CRÍTICA: ‘Pokémon Legends: Z-A’ é respiro narrativo que a maior franquia do mundo precisava

    Ambientados mais uma vez na brilhante Lumiose, adentramos em um novo capítulo da franquia Legends. Após Legends Arceus, Legends: Z-A nos lança por diferentes dimensões, em que Mega Pokémon podem colocar não apenas a linda cidade de Lumiose em risco, mas também o mundo todo.

    Quando chegamos à cidade, somos surpreendidos por Taunie ou Urbain (dependendo do gênero do seu personagem), que tentam transformar o negócio de ZA em um sucesso. Em Legends: Z-A, temos o retorno de diversos elementos dos games de 2013, Pokémon X e Y. O próprio ZA (que dá nome ao hotel) é um desses elementos: um homem de 3 mil anos de idade e pouco mais de 3 metros de altura.

    Pokémon Legends: Z-A

    Uma das coisas mais interessantes do game vem das Mega Evoluções, que até o lançamento do game pareciam abandonadas em Ultra Sun e Ultra Moon, em 2017. Aqui, os três iniciais são Totodile, Chikorita e Tepig, que ganharam Mega Evoluções e foram um sucesso (pelo menos antes do seu lançamento).

    Porém, quando foi revelado que os iniciais de outras gerações estariam no game, como o amado Charmander – e quase todos os outros na Wild Zone 20 -, os três iniciais de Legends Z-A acabaram sendo deixados de lado.

    Alguns elementos que fazem do game ser tão ou mais único que o próprio Arceus vão além de sua história. Além de respeitar o legado de seu antecessor, ele se embebeda em tudo que Pokémon tem de melhor: um mundo rico e dinâmicas que podem muito bem ser resumidas em apenas um mapa – neste caso, a cidade de Lumiose. Aproveito a oportunidade para agradecer à Nintendo por nos enviar uma cópia de Legends: Z-A.

    Burburinho inicial, defeitos demais, problemas dos jogadores e não do jogo

    Pokémon Legends: Z-A

    Muito do burburinho inicial do game se deu pela limitação do mapa. Como teríamos apenas Lumiose para explorar em todo o game? “Em Legends Arceus, o mapa era gigantesco, não se limitava a apenas uma cidade.”

    Jogadores de Pokémon ocasionais, e até mesmo os que não jogaram o jogo, impuseram problemas à jornada antes mesmo de ela ter início. O game, que tem em média 2,5 km², se assemelha em tamanho ao de Paris em Assassin’s Creed Unity. Um segredo aqui é como a Game Freak fez para popular o game e fazer com que ele parecesse ainda maior quando visto de dentro.

    Com um belo trabalho de verticalidade, Legends: Z-A nos permite explorar a lateral dos prédios, o topo destes e os subterrâneos da cidade. Isso sem citar os mapas da expansão “Mega Dimension”, que, graças às habilidades de Hoopa, nos permitem explorar uma realidade “espelho” da Lumiose como a conhecemos, além de encontrar Pokémon de outras regiões.

    Outro fator que foi um enorme ponto de debate próximo do lançamento do game foi a textura dos prédios, janelas e outros elementos espalhados pela cidade. Isso mesmo: quem pôde jogar o game de forma antecipada criticou algo como uma janela – elemento pelo qual você passa por umas 500 vezes indo de um ponto A ao ponto B -, ignorando todo o resto. A diversão que vi ao mergulhar na Lumiose foi como retornar aos games de origem, repletos de encantos, segredos e mecânicas que eu estava muito curioso para descobrir conforme progredisse.

    Pokémon Legends: Z-A

    É claro que o game possui alguns problemas de desenvolvimento, mas a textura de janelas não é um problema. De maneira alguma. Elementos como telas pretas, que ainda são usadas como efeitos de transição nas cenas, e a falta de dublagem em um game lançado em 2025 mostram que a Game Freak ainda ficou para trás. Mesmo sendo a dona da maior Propriedade Intelectual da história – que é Pokémon -, avaliada em US$ 150 bilhões, a desenvolvedora insiste em investir US$ 14 milhões no desenvolvimento de Legends: Z-A, cerca de 6% do valor investido em jogos AAA, como Horizon Forbidden West, The Last of Us Part II e Spider-Man 2.

    Grande parte do que é dito sobre o game cai, pelo menos na minha mente, em um problema que está nos jogadores e não no jogo.

    O cinismo de alguns jogadores e indivíduos os faz ver o game por uma ótica simplista e até mesmo burra. São jogadores que querem comparar um game do porte dos outros da franquia Pokémon com os jogos mais atuais. Mesmo que tenha tido o valor de produção de um AA, ele é vendido como um AAA. Isso talvez seja motivo de debate.

    A título de comparação, Legends, que agora ganhou um par depois de Z-A, possui um escopo não tão maior, mas parece ser mais ambicioso. Arceus nos levava para o passado, em um momento da história em que os humanos começavam a “domesticar” os Pokémon; Z-A nos ambienta ao presente do mundo, sem esquecer o que foi construído anteriormente.

    E mostra como a tecnologia pode impactar negativamente a relação entre os dois: Pokémon e humanos.

    História

    Pokémon Legends: Z-A

    Quando, em Lumiose, Pokémon insistem em Mega Evoluir sozinhos, precisamos agir a fim de entender o que está acontecendo e impedir que a cidade seja destruída no processo. O problema surge quando a Quasartico Inc. insiste em reformar Lumiose, abandonando o passado – em que Pokémon eram excluídos da relação com os humanos – e transformando áreas específicas da cidade em um lugar comum para as duas raças habitarem em harmonia. E assim nascem as Wild Zones, áreas de captura espalhadas pela cidade onde Pokémon e humanos parecem viver em paz.

    Mas o equilíbrio é perturbado quando Mega Evoluções começam a aparecer.

    Os planos da Quasartico Inc. de desocupar habitats antigos e transferir os Pokémon para novos locais estão perturbando não apenas os habitats, mas aquele mundo. Esses acontecimentos, se unidos aos de Pokémon X e Y, causam um problema ainda maior para Lumiose. Mas estes não serão citados aqui, a fim de te preservar para esta jornada.

    Além das Mega Evoluções, Legends: Z-A trouxe de volta os Pokémon Alfa: versões ainda mais poderosas e difíceis de capturar dos Pokémon que podem ser encontrados em cada uma das Wild Zones.

    Gameplay, dinâmicas e ranqueadas

    Pokémon Legends: Z-A

    As gameplays de Pokémon aqui mudam. Seu posicionamento na arena importa não apenas em nível de combate, mas, caso você tome dano o suficiente dos ataques inimigos, pode também perder a batalha mas, nestes casos, apenas ao enfrentar Mega Evoluções. Algo deixado para trás na franquia são os ataques por turno. Em Legends: Z-A, seus ataques e defesas podem ser realizados a qualquer hora, assim como o uso de itens de recuperação, como Full Restore, poções ou Revives.

    Essa implementação muda drasticamente o combate e a forma como precisamos enfrentar os inimigos. Deste modo, a gameplay se faz mais fluida do que em games anteriores e lança novos desafios ao combate. Uma mecânica incrível do game vem dos ciclos de dia e noite. Enquanto os dias são pacíficos, as noites são tomadas pelas Battle Zones, que ocupam partes da cidade.

    E elas giram em torno de uma nova inovação do game: o sistema de ranking. Isso mesmo, aqui a franquia deixou de lado líderes de ginásio e, para prosseguir, precisamos subir de nível e derrotar inimigos do mesmo ranking a fim de avançar. Começando no nível Z, precisamos chegar ao A até a missão final da história.

    Repleto de missões secundárias e missões principais ricas em detalhes e lore, Legends: Z-A apresenta o que a franquia possui de melhor e o que faz Pokémon ser o que é: o coração no lugar.

    Outro elemento que deixa os jogadores competitivos mais felizes são as partidas ranqueadas. Isso mesmo: fora do modo história, você pode usar seus Pokémon para competir em batalhas 4×4. O que vemos aqui é a evolução da semente plantada em Pokémon Black & White, X & Y e Sun & Moon. De maneira dinâmica, desde o lançamento do jogo, novas temporadas têm sido lançadas. Durando, em média, de duas a três semanas, as ranqueadas te colocam, assim como na história, no ranking Z, e depende de nós chegar até o A. Cada um dos níveis garante recompensas únicas por temporada.

    Veredito

    Pokémon Legends: Z-A trouxe um frescor que há muito faltava na franquia. Deixando de lado, por um tempo, a linha de games principal, a Game Freak pôde inovar e ver o que funciona ou não, e assim decidir o que trazer em um futuro game.

    Ao que tudo indica – ou pelo menos o tera leak mostrava -, o futuro da linha principal da franquia Pokémon mora em um lugar diferente do que vimos em Lumiose. Em um arquipélago com gráficos diferentes e inovadores, Pokémon Wind e Pokémon Wave talvez venham a fazer parte de uma geração que ficará marcada por tudo que a franquia tentou fazer até aqui.

    Com o coração no lugar, ouso dizer que Pokémon Legends: Z-A fica marcado por como nos envolve em seu mundo repleto de detalhes e charme que apenas Lumiose foi capaz de trazer mais uma vez. Surpreendendo ao nos encantar de diversas maneiras – seja ao nos permitir encontrar Pokémon de outras regiões ou ao apresentar novas Mega Evoluções -, o game nos leva por uma jornada que talvez seja a mais cativante até aqui.

    Nossa nota

    Confira o trailer do game:

    Acompanhe as lives do Feededigno no Youtube.

    Estamos na Youtube transmitindo gameplays semanais de jogos para os principais consoles e PC. Por lá, você confere conteúdos sobre lançamentos, jogos populares e games clássicos todas as semanas.

    Artigos relacionados

    CRÍTICA | Fire Emblem Fortune’s Weave: Dagdan é meu novo Lar

    Leia a crítica completa de Fire Emblem Fortune’s Weave. Descubra se o novo RPG de estratégia vale o investimento no Nintendo Switch 2 e conheça as novidades.

    O Bruxo Voltou: The Witcher 3: Wild Hunt – Remastered já está disponível com atualização gratuita

    A CD PROJEKT RED lançou oficialmente hoje The Witcher 3: Wild Hunt - Remastered, trazendo uma modernização completa para um dos RPGs mais aclamados...

    CRÍTICA| De vulcões a corridas emocionantes: As expansões de  Anno 117 Pax Romana  

    Anno 117: Pax Romana foi um dos jogos que me agradaram muito no ano de 2025 em um gênero que não costuma ser popular...

    CRÍTICA: ‘Blood of the Dawnwalker’ uma surpresa nascida da grandeza

    Blood of the Dawnwalker surgiu pra mim como uma grande surpresa. Um game no qual eu apostava muito, mas que esperava que, de alguma...