CRÍTICA: Final Fantasy Resonance é deleite narrativo e visual em HD-2D

    Poucos games da franquia Final Fantasy me prenderam como Final Fantasy VII e, subsequentemente, seu remake lançado muitos anos mais tarde. Para minha surpresa, Final Fantasy Resonance me fez mergulhar em seu mundo por pouco mais de 30 horas. Com uma história direto ao ponto, revisitamos o primeiro arco de Final Fantasy Brave Exvius, desta vez deixando de lado o fator gacha do game lançado em 2015 para celulares.

    Aqui, acompanhamos a jornada de Rain, Lasswell e Fina na tentativa de impedir que os Sworn Six destruam os cristais elementais que mantêm aquela realidade funcionando perfeitamente.

    Os Sworn Six têm um passado complicado com a história deste mundo. Setecentos anos antes de Rain, Lasswell e até mesmo Fina, os seis grandes vilões do jogo tentaram destruir tudo de uma vez por todas, mas foram impedidos pela Arquimaga. Conforme as eras se passaram, a lenda se manteve. Os Sworn Six foram há muito esquecidos, mas a lenda de que os cristais elementais devem ser mantidos em segurança permanece.

    Com um visual HD-2D encantador, o que ficou anteriormente conhecido como o arco de “Lapis” agora ganha sua versão definitiva. Em Resonance, acompanhamos Rain, Lasswell e todos os membros de sua party em viagens muito íntimas. Mas mais do que isso, retornamos às origens da franquia. Um RPG divertido, recompensador e, acima de tudo, com o coração no lugar.

    Agradeço à Square Enix por ter nos enviado a chave para produção deste conteúdo.

    História e mecânicas

    Final Fantasy Resonance

    Como o game não está localizado em português, tomei a liberdade de traduzir alguns dos títulos. Os Sworn Six, aqui, serão conhecidos como os Seis Juramentados. A jornada no tempo presente tem início quando a história de Rain e Lasswell esbarra na terrível missão do grupo inimigo. Os vilões imponentes tentam obter êxito na empreitada do passado, que consiste em destruir todos os cristais.

    Em meio a toda turbulência que a dupla irá enfrentar, eles precisam cumprir seus deveres como cavaleiros do Reino de Grandshelt. Ao longo de sua jornada, a dupla, junto de Fina, encontra amigos improváveis como Lid, Nichol, Jake e Sakura. Todos os quatro possuem um papel importante em nossa profunda imersão neste mundo, seja enfrentando os perigos que os Seis Juramentados apresentam ou até mesmo o totalitarismo de um reino cuja compreensão de avanço se dá apenas por seu desenvolvimento armamentista.

    Final Fantasy Resonance

    Com apenas quatro membros na party, nossos personagens podem carregar consigo pelo menos uma “Visão”. Essas visões oferecem aos jogadores habilidades únicas de figuras icônicas da franquia Final Fantasy, indo desde os rostos mais conhecidos, como Cloud, Tifa e Aerith, até outros menos lembrados pelo público geral, como Cecil ou mesmo o Guerreiro da Luz de Final Fantasy I.

    O ponto brilhante aqui é a nossa capacidade de combinar os mais diversos poderes elementais entre os personagens da party e suas respectivas visões.

    Outro ponto alto, é a possibilidade de coletar summons, ou melhor, espers pelo mundo do game. Fina é capaz de invocar para o combate summons clássicos como Ifrit, Shiva e muitos outros. Ouso dizer que essa variedade tática talvez tenha sido o que mais me prendeu durante a campanha.

    RPG nos moldes clássicos, dinâmicas refeitas

    Final Fantasy Resonance

    Explorar o mundo de Final Fantasy sempre teve um sabor singular em cada um de seus universos. Aqui, no mundo de Resonance, a travessia se faz feliz ao nos permitir viajar por meio de viagens rápidas por toda a extensão do mapa. A navegação montada em um Chocobo nos dá ainda mais liberdade e velocidade quando o assunto é explorar as regiões a fundo.

    Com o fim da dinâmica de gacha, existe espaço para que o jogo cresça das mais diferentes formas, e uma delas é nos oferecer um conforto maior, acabando com a antiga maneira predatória de obter as cobiçadas Visões.

    Agora, é certo dizer que cada uma das visões que desbloqueamos já nasce com o impacto e a utilidade de um ranking SS.

    Outras evoluções giram em torno da remoção de mecânicas de games mobile, como a energia diária, e de um rebalanceamento no poder dos inimigos, que quase nunca exigem grinding ou, como no passado, a necessidade de gastar dinheiro real para conseguir avançar. Estes e alguns outros ajustes fazem com que Resonance tenha uma sobrevida e um ritmo muito superiores em relação ao game original de celular.

    O visual HD-2D é um espetáculo à parte que muda ocasionalmente, especialmente quando usamos o ataque ultimate de certos personagens e visões. O poder mais forte de Cloud, por exemplo, é renderizado completamente em 3D, o que confere à experiência uma camada visual envolvente e muito dinâmica.

    Os aspectos dos RPGs tradicionais ainda estão lá, exigindo que itens como armaduras, armas e habilidades sejam escolhidos com cuidado a fim de avançar pelo mundo sem maiores problemas.

    Veredito

    Final Fantasy Resonance

    O arco da jornada de Rain, Lasswell, Fina e sua party revela algo muito singular que a Square Enix parece estar resgatando nos últimos anos. Com o avanço e o crescimento da franquia Final Fantasy, a desenvolvedora parece ter encontrado um caminho a seguir, mostrando como o futuro pode ser ainda mais brilhante do que o que vinha sendo feito no passado.

    Seja por nos entregar um épico como Final Fantasy XIV: Endwalker, provando o salto evolutivo colossal do gênero desde os tempos de Final Fantasy XI, ou por ter a ousadia de reescrever a própria história na trilogia Remake de Final Fantasy VII, a série demonstra repetidamente que a sua era de ouro não está restrita ao passado. É exatamente nesse cenário de força e reverência ao próprio legado que Final Fantasy Resonance encontra o terreno perfeito para resgatar as origens e fincar suas raízes.

    O resultado final é uma experiência obrigatória não apenas para os veteranos saudosos da era de 16 bits, mas para qualquer apreciador de boas narrativas. Ao libertar um excelente roteiro das amarras comerciais e estruturais dos smartphones, a Square Enix entregou um dos RPGs mais cativantes e mecanicamente justos de seu catálogo recente. Final Fantasy Resonance prova, em definitivo, que grandes aventuras sempre merecem ser imortalizadas nos consoles.

    Nossa nota

    Confira o trailer do game:

    Acompanhe as lives do Feededigno no Youtube.

    Estamos na Youtube transmitindo gameplays semanais de jogos para os principais consoles e PC. Por lá, você confere conteúdos sobre lançamentos, jogos populares e games clássicos todas as semanas.

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