Blood of the Dawnwalker surgiu pra mim como uma grande surpresa. Um game no qual eu apostava muito, mas que esperava que, de alguma forma, fosse me decepcionar. Para minha alegria, eu não poderia estar mais errado. Desenvolvido pelo estúdio Rebel Wolves, liderado pelo game director de The Witcher 3, Konrad Tomaszkiewicz, e uma grande equipe, temos aqui um exemplo de que algo único pode surgir de um estúdio independente.
Com belíssimas cutscenes e um trabalho de design absurdo (como visto em The Witcher 3), somos lançados na história de Coen, o jovem habitante de Laslea que tem sua vida virada de ponta-cabeça quando os Vrakhiri passam a habitar o Vale Sangora.
Governando impiedosamente o Vale, os Vrakhiri (vampiros poderosos), liderados por Brencis, partem de um pressuposto simples: eles vão acabar com as doenças e a violência de seu mais novo “feudo” se todos concordarem com seu governo. Mas uma simples oposição pode colocá-los em rota de colisão com qualquer revoltoso.
Ambientado, de maneira macro, em uma região da Romênia pouco conhecida, o game parece se aproveitar da geografia para chafurdar na lore do lugar. E nada melhor do que falar de vampiros no local de “nascimento” do Drácula.
A Corte de Brencis é poderosa e governa o Vale Sangora com garras de ferro. Os Boiardos, o círculo de confiança formado pelos tenentes de Brencis, são compostos por Ambrus, Bakir e Xanthe.
Temos aqui uma espécie de sistema Nemesis, algo parecido com o que foi visto na franquia Sombras (de O Senhor dos Anéis). Mas, em vez de linhas e mais linhas de vilões a derrotar, aqui temos 3 para chegar até Brencis.
A mecânica do tempo e o que torna o game singular

Com muitos sistemas, The Blood of Dawnwalker brilha quando o assunto é se destacar de alguma forma. Seja chafurdando em elementos do folclore regional ou indo além, testemunhamos aqui algo verdadeiramente único.
É claro que o sistema de progressão de tempo não é algo inventado aqui. Esse mesmo sistema pôde ser visto na série Persona, Metaphor: ReFantazio, Pathfinder, Fire Emblem e outros.
Mas a junção de sistemas e mecânicas aliada a esta do tempo faz de Blood of the Dawnwalker um jogo verdadeiramente singular.
A missão de Coen e o peso dos 30 dias

A jornada de Blood of the Dawnwalker se resume na missão de Coen: salvar sua família dentro de 30 dias na história. Só tem um probleminha…
Cada atividade, exploração, missão principal ou secundária te faz gastar tempo. Algumas atividades te fazem gastar mais tempo do que outras.
Após a família de Coen ser feita refém e ele ser transformado em vampiro, ele jura se vingar de Brencis e resgatar todos eles.
Em sua jornada, Coen ganha mais habilidades do que pensamos em um primeiro momento. Com habilidades de bruxaria, nossa gameplay ganha ainda mais profundidade. De dia, lutamos, avançamos e exploramos como bruxos. À noite, nos transformamos em lobo e cruzamos o mapa derrotando hordas e mais hordas de inimigos. E ao lado de aliados inesperados, ganhamos cada vez mais força e a história, ainda mais profundidade.
Ciclos de dia e noite, rejogabilidade e veredito

Os ciclos de dia e de noite dão um equilíbrio único ao game, de modo que tanto a navegação pelo mapa quanto os combates são marcados pelas diferentes formas de jogar. O combate com espadas se faz crucial na jogabilidade durante o dia. Portanto, é necessário compreender as deixas dos inimigos, bem como as dicas visuais de defesa/parry, tornando o confronto muito mais desafiador de dia do que à noite.
Durante o dia, Coen pode utilizar sua espada e magias a fim de infligir dano aos inimigos. Já à noite, as habilidades vampirescas e os ataques vorazes fazem dele uma ameaça implacável contra o exército de Brencis.
A jogabilidade aqui é fluida, e os gráficos nos apresentam um visual relativamente semelhante ao de The Witcher 3, bem como a interface. Um menu radial de habilidades, acesso rápido a itens de cura e melhorias de status o fazem se assemelhar ao game anterior de Konrad. Mas ouso dizer que estas semelhanças se encerram aqui.
Com cerca de 7 finais diferentes, Blood of the Dawnwalker propicia aos jogadores uma imersão profunda no que diz respeito à sua narrativa.

Como o principal elemento do game é a mecânica do tempo, escolher cada uma das missões a realizar (e até mesmo quais habilidades comprar) faz com que o game seja diverso para cada um dos jogadores.
Com missões espalhadas pelo mapa e tempo limitado, a minha jornada não vai se assemelhar à de 70% dos jogadores, que podem optar por enfrentar os Boiardos em momentos diferentes (procurando-os pelo mapa em um confronto mais direto) ou ir completando missões a fim de enfrentá-los caso sua infâmia, em algum momento, os incomode.
Blood of the Dawnwalker talvez seja a minha maior surpresa de 2026 até aqui. Reencontrar criaturas tenebrosas, como fizemos anteriormente em The Witcher 3, faz desta aventura uma das mais desafiadoras e ouso dizer que me causa um certo FOMO.

Mesmo sendo capaz de entender que nem tudo pode ser feito em apenas uma run, Blood of The Dawnwalker entrega uma experiência altamente satisfatória no que diz respeito à forma como conta sua história e amarra seus inúmeros enredos. Seja mergulhando no lado mais sombrio da recente transformação de Coen, ou compreendendo que sua transformação o faz ser mais humano do que antes, o game nos lança por uma terra tomada pelas garras de ferro de um poderoso “Senhor Feudal”. E, no fim das contas, nos faz questionar: devo salvar as pessoas do reino, ou a família de Coen?
Caso você ainda não tenha jogado, talvez este pensamento nem passe pela sua cabeça. Ele durou pouco mais de dois segundos antes de eu decidir fazer apenas o que era possível fazer e partir para a quest principal.
A Rebel Wolves acerta ao criar um game ambicioso com o coração no lugar e faz nossos olhos brilhar a todo momento, a quase todas as missões, sejam elas difíceis como enfrentar Brencis e seu exército, ou as mais fáceis como ter uma simples aula de latim.

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