CRÍTICA: Duskfade é nostálgico e divertidamente moderno

    Duskfade me cativou desde o momento em que vi o game pela primeira vez nos trailers. Além disso, pude jogá-lo por cerca de duas semanas e tive ótimos momentos de gameplay.

    Achei o game nostálgico, mas na medida certa: tem aquele charme da época de ouro dos mascotes de plataforma 3D no PlayStation e PlayStation 2, mas com a modernidade esperada hoje nas movimentações, no combate, nas seções de plataforma e etc.

    Durante toda a minha experiência, senti diversas inspirações, mas elas não ofuscam a identidade do game. Explicar isso é difícil, mas é o seguinte: se tirarmos as referências, o jogo se sustenta por si só, sabe?

    Ele me chamou a atenção por lembrar Kingdom Hearts, mas percebi que a semelhança está muito mais no estilo artístico, nos personagens e em alguns efeitos sonoros (como quando derrotamos os inimigos, o que me lembra os sons de quando derrotamos os Heartless).

    Já no gameplay, verdadeiramente, o jogo me lembrou mais Ratchet & Clank, Spyro, Jak and Daxter e outros títulos similares de suas épocas.

    Dito isso, o melhor elogio para Duskfade é o óbvio, que muitos também já concluíram: ele consegue homenagear os jogos nos quais se inspira, mas sem depender deles.

    O game foi desenvolvido pela Weird Beluga e publicado pela Fireshine Games, sendo lançado no dia 13 de agosto de 2026 para PC, PS5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2.

    Agradecemos às empresas pelo envio da chave de Switch 2 para a criação deste conteúdo.

    No game, temos PT-BR nas legendas e na interface. O seu valor está por volta de R$ 85, o que mostra o quanto jogos indies se destacam muito mais do que títulos AAA mais caros, que mal trazem legendas no nosso idioma.

    Vamos falar sobre a sua história

    Duskfade

    Em Duskfade, controlamos o personagem Zirian, um jovem que perdeu recentemente o avô que o criou ao lado de sua irmã, Allira.

    Depois de um acidente que destruiu parte do lar deles, Zirian acaba encontrando a espada de seu avô, chamada Minuteira. Essa será a nossa arma durante toda a jornada.

    Logo após o encontro com a espada e os primeiros tutoriais de movimento, Zirian descobre que toda a cidade está em alerta e parcialmente destruída, já que uma enorme torre de relógio surgiu no meio dela. E lá dentro, Allira foi aprisionada.

    Descobrimos um personagem novo em meio a isso tudo: Cuco, um cuco mecânico de relógio que estava sendo construído por Allira e que decide nos acompanhar para resgatarmos a nossa irmã e descobrirmos como tirar aquela torre do meio da cidade.

    Comecei a ver a jornada de forma bem diferente conforme fui avançando, mas não quero entrar em grandes spoilers.

    Os gráficos em estilo cartoon, que me lembram filmes da Pixar, são lindos. Porém, além disso, o jogo também fala sobre perda, desentendimentos, raiva, angústia, fúria, solidão e muito mais. É uma história que cativa e trata com carinho de assuntos difíceis.

    Mesmo assim, o jogo consegue sustentar o estilo cartoon alegre, vibrante e cheio de cor. Somado às músicas, de que gostei bastante, tudo parece saber comunicar esses assuntos complexos de uma forma carinhosa e acessível de se compreender.

    Movimentação e Combate

    Duskfade

    Uma coisa que me surpreendeu foi toda a movimentação do game, não apenas no combate, mas na exploração também.

    Zirian se movimenta rapidamente, de forma satisfatória e cheio de habilidades diferentes para avançarmos. Também vamos descobrindo novos movimentos ao longo da jornada para tornar tudo isso ainda melhor.

    Desde o começo, já temos pulo duplo, dash e até mesmo ataque no ar, mas, avançando, teremos gancho, acharemos um escudo que desliza pelos trilhos e muitos outros movimentos já conhecidos (que de longe podem até soar como um “eu já vi isso antes”, mas não pense nisso como algo negativo).

    São mecânicas que já conhecemos, sim, mas que podemos executar aqui de uma forma muito boa. Tudo foi bem implementado; é muito bom pular de plataforma em plataforma, descobrir uma nova habilidade e poder usá-la no combate e na busca pelos colecionáveis.

    Um exemplo bobo que me veio à mente são jogos que também têm isso, mas implementam de formas horríveis. Por exemplo, voar por aros em Star Fox é algo muito legal (ainda mais na versão de 2026), mas voar por aros no tenebroso jogo do Superman de Nintendo 64 não passa nem perto da mesma satisfação.

    Duskfade está entre os bons jogos que executam as mecânicas de que mais gostamos de forma criativa e divertida. Cada mapa tem um estilo temático, e isso também se reflete nos desafios de cada um deles.

    E os chefes são muito bons! Todos são criativos e testam o que aprendemos até aquele momento. Eu já queria um modo só para ficar revisitando os bosses em sequência. Seria incrível!

    Duskfade

    E só para finalizar sobre a movimentação de Duskfade: é divertido poder voltar aos mapas quando desbloqueamos tudo, já que podemos finalmente chegar a lugares em que antes nos faltava alguma habilidade para acessar.

    O bom é que, ao fazermos isso, conseguimos novos colecionáveis que são muito legais de buscar. Com isso, obtemos itens para habilitar melhorias e novos movimentos relacionados aos ataques do nosso personagem, mas também encontramos colecionáveis voltados para a coleção de cards e personalização de aparência.

    Zirian me lembra o protagonista do filme O Planeta do Tesouro com o estilo do seu cabelo, as falas e até a parte de sair por aí no escudo como se fosse um skate, mas basta uma skin e a sua aparência muda.

    Acabei terminando o jogo com o Zirian de cabelo rosa e espada verde fluorescente, mas algumas outras skins podem mudá-lo bastante e até lembrar as roupas de outros personagens amados, como Sora.

    O personagem que nos permite trocar de roupas chega a ter uma frase sobre “sapatos amarelos grandes demais”. Adoro essas pequenas referências e brincadeiras no jogo.

    Ao todo, a aventura tem cerca de 10 a 15 horas de duração, dependendo do seu ritmo e da sua dedicação em ir atrás dos itens extras.

    No meu caso, joguei por volta de 20 horas na dificuldade média, que é a experiência que os desenvolvedores pensaram para o jogo, e gostei bastante dessa seleção.

    Não achei o jogo superfácil (embora exista a dificuldade de história para quem preferir), então encontrei desafios e a medida foi certeira para mim, mas acabei jogando as 20 horas em busca de outros itens para completar mais o game.

    Conclusão

    Vale a pena? Eu acho que valeu cada segundo da minha experiência, mas eu preciso que você mesmo responda a isso antes de efetuar a sua compra.

    O combate de Duskfade é divertido e lembra o estilo físico de Kingdom Hearts, mas passa longe do estilo de magia, com foco em RPG, builds específicas para chefes diferentes e itens consumíveis. Aqui, temos uma poção no começo do jogo e poderemos carregar mais depois; da mesma forma, começamos com um combo básico e podemos dar uma pequena melhorada nele comprando novos movimentos, mas passa longe de builds ramificadas. Por isso, não jogue esperando um clone de Kingdom Hearts, como já vi outras pessoas afirmarem.

    Ele vai para um lado mais próximo do estilo de Ratchet & Clank, Spyro e outros que têm um elemento ou outro dos jogos de plataforma 3D. Talvez te lembre, vez ou outra, da movimentação do Link em alguns títulos 3D de Zelda.

    Duskfade é divertido, acessível e uma aventura bem marcante que deve estar no seu radar se você tem um gosto que abrange tudo ou quase tudo o que foi citado por aqui.

    Nossa nota

    Confira o trailer:

    Acompanhe as lives do Feededigno no Youtube.

    Estamos na Youtube transmitindo gameplays semanais de jogos para os principais consoles e PC. Por lá, você confere conteúdos sobre lançamentos, jogos populares e games clássicos todas as semanas.

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