CRÍTICA | Stupid Never Dies é comédia romântica em games

    Nem todo romance adolescente é sobre um carinha tímido lutando pela atenção da garota descolada. Às vezes, é só um zumbi bem fraquinho que se apaixona e nem sabe se tudo vai dar certo, como em Stupid Never Dies.

    O RPG de ação 3D é o título de estreia do estúdio GPTRACK50 Inc., financiado pela NetEase Games e presidido pelo ex-funcionário da Capcom Hiroyuki Kobayashi. Seu lançamento ocorreu em 21 de outubro para PlayStation 5 e computadores, via loja digital Steam.

    A história de Stupid Never Dies acontece após um apocalipse iniciado com a chegada de monstros poderosos. Neste cenário, existe Davy, o zumbi mais fraco deste mundo, que, ao consumir um estranho ovo brilhante, ganha a habilidade de absorver os poderes e as memórias de outros monstros que derrotar.

    Stupid Never Dies é um jogo divertido e descompromissado, e vemos esses dois conceitos muito bem distribuídos entre todos os elementos do jogo. Apesar disso, entrega um desafio bem interessante porque possuí elementos de roguelite, ação no formato hack and slash, e considero uma experiência bem equilibrada em sua totalidade.

    Diferentemente dos jogos atuais que buscam uma estética altamente realista, encontramos algo muito semelhante ao estilo pop punk que fez muito sucesso nos anos 2000, com muitas cores e sem seguir um padrão artístico tradicional.A utilização do cel shading sem contornos em preto evidencia isso. Assim, tudo que está em 3D no jogo ganha um aspecto muito mais caricato e psicodélico.

    Ainda nesse tópico, é muito interessante como, por meio dessa técnica, ganhando um aspecto cartunesco, próximo de um fanzine. Além disso, essa abordagem se harmoniza com o tom do enredo, pois realça o aspecto de humor e jovialidade.

    Divertido e desafiador

    A jogabilidade segue o formato de masmorra, com exploração e um foco muito maior no combate e na progressão de nível dentro da fase. A gameplay fica muito divertida quando Davy consome o núcleo de um inimigo de elite para adquirir suas habilidades.

    Ao todo, existem 11 transformações, que vão desde o Lobisomem, cujo foco é a velocidade, Golem, para resistência, até o Demônio, cujo poder é devastador. Além disso, essas mudanças não afetam apenas a forma de jogar, como também têm a utilidade de garantir passagem para locais especiais na masmorra.

    Ao fim de cada fase, o jogador perde todas as melhorias, a história avança e você segue para a masmorra seguinte. Essa progressão pode parecer entediante sob uma certa perspectiva, porque sempre voltamos ao zero.Entretanto, esse elemento diverte por permitir a exploração de cada transformação da melhor forma possível.

    Apesar de o avanço pelas fases ser um pouco repetitivo, Stupid Never Dies entrega um desafio bem satisfatório quando se trata das lutas contra os chefes. Ao final de cada dungeon, o inimigo máximo surge, e eles têm padrões de ataque próprios, proporcionando lutas emocionantes e sendo um dos pontos altos da gameplay.

    Uma comédia romântica jogável

    A narrativa é divertida porque apresenta a primeira reviravolta assim que começamos, quando descobrimos que Davy está encarando tudo isso por Julia, uma garota congelada por quem o zumbi se apaixonou. Por causa disso, uma jornada que poderia ser qualquer história de terror de sobrevivência ganha um contorno de comédia romântica ao melhor estilo Meu Namorado é um Zumbi.

    Além de todos os elementos visuais, narrativos e de jogabilidade, Stupid Never Dies também é interessante porque é possível alcançar mais de um final. Em resumo, é muito interessante jogar novamente para explorar todos os desfechos possíveis.

    Stupid Never Dies é uma experiência divertida e descontraída que, simultaneamente, consegue ser desafiadora. Sendo assim é possível considerar uma estreia muito interessante do estúdio GPTRACK50 Inc. no mercado de games.

    Nossa nota

    Confira o trailer de Stupid Never Dies:

    Acompanhe as lives do Feededigno no Youtube.

    Estamos na Youtube transmitindo gameplays semanais de jogos para os principais consoles e PC. Por lá, você confere conteúdos sobre lançamentos, jogos populares e games clássicos todas as semanas.

    Artigos relacionados

    CRÍTICA: ‘Marvel’s Wolverine’ não é tão ruim, mas não faz jus ao legado da Insomniac

    Alguns dos elementos ligados ao Wolverine podem ser extremamente interessantes, principalmente no que tange à sua longevidade e ao fato de ele já ter...

    CRÍTICA | ‘RuneScape: Dragonwilds’, sobrevivência, co-op e um novo rumo para a franquia

    Provavelmente você já jogou ou pelo menos já ouviu falar sobre RuneScape, mas como um MMORPG. Sendo que RuneScape foi lançado em 2001 e...

    CRÍTICA|  Clive Barker’s Hellraiser: Revival eleva o terror a outro nível

    Hellraiser é um clássico do terror que adapta o livro Hellbound Heart e foi um sucesso durante a década de 80. Ao longo do...

    CRÍTICA | Fire Emblem Fortune’s Weave: Dagdan é meu novo Lar

    Leia a crítica completa de Fire Emblem Fortune’s Weave. Descubra se o novo RPG de estratégia vale o investimento no Nintendo Switch 2 e conheça as novidades.