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CRÍTICA – Yasuke (2021, Netflix)

Yasuke é a nova animação da Netflix que estreia no dia 29 de abril. Criada por LeSean Thomas e animada pelo estúdio de animação japonês MAPPA (Attack on Titan). A série é estrelada por LaKeith Stanfield (Atlanta) que também é o produtor.

SINOPSE

Em um Japão feudal do século 16 de realidade alternativa, um guerreiro chamado Yasuke (LaKeith Stanfield) testemunhou a queda do daimiô, Oda Nobunaga.

Vinte anos depois, Yasuke coloca seu passado histórico conhecido como o “Samurai Negro” para trás e se aposenta como um barqueiro chamado Yassan em uma aldeia remota. Ele se vê obrigado a voltar à ação quando recebe a missão de transportar e cuidar de uma criança que está sendo ameaçada por forças obscuras que querem eliminá-la.

ANÁLISE

Em 1579, um homem negro de 1,8 metro de altura conhecido como Yasuke chegou ao Japão, chamando rapidamente a atenção do lendário líder Oda Nobunaga. Yasuke era de Moçambique e foi trazido ao país oriental por jesuítas. Logo, se tornou o primeiro e mais lembrado samurai estrangeiro.

Registros históricos sobre Yasuke são difíceis de encontrar, mas sabe se que o Samurai Negro, como era chamado, virou amigo e guerreiro leal de Nobunaga. Porém, com a guerra, Nobunaga foi traído e cometeu seppuku – suicídio por honra. Embora Yasuke estivesse lá na época, não existem relatos do que aconteceu depois com ele.

A animação da Netflix sobre o Samurai Negro parte desse princípio, mostrando a relação profunda de amizade que Yasuke e Nobunaga tinham. Contudo, isso não é o principal, já que a produção opta por uma realidade diferente introduzindo o personagem real a um mundo fantástico.

De imediato, Yasuke não se encaixa em um mundo de robôs e magias. O personagem parece muito mais real do que está em sua volta, o que é preocupante ao longo dos seis episódios da série. Isso porque, a animação de LeSean Thomas parece não querer explicar seus elementos fantásticos, eles apenas existem em uma época feudal e pronto.

Logo, é confuso e por vezes cansativo que a série tente vender ao espectador tantos feiticeiros, monstros, demônios, mekas e robôs que parecem invadirem as florestas do Japão, enquanto a história por si só de Yasuke como um samurai no clã de Nobunaga serviria como uma incrível premissa.

Além disso, Yasuke sendo um homem negro é tratado como incomum em meio ao mundo oriental, porém, os elementos fantásticos e de ficção científica são vistos como normais. O que torna ainda mais complicado aceitar tais implementações, visto que é confuso que a animação busque fazer uma correlação entre tais fatos.

Ainda assim, a série vai além disso, apresentando um grupo de mercenários de diferentes etnias que tratam Yasuke de forma brusca por ser um samurai. Mas, de fato, os próprios japoneses com os quais Yasuke vive parecem não terem problema com sua presença. Essa normalidade explica a relação de confiança e amizade que Yasuke desenvolve com a jovem Saki (Maya Tanida), uma menina com um poder imenso que samurai precisa proteger e ajudar.

A relação entre ambos é um dos poucos momentos que valem realmente a pena na animação e já que a produção opta por apresentar uma história totalmente nova, seria interessante ver mais da jornada dos dois. Vale ainda ressaltar que tantas mudanças de vilões, que aparecem e morrem em um piscar de olhos, torna a trama um pouco vazia sem apresentar um inimigo à altura do protagonista.

Já no que diz respeito às técnicas de animação, a Netflix ainda precisa aprender a trabalhar o 2D atrelado ao 3D. O design do próprio Yasuke é simples, mas bem feito, invocando sua presença. As lutas entre os samurais são o que mais chama a atenção no quesito ação. Visto que, infelizmente, ao apelar para o conflito entre robôs gigantes, o impacto da série Yasuke é perdido.

VEREDITO


A nova animação da Netflix chamada Yasuke é uma ótima introdução a uma das lendas do Japão feudal, o Samurai Negro. Porém, a série deixa um pouco a desejar ao introduzir elementos demais em uma história que por si só já seria fantástica.

Nossa nota

2,0 / 5,0

Confira o trailer de Yasuke:

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