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O Senhor dos Anéis: Como a maturidade pode mudar nosso olhar em relação aos filmes

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“Lá e de volta outra vez” – Bilbo Bolseiro em O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel

Considerada um dos luminares da “Alta Fantasia” (subgênero mais imaginativo dentro da Fantasia), O Senhor dos Anéis, é uma série literária composta por três livros, A Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei, e criada pelo escritor e professor inglês J.R.R. Tolkien entre os anos 1937 e 1949. No inicio dos anos 2000, a obra foi adaptada para o cinema sob o comando do cineasta neozelandês Peter Jackson.

A história já é vastamente conhecida entre os fãs do gênero, mas se você não faz ideia do que se trata, segue um breve resumo: Na trama, acompanhamos a saga do hobbit – criaturas de até 1,2m de altura – Frodo Bolseiro (Elijah Wood) em sua jornada para destruir o “Um Anel”, o mais poderoso dos 20 anéis do poder, que anseia voltar para o seu dono, Sauron, O Senhor do Escuro. E para isso, Frodo conta com ajuda de uma sociedade de amigos. Entre eles está Legolas, o elfo (Orlando Bloom); Gimli, o anão (Jonh Rhys-Davies); Aragorn, o guardião (Viggo Mortensen); Gandalf, o mago (Ian McKellen); Boromir (Sean Bean) e os hobbits Merry (Dominic Monaghan), Pippin (Billy Boyd) e Sam (Sean Astin).

O Senhor dos Anéis é uma obra amada e estudada ao redor do mundo. Sua história é muito cativante, repleta de aventuras e lições de vida, lindas relações de amizade e ótimas cenas de ação. Tudo isso, aliado às tecnologias inovadoras e boa direção, que fizeram os longas se tornarem marcos do cinema e fazendo com que a criação de Tolkien um dos maiores exemplos de sucesso em adaptação cinematográfica de uma obra literária.

No entanto, mesmo O Senhor dos Anéis sendo uma das narrativas mais incríveis da sexta e da sétima arte, tem muitas pessoas que não gostam do tema por achar muito fantasiosa – uma trama como essa, onde árvores ganham vida e existem criaturas como orcs, nasgûl e trolls, precisa que haja uma grande suspensão da descrença do leitor e espectador para funcionar – ou simplesmente nunca leram os livros ou assistiram aos longas por ter certo preconceito, “eu não vou perder três horas da minha vida vendo um filme cheio de coisas que não existe no mundo real”, frase dita por um colega logo depois da minha indicação de A Sociedade do Anel.

Além do exemplo de pessoas citada anteriormente, tem aquelas que acabam se decepcionando com a criação de Tolkien por outro motivo: a idade ainda não lhes assegura maturidade e experiência necessária para entender os temas abordados e a maneira como a adaptação cinematográfica revolucionou a sétima arte tanto em termos técnicos quanto na maneira de contar história – exatamente o que aconteceu comigo.

Meu primeiro contato com essa trama épica foi através do já citado, A Sociedade do Anel, lá em 2012. Depois de tanto ouvir alguns colegas falarem sobre o tal de um mago que luta contra um Demônio do Mundo Antigo, fui à casa de um amigo e pedi o DVD emprestado. Após assistir fiquei me perguntando como as pessoas podiam gostar tanto de um filme longo, parado e sem final – até então não sabia que eram três produções. Depois dessa experiência fiquei longe daquele universo por um bom tempo. Até que em meados de 2015, enquanto dava uma olhada na seção de filmes de uma loja, me deparei com o box da trilogia completa e resolvi comprar.

Entretanto, essa nova aquisição ficou guardada por mais umas semanas até que tomei coragem, resolvi dar mais uma chance e decidi assistir a todos de uma vez. Ao longo dessas quase dez horas de maratona, as emoções foram diversas: ri, chorei, fiquei tenso e impressionado com a escala das batalhas épicas que preenchia a tela. Todavia, não foi só isso que me impressionou nessa segunda visita à Terra Média, dessa vez eu estava conseguindo enxergar coisas que, três ou quatro anos antes, não notaria, como toda a mensagem que o roteiro passa sobre como a ganância pode destruir o homem, a importância de nunca desistir dos nossos objetivos, bem como a importância das amizades verdadeiras, e tantas outras.

Quando acabei O Retorno do Rei eu estava completamente empolgado e um sentimento que era um misto de culpa e arrependimento tomava conta de mim por não ter tentado ver os filmes antes, mas, mais tarde, pude perceber como ter dado esse tempo foi bom, pois, com certeza, durante esse período eu consegui acumular vivências e experiências que me ajudaram a entender e interpretar melhor muitas das mensagens que a obra de Peter Jackson nos apresenta, mesmo que “resumindo” a obra de J.R.R. Tolkien.

Outro fator importante nessa nova percepção foi o fato de ter adquirido certo conhecimento sobre cinema, onde pude abrir meus olhos para o como a trilogia revolucionou essa arte. Todos os efeitos visuais, a computação gráfica – houve o desenvolvimento de um software para criar personagens inteiramente digitais em cenas de batalhas grandiosas, o MASSIVE (Multiple Agent Simulation System in Virtual) –, Performance Capture (Andy Serkis dá um show como Gollum),  a perspectiva, o uso de miniaturas, entre outras.

O desenvolvimento dos personagens foi um fator crucial para minha mudança de percepção em relação a trilogia. Nenhum dos personagens chegam ao final da mesma maneira que começou. A mudança mais drástica, sem dúvidas, é a de Frodo, o arco dramático dele é incrível e rende alguns dos momentos mais emocionantes de toda a saga.

O Senhor dos Anéis é um prato cheio para os amantes do High Fantasy, mas também é uma excelente pedida para qualquer cinéfilo, seja ele fã ou não do gênero. Aqui você encontra tudo, roteiro e direção impecáveis, excelentes atuações e trilha sonora, cinematografia excepcional, tomadas aéreas de encher os olhos e figurinos lindos (preste atenção nos detalhes e perceba como tudo foi cuidadosamente planejado). Ademais, a Terra Média é uma das melhores criações da literatura mundial, e a adaptação deixa isso mais claro ainda. É INCRÍVEL! Não é à toa que Tolkien serviu (e serve) de inspiração para muitos autores de fantasia, como C.S. Lewis (As Crônicas de Nárnia) e George R. R. Martin (As Crônicas de Gelo e Fogo).

Além de tudo que já foi dito, me atrevo a dizer mais. Concordo plenamente com o crítico brasileiro Pablo Villaça quando ele afirma em sua análise que O Retorno do Rei possui, indubitavelmente, a maior batalha já vista no cinema.”

Após refletir bastante a respeito de tudo isso, pude perceber como a maturidade e a experiência pode mudar o nosso olhar (e o conceito) em relação a um filme (nesse caso, três!). Hoje, posso dizer que sou uma pessoa mais completa com os ensinamentos e lições dessa obra-prima.

E para quem achou que tinha ficado órfão depois do encerramento da trilogia lá em 2003, pode ficar animado (ou não), pois a Amazon Studios está desenvolvendo uma série que se passará antes dos eventos do primeiro filme. Além disso, especula-se que o primeiro ano mostre o jovem Aragorn. O programa tem data de estreia prevista para 2021 e já tem roteiristas contratados, JD Payne e Patrick McKay responsáveis por Star Trek 4.

Leia mais sobre a série da Amazon de O Senhor dos Anéis.

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