CRÍTICA: ‘Marvel’s Wolverine’ não é tão ruim, mas não faz jus ao legado da Insomniac

    Alguns dos elementos ligados ao Wolverine podem ser extremamente interessantes, principalmente no que tange à sua longevidade e ao fato de ele já ter vivido algumas vidas dentro de uma única existência. A Insomniac, em sua última empreitada, pareceu querer nos apresentar um recorte bem específico da vida do personagem, um “slice of life”, como dizem na cultura pop.

    ​Sendo bem diferente do que já vimos nas séries animadas, filmes e afins, o game do estúdio responsável por uma das melhores adaptações do Homem-Aranha nos lança em uma jornada de um Logan bastante particular.

    ​Integrando um Esquadrão X formado por Nathaniel Essex, Mística, Dentes-de-Sabre e outros, mergulhamos em um universo muito próprio.

    ​Porém, falhando em apresentar gameplay e narrativa verdadeiramente diversas, Wolverine se debruça, em quase toda a sua duração, em um combate e inimigos repetitivos ao longo de suas pouco mais de 17 horas.

    ​Gameplay e narrativa

    ​O combate de Wolverine se limita, em grande parte, à árvore de habilidades e aos poderes que ganhamos ao longo do caminho. Avançar pela jornada do game, bem como explorar cada um dos níveis, pode ser extremamente maçante e repetitivo.

    ​Um dos grandes problemas do jogo se dá pelo fato de tudo ser muito mastigado, principalmente a exploração. Apesar de o combate ser desafiador tanto nos níveis comuns quanto nos estágios de combate das “Portas do Pesadelo”, as grandes boss battles contra Sentinelas, Ômega Red e até mesmo o Dentes-de-Sabre (que, assim como em Spider-Man, mantêm os nomes originais em inglês: Omega Red e Sabretooth) são bem satisfatórias.

    ​Avançar pela história, contudo, pode ser pesaroso.

    ​Experienciei alguns bugs que me forçaram a dar um reload em diversos momentos. A necessidade de reiniciar para conseguir interagir com um item, acionar uma cutscene ou simplesmente fazer a missão progredir deixa claro que o game precisava de mais tempo de polimento antes do lançamento.

    ​Para piorar, o problema vai além do aspecto técnico: uma premissa simples e linear tira toda a emoção do que poderia vir a ser, de fato, uma grande história do personagem.

    ​Não quero parecer extremamente crítico, mas a Insomniac parece ter deixado de lado elementos que tornariam Wolverine infinitamente superior. Uma estrutura narrativa contada em várias eras, cujo mote principal culminasse nos dias atuais, por exemplo, seria incrível.

    ​Somado a isso, a presença de figuras como Jean Grey e os Morlocks parece subaproveitada, fazendo com que personagens com jornadas tão profundas soem superficiais.

    ​Marvel’s Wolverine é ruim?

    ​O game está distante de ser o desastre total propagado pela internet. Porém, longe de entregar uma experiência profunda, Wolverine pode soar maçante, tedioso e, no fim das contas, transparecer uma falta de coração no cerne de sua história.

    ​Logan, por outro lado, exibe uma dualidade muito única, característica de suas melhores versões. Ainda assim, esta interpretação em específico se distancia do padrão da cultura pop: enquanto em outras mídias o carcaju raramente dá brecha para aproximações, no game da Insomniac ele parece querer apenas ser amado e aceito por quem é.

    ​Por mais piegas que essa observação possa soar, essa parece ser a verdade da entrega.

    ​O trabalho de captura de movimentos de Liam McIntyre faz dele um bom Wolverine. Mas, como a história por si só parece ruir em momentos específicos, resgatar outros pontos positivos se torna uma tarefa difícil.

    ​Veredito

    ​Dada a sua classificação indicativa para maiores de 18 anos, era esperado que o game trouxesse tudo o que define o personagem: muito sangue, fúria e gore.

    ​Contudo, o que deveria ser divertido e variado acaba se tornando um dos aspectos mais frustrantes do jogo. A exploração, como citada anteriormente, é simplesmente jogada na tela por meio de um rastro azul.

    A habilidade de faro de Wolverine, em vez de criar uma mecânica instigante, quebra a imersão ao nos guiar por uma nuvem colorida direto até o objetivo. Isso sem falar nos itens colecionáveis espalhados pelos cenários, quase sempre destacados à distância no mapa.

    ​Os níveis até tentam simular áreas de exploração no estilo “Open bairro”, mas não passam disso. Ainda que desanimadora, essa movimentação vertical e horizontal é prejudicada pela falta de esmero dos desenvolvedores, que falham em instigar no jogador a vontade de vasculhar os cenários.

    ​À medida que prosseguimos, quando a árvore de habilidades de Logan já está praticamente completa, o game deixa de ser desafiador ou recompensador. A Insomniac entrega tudo fácil demais, presenteando o jogador com habilidades extremamente apelativas que transformam Logan no Deus Ex da própria história: a solução imediata para todos os problemas que a própria jornada tentou criar.

    ​No final das contas, Marvel’s Wolverine não chega a ser um desastre completo, mas passa longe do padrão de excelência que consagrou a Insomniac na indústria. É um título mediano que diverte em combates pontuais e na caracterização do seu protagonista, mas tropeça em um game design datado, na exploração engessada e no ritmo truncado.

    Para os fãs mais fervorosos do carcaju, vale a jogatina em uma boa promoção; para quem esperava o mesmo patamar de Spider-Man, fica o gosto amargo de um potencial que claramente não foi atingido.

    Nossa nota

    Confira o trailer do game:

    Acompanhe as lives do Feededigno no Youtube.

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