CRÍTICA – ‘Resident Evil Requiem’ uma carta de amor escrita em sangue

    Requiem é uma palavra cujo significado é uma prece feita aos mortos para um descanso. Ao longo do tempo foi utilizada na música como a composição em dó menor de Mozart, no cinema como em Réquiem Para um Sonho (2000). Em 2026 vemos essa palavra se conectar a uma das franquias mais famosas dos games com Resident Evil: Requiem

    O jogo desenvolvido pela Capcom foi um dos indicados na categoria de Jogo Mais Aguardado da última edição do The Game Awards. Essa espera acabou no dia 27 de fevereiro com seu lançamento ocorrendo para todas as plataformas de nova geração.

    A história do nono título da franquia Resident Evil é sobre a agente do FBI Grace filha de Alyssa Ashcroft, uma das protagonistas de Resident Evil Oubreak e File 2. Durante seu trabalho investiga uma série de mortes relacionadas a uma doença misteriosa e o assassinato da própria mãe. Por outro lado, o agora agente da DSO Leon Kenedy também segue as mesmas pistas procurando não apenas a solução desse enigma como para uma questão particular. 

    Acredito que Resident Evil Requiem é uma combinação entre uma experiência de um videogame com muitas camadas de um bom filme de terror e isso torna este capítulo um dos grandes dessa franquia histórica.

    Esse lado mais cinematográfico não é pela questão visual que realmente é muito bonita, mas nuances na jogabilidade como é no caso da Grace. Pela primeira vez em muito tempo temos uma protagonista que tem medo, refletindo em suas ações no jogo com o tremor das mãos ao mirar sua arma, enquanto corre ou seu gestual hipervigil.

    Isso leva a imersão, cria tensão e a nível de narrativa fica mais interessante por ser uma final girl que enfrentar o horror apesar do que sente. Esse aspecto é muito interessante porque inconscientemente isso vai nos engajar em avançar na história que melhora a cada capítulo.

    Resident Evil: Requiem e a culpa dos seus protagonistas 

    Ainda sobre enredo o que mais pude refletir sobre os protagonistas, até mesmo os vilões, é como esses personagens estão se relacionando com a culpa. Nesse ponto, evitando spoilers, quem chama muito à atenção é o Leon quando retorna ao cenário do horror que moldou o seu futuro. 

    Chegar à delegacia, encontrar o local bem conservado por si é nostálgico pelo tempo que passamos resolvendo puzzles, realizando descobertas e conhecendo personagens corajosos. Entretanto, ganha outra profundidade quando vemos o Leon explorando, se desculpando com mesas vazias e pessoas que ele não conseguiu ajudar.

    Veremos isso também acontecer com a Grace, suas descobertas e até com Victor Gideon sendo esse caso algo conectado a acontecimentos muito maiores na trama. Acredito que esse é o jogo de Resident Evil que melhor aproveitou a profundidade de seus personagens para enriquecer a história. 

    Em Primeira ou Terceira Pessoa, uma jogabilidade ótima

    Se tratando de jogabilidade é uma combinação de algumas mecânicas encontradas em capítulos anteriores e, para a minha surpresa, funcionam de uma forma bem harmoniosa. 

    A primeira que temos de início é escolher a visualização em primeira ou terceira pessoa para Leon e Grace. Mas o que agrada é a possibilidade de usar uma perspectiva para ambos os personagens ou configurar individualmente. Resident Evil sempre usou apenas um campo de visão em seus jogos e poder optar é muito agradável para a experiência se moldar ao usuário. 

    O combate é bem divertido, segue o que já conhecemos na utilização de armas, cura e a novidade é a janela de aparagem. Com Leon, podemos aparar de infectados com seu machado, sendo importante afiar o objeto que também se torna uma ótima arma corpo a corpo. 

    Enquanto com o ex-policial da R.P.D. temos mais ação, com Grace a vivência é puramente terror, algo mais furtivo e escolhendo seus confrontos com cuidado. Neste ponto temos uma mecânica muito semelhante ao primeiro título da franquia que, além dos confrontos, temos pouco espaço de inventário e salvamento limitado às fitas de tinta. 

    A experiência de descobrir os mistérios é excelente porque sempre remete a um jogo anterior como, por exemplo, realizar quebra-cabeças para recolher cristais que abrem uma porta igual nos primeiros capítulos da franquia. Apesar de ter puzzles divertidos, ainda carece de algum desafio mais elaborado, mas consegue ser divertido.

    Um final não tão alternativo

    O que não me agradou tanto foi o conceito de realizar dois finais porque ao seguir para a conclusão alternativa soa mais como uma falha na missão do que uma escolha que gera uma consequência. Entretanto, os acontecimentos no desfecho da história são muito satisfatórios.

    Resident Evil: Requiem definitivamente é um dos grandes jogos de 2026 porque abraça a nostalgia de forma diferente, em jogabilidade que explora tudo que a desenvolvedora já criou e uma história que consegue contar sobre mundo e seus personagens de forma bem coesa. 

    Nossa nota

    Confira o trailer de Resident Evil: Requiem

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