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CRÍTICA – A Cor que Caiu do Céu (2019, Richard Stanley)

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A Cor que caiu do Céu

A Oeste de Arkham, as colinas se erguem virgens, e há vales profundos em que o machado jamais penetrou. Existem ravinas estreitas e escuras, onde as árvores assumem posturas fantásticas e correm pequenos regatos que jamais refletiram a luz do sol.” – A Cor que Caiu do Céu, 1927

Uma das maiores dificuldades em adaptar as obras de H.P. Lovecraft para o cinema, é ter que dar forma ao que é descrito como inominável, e inimaginável por meras mentes humanas. A Cor que Caiu do Céu se mostra catártico, gore e nos envolve com ambientes que tangem desde a nossa mente, e até mesmo tudo que nos rodeia.

Os contos escritos por H.P. Lovecraft têm o dom de permear a mente de seus leitores por muito tempo, tornando instantaneamente fã qualquer um que leia um dos contos do escritor americano. A Cor que Caiu do Céu foi escrito em Março de 1927 e ganhou mais uma adaptação para as telonas em 2020 – tendo sido adaptado anteriormente em 1965, 1987, 2008 e 2010.

A Cor que caiu do Céu

O filme nos apresenta rapidamente o fictício condado de Arkham, assim como a família Gardener, cuja fazenda nos limites da cidade tenta prosperar após uma tragédia repentina atingir a família. Sem sermos profundamente introduzidos à história, a rápida ambientação nos leva até os personagens centrais que nos guiarão pela história.

Ao sermos apresentados aos comuns elementos de filmes de terror, o diretor Richard Stanley parece ter a intenção de subverter completamente o que normalmente se é esperado, e seu filme se distancia do gênero, se aproximando imensamente do gênero suspense/sci-fi.

A recente prosperidade e positivismo de alguns dos personagens parecem se encerrar no momento em que um meteorito junto de uma luz multicor caem do céu, mudando a vida daqueles que habitam a fazenda e seus limites para sempre.

A atual moda Lovecraftiana dá espaço e torna tudo visualmente aceitável não apenas do ponto de vista daqueles familiarizados com os Cthulhu Mythos, mas também daqueles mais distantes do conteúdo produzido por Lovecraft.

A Cor que caiu do Céu

O filme brilha em seu elenco, e nos apresenta uma das atuações mais convincentes, brilhantes e catárticas de Nicolas Cage, e traz novamente para o set de um filme de suspense. O jovem Julian Hilliard – que deu vida ao jovem Luke na série A Maldição da Residência Hill da Netflix – nos apresenta um dos atores mais promissores para a próxima década.

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Joely Richardson, é um espetáculo à parte ao nos apresentar uma mãe dividida entre o luto de uma doença avassaladora que a atinge, e também a responsabilidade de juntar os cacos de uma família que parece se separar aos poucos.

A Cor que caiu do Céu

A jovem Lavínia, vivida por Madeleine Arthur, nos apresenta uma das personagens que nos mais causam a imersão na história, ao nos dar o ponto de vista daqueles afetados por um meteorito que parece mudar o que todos compreendem como realidade, espaço e até mesmo o tempo.

O filme brilha ao se utilizar de efeitos práticos que nos deleitam com o gore que são possíveis de existir apenas na história de H.P. Lovecraft como monstros compostos por massas de carne decompostas, ou complexas queimaduras por radiação. A brilhante direção de Richard Stanley parece dar espaço para os mais diversos cacos, e parece surpreender até mesmo os atores quando defronte às ameaças que seus personagens encaram. 

A Cor que caiu do Céu

Nicolas Cage parece ter ganhado enfim o espaço necessário no filme para extrapolar e mostrar uma das suas atuações mais intensas, variando entre expressões e humores como quem pisca os olhos, e essa é uma das suas atuações mais viscerais, quando tocado pelo poder da luz que cai em sua fazenda. A beleza do filme vem do seu roteiro bem amarrado, cuidadoso e bem construído, assim como das cenas de lilases, violetas e púrpuras que nos deixam hipnotizados, assim como abismados.

Richard Stanley nos faz sentir tão imersos ao mundo dos Cthulhu Mythos, quanto curiosos diante do que está por vir, já que o filme será o primeiro de uma trilogia baseada no mundo e deidades criadas pelo escritor americano nascido no século XVIII.

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