O seriado Entrevista com o Vampiro foi em suas duas primeiras temporadas uma narrativa sobre Louis, a relação com seu criador e aspectos de sua imortalidade. Porém, em julho de 2026, a adaptação de As Crônicas Vampirescas, universo literário criado por Anne Rice, irá contar essa história através do ponto de vista de Lestat em sua nova temporada.
O terceiro ano do seriado tem um novo título, agora chamando-se O Vampiro Lestat, adaptando o livro homônimo. No elenco todos retornam e a adição de Sheila Atim como Akasha, Sarah Afful sendo Merrick Mayfair e Jennifer Ehle a vampira Gabriela.
A história desta temporada segue os passos da jornada ao estrelato de Lestat como um astro do Rock formando uma banda de humanos. Realizando uma turnê com uma repertório que gera a curiosidade em humanos e irritação a vampiros, continua sua jornada, agora sendo o contador da narrativa.
A nova temporada do universo de Anne Rice tem uma nova casa, agora exibida no serviço de streaming Netflix, ganhando uma popularidade que até então não havia ocorrido.
Um novo título: Um detalhe tão pequeno que chega a ser insignificante
Esta nova leva de episódios mantém a qualidade técnica que foi demonstrada desde o seu início. Um elenco excelente consegue contar uma boa história e sem recorrer a recursos tecnológicos excessivos para um orçamento de um filme de grande porte.
Neste aspecto a série continua recorrendo a simplicidade, explorando fortemente os efeitos práticos, cenografia, locações e pouquíssimos elementos digitais. Isso é interessante porque, ao longo do tempo, estes episódios podem não parecer datados ou causar um estranhamento no futuro.
Como citado anteriormente, o ponto forte desta adaptação está no elenco e a dupla Jacob Anderson e Sam Reid continua ótima em tela. Outros atores como Assad Zaman, Eric Bogosian também são, como também é a participação de Sheila Atim causando um impacto na condução da narrativa.
Elementos mais técnicos como montagem, figurino e roteiro apostam na exploração da subjetividade do personagem central da temporada.

Long Face não é sobre chupar um p@#%!
Todo o episódio remete a um video clip com estética glam rock, a não linearidade no contar dos acontecimentos. Isso acaba simbolizando um mergulho na percepção de Lestat sobre tudo ser grande espetáculo, algo diferente da perspectiva mais melancólica e intimista dos anos anteriores.
A trilha sonora é um outro destaque porque existia uma grande expectativa em relação a isso devido ao filme “A Rainha dos Condenados”. Entretanto, já somos hipnotizados ao surgir a primeira melodia durante a abertura, dando o tom do que irá acontecer ao longo dos próximos episódios.

O que faziam os vampiros antes de existirem psicólogos?
O que faz Lestat de Lioncourt um personagem tão sedutor reside justamente na complexidade de sua existência tanto humana quanto imortal. A série adapta isso de forma brilhante porque podemos entender que este vampiro descrito nas memórias de Louis é exatamente assim, porém com muito mais profundidade.
Os sete episódios exploram entre passado e presente a vida do personagem, mostrando uma vivência onde dinâmicas de abuso resultam em um complexo de Édipo mal resolvido. Além disso, pode-se pensar utilizando outros pontos como a teoria do agressor de Sándor Ferenczi, onde o trauma de infância por uma figura de autoridade desenvolve mecanismos de defesas extremos, formando assim essa persona externa vaidosa, teatral e autoconfiante.
No seriado isso se torna interessante porque fica claro, tanto quanto no livro, que sua ações como, por exemplo, criar semelhantes ou despertar um dos seres mais poderosos deste universo. Isso pode ser observado como a sua incapacidade de ficar sozinho.
Entretanto, a complexidade de personagens não se limita apenas a Lestat, como também a Louis. Os ciclos da perda de seu irmão Paul, Claúdia o levaram a melancolia e ao luto, retraindo-se em sua dor. Ao longo das três temporadas é possível observar sua reação a este sofrimento.
Pensando apenas nestes dois personagens, é possível compreender que a obra de Anne Rice, assim como sua adaptação, nos entregam personagens que não apenas se limitam a dualidade de bem ou mal. Em Crônicas Vampirescas vemos a complexidade humana, suas dores, medos e maturidade através da lente superlativa da vida eterna.

Ela é a resposta!
Ao longo desta temporada tivemos a chegada ou retorno de alguns personagens que são relevantes no universo dos imortais como Merrick Mayfair, Raglan James o ladrão de corpos, porém a presença mais impactante é o primeiro vislumbre de Akasha.
Apesar de ser uma pequena passagem é impressionante o impacto da rainha de todos os vampiros, sua afeição a Lestat e um pequeno vislumbre de suas convicções sendo um dos momentos impressionantes da história.
A terceira temporada do universo de Anne Rice, O Vampiro Lestat, exibe linearidade qualitativa, personagens complexos e uma produção que se destaca como um dos melhores lançamentos ocidentais deste ano.
Nossa Nota
Confiram o trailer de O Vampiro Lestat:
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