografia da nova saga de Star Wars Greig Fraser é responsável também por Rogue One – Duna possui seu charme próprio. A trilha sonora de Hans Zimmer, intensificada no IMAX, é outro acréscimo excepcional.

VEREDITO

Duna é visualmente estonteante e possui um elenco incrível. Com uma história rica em detalhes, a adaptação da obra de Herbert surpreende pela fidelidade com o material base, sendo mais um ótimo trabalho na filmografia de Villeneuve.

4,0/5,0

Assista ao trailer:

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