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CRÍTICA | Dexter: New Blood – S1E5: Runaway

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CRÍTICA | Dexter: New Blood – S1E5: Runaway

O quinto episódio de Dexter: New Blood, intitulado Runaway, já está disponível na Paramount+. O capítulo é roteirizado por Veronica West e dirigido por Marcos Siega e apresenta um thriller intenso e cheio de reviravoltas.

O texto a seguir terá spoilers do episódio.

SINOPSE

O método de Dexter (Michael C. Hall) de proteger seu filho Harrison (Jack Alcott) das drogas libera seu Passageiro Sombrio. A viagem de Angela (Julia Jones) e Molly (Jamie Chung) à cidade de Nova York as deixa pensando sobre um membro muito respeitado na comunidade de Iron Lake.

ANÁLISE

Já começo essa análise dizendo que Runaway é o episódio que mais fez Dexter: New Blood avançar, principalmente na sua narrativa. Ele é, também, o capítulo que traz uma quantidade considerável de acontecimentos, tornando a sua montagem um pouco bagunçada.

Aqui temos quatro arcos distintos: Dexter e sua vingança contra o traficante que colocou Harrison em perigo; Harrison tentando processar as mudanças em sua vida; Angela e sua investigação; e Kurt Caldwell (Clancy Brown) abraçando o seu Passageiro Sombrio.

Dentre todas essas apresentações, as duas únicas que não parecem convenientes ao desenrolar da história são Kurt e Dexter lidando com suas vítimas – e, claro, com as consequências dos seus atos. Tanto o desenrolar confuso de Harrison, quanto as fáceis informações obtidas por Angela deixam o episódio com um sentimento agridoce.

Agridoce porque, em primeiro lugar, toda a descoberta de Angela foi muito simples. E aqui, na hora que Marcos Siega necessita de uma abordagem mais emocional vinda da atriz Julia Jones, ela falha em conseguir prover o sentimento necessário na condução dos plots twists. Fica evidente que falta alguma coisa, e a direção de Siega peca principalmente quando tenta captar essa expressão de espanto e surpresa.

Em segundo lugar porque todas as decisões de Harrison estão atreladas a uma montagem confusa. Algumas imagens do episódio, que foram divulgadas com antecedência, mostram que outras cenas estavam previstas durante esse breakdown que Harrison teve, inclusive um encontro com Audrey (Johnny Sequoyah) antes ou depois da fuga.

A sensação que passa é que, por precisar compor um episódio com muitos acontecimentos, a equipe teve que fazer escolhas sobre quais cenas fariam o corte final. E, dentre essas escolhas, algumas delas ficaram um pouco perdidas. Um exemplo é o take de segundos em que Dexter retorna para o seu carro após a polícia chegar na casa de sua próxima vítima.

Entretanto, apesar das escorregadas, é no arco de Angela que tivemos o maior fanservice da temporada. Mesmo com todas as promessas de Clyde Phillips sobre o retorno de personagens antigos, eu nunca esperaria que tivéssemos esse retorno. Graças a aparição de Angel Batista (David Zayas), a euforia falou mais alto, e os tropeços técnicos acabaram ficando em segundo plano.

Todo o desenvolvimento de Kurt foi, também, interessante. Vimos seu método de comemoração ao “sequestrar” a vítima, chegando ao bar da cidade para ouvir a faixa Runaway (fugitivos, assim como suas vítimas). Também tivemos a confirmação que ele comete crimes uma vez por mês, o que pode ser considerado parte de seu padrão.

Ao não conseguir desenvolver seu método como gostaria, Kurt tem um colapso nervoso. Acredito que seria legal um episódio destinado apenas a desmistificar Kurt e como ele começou a cometer crimes, pois essa escolha permitiria que Clancy Brown ganhasse um destaque maior. É torcer para que Clyde Phillips nos reserve essa alegria.

Já Dexter, bem… O que dizer das decisões criativas em torno dessa vingança? Por mais fora do padrão e desequilibrado que ele esteja, há uma explicação para sua reação contra quem fez mal a Harrison. Dexter segue se sentindo culpado e sua culpa o tortura, colocando-o em situações que, racionalmente, ele não cometeria.

Entretanto, apesar de entender e achar divertido ele tentar seguir seu M.O., mas não conseguir, eu esperava que ele e Harrison tivessem se resolvido nesse episódio. Que ele tivesse criado um elo entre os dois ao contar a verdade. Com essa quebra, e a aproximação de Harrison com Kurt (podendo se tornar uma próxima vítima), o embate entre os dois serial killers parece bem próximo.

O fechamento do episódio foi outro ponto alto, apesar de ser enfraquecido com a atuação de Jones. Aquele obituário impresso nos últimos minutos de veiculação criou um clima tenso o suficiente para nos deixar na ponta da cadeira.

VEREDITO

Mesmo irregular em sua montagem e com um roteiro abarrotado de acontecimentos, Runaway consegue fazer a trama de Dexter: New Blood andar a passos largos, desenhando um final caótico e trágico para o psicopata mais amado da televisão.

Com um fanservice utilizado na hora certa, o quinto episódio arrebata pela nostalgia e empurra alguns de seus problemas técnicos para segundo plano.

3,9/5,0

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