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CRÍTICA | Demon Slayer – Mugen Train: O Filme (2021, Haruo Sotozaki)

CRÍTICA | Demon Slayer - Mugen Train: O Filme (2021, Haruo Sotozaki)

O filme do anime que fez um enorme sucesso no mundo inteiro, finalmente chega no Brasil. Demon Slayer – Mugen Train (Trem Infinito) alcançou a maior bilheteria da história dos cinemas japoneses com receita de mais de R$ 1,9 bilhão.

Nos Estados Unidos, o filme já arrecadou mais de 100 milhões de dólares, se tornando a melhor estreia para um filme de língua estrangeira na história do país. Esse reconhecimento tem dois nomes por trás, o diretor Haruo Sotozaki e o estúdio Ufotable, que juntos estão fazendo um incrível trabalho com Demon Slayer.

SINOPSE

Tanjiro (Natsuki Hanae), Nezuko (Akari Kito), Zenitsu (Hiro Shimoto) e Inosuke (Yoshitsugu Matsuoka) são enviados para ajudar o Hashira das Chamas, Kyojuro Rengoku (Rikiya Koyama), em sua investigação de um trem onde pessoas estão desaparecendo durante o trajeto. Nessa viagem, o grupo de Caçadores de Demônio encontram Enmu (Daisuke Hirakawa), o Lua Inferior 1 do Rei Demônio Muzan, que pretende matar o grupo e todos os 200 passageiros do trem.

ANÁLISE

É fato que Demon Slayer caminha para ser um dos animes mais memoráveis da história, sua narrativa mistura os elementos de shonen a um clima mais sério e atraente. Longe e ao mesmo tempo perto dos grandes sucessos de animes, como Naruto, o título do estúdio Ufotable prova que consegue fugir dos clichês sem perder sua magnitude.

Isso se dá, em parte, a sua perspicácia em situar a história do anime no período Taisho no Japão. O que somado a um protagonista extremamente carismático e uma trama que exacerba sentimentalismo, cria uma obra madura, intrigante e acima de tudo, divertida.

Mas, para falar necessariamente do filme de Demon Slayer é preciso salientar que o principal problema do longa é não abranger quem não viu o anime. Isso porque, Trem Infinito é uma continuação direta dos últimos acontecimentos do anime que foi ao ar em 2019 e está disponível na Netflix.

E se na primeira temporada vemos todo o arco de Tanjiro, que busca ser um Demon Slayer para salvar sua irmã. No longa, temos nosso protagonista se colocando à prova e descobrindo que ainda precisará percorrer um longo caminho para alcançar seus objetivos.

Ainda que todo esse papo de superação faça parte dos animes shonen, é interessante como o diretor usa justamente o filme para alavancar o personagem principal. Mais do que isso, em Trem Infinito, é a primeira vez que Tanjiro contempla o que de fato aconteceu com sua família e entende que precisa superar essa perda por seus amigos e irmã, mas principalmente, por si próprio.

Além disso, o filme adapta um arco pequeno no mangá que não ganharia muitos episódios na série, mas serve perfeitamente para um filme. A proposta de aprofundar um personagem que ganhou bastante notoriedade no anime é realmente muito boa. Logo, a partir do momento que conhecemos as motivações e vida de Kyojuro Rengoku, o personagem ganha peso e se torna importante para o espectador, tal como é para Tanjiro.

Consequentemente, Demon Slayer continua a surpreender com sua incrível animação que consegue criar ótimos cenários e cenas de luta em 2D. Porém, o CGI no vilão Enmu parece desconexo com todo o visual da animação e em certos momentos, como a cena dos tentáculos dentro do trem, perde sua significância.

Contudo, não é o CGI, no mínimo estranho, que carrega todos os pontos negativos do longa. Quem acompanha o anime sabe que os vilões de Demon Slayer são realmente célebres, seja o demônio que manipula a casa ou o que tem habilidades de aranha, todos parecem um oponente mais poderoso que Tanjiro.

O que não é sentido aqui em Trem Infinito, é que Enmu não tem o mesmo efeito que seus colegas no anime e para piorar, parece bem menos interessante. Mas esse detalhe não estraga o longa por completo, já que consegue superar suas barreiras e entregar uma obra que ganha por seus discursos poderosos de superação, amizade e perda.

O conceito de limitar o longa a um único lugar e fazer com os que os personagens se movam a partir disso, cria uma sensação de urgência, o conflito está no aqui e agora. Dessa forma, o diretor consegue trabalhar muito bem os personagens e também aproveitar cada espaço do ambiente.

Nesse sentido, Demon Slayer – Mugen Train é um longa espirituoso que evoca toda comoção do anime e de sobra, desenvolve personagens. Por fim, vemos um Tanjiro transformado por suas dores querendo se provar cada vez melhor para proteger aqueles que ama. Logo, um longa essencial para essa saga que ainda promete e muito.

VEREDITO

Poucos são os pontos negativos de Demon Slayer – Mugen Train, apesar do CGI que beira o vale da estranheza, o longa é divertido, emocionante e belo. De forma a encantar o espectador com personagens interessantes e carismáticos, criando discursos valorosos para a trama.

Nossa nota

4,5 / 5,0

Assista ao trailer legendado:

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Jornalista em formação e apaixonada pela sétima arte. Representatividade e movimentos sociais através do cinema é fundamental. Apreciadora de livros, animes e joguinhos de ps4 nas horas vagas. The final girl.