CRÍTICA – Abracadabra 2 (2022, Anne Fletcher)

    Após 29 anos, a aguardada sequência do clássico cult Abracadabra finalmente será lançada no Disney+, no dia 30 de setembro. Com o retorno do elenco clássico e do produtor David Kirschner, Abracadabra 2 se propõe a apresentar uma nova história envolvendo as famosas irmãs Sanderson da cidade de Salem.

    Confira abaixo nossa crítica sem spoilers do novo filme.

    SINOPSE DE ABRACADABRA 2

    Três jovens acidentalmente trazem as irmãs Sanderson de volta à Salem moderna e devem descobrir como impedir que as bruxas famintas por crianças causem estragos no mundo.

    ANÁLISE

    Lançado em 1993, Abracadabra se tornou um clássico ao longo das décadas. No Brasil, o filme era constantemente reprisado na Sessão da Tarde, o que criou uma legião de fãs das três bruxas mais engraçadas de Salem (fãs nos quais me incluo).

    Durante a minha infância, eu assistia religiosamente ao VHS com a primeira versão do filme. Tantas foram as vezes que eu revivi as aventuras das Sanderson que cheguei ao ponto de saber todos os diálogos, criando uma tradição em família ao repeti-los (por nenhuma razão específica), com a minha irmã. A confirmação de uma sequência após tantos anos veio como uma mensagem positiva, mas também um temor do que poderia ser feito em um novo filme da franquia.

    Em 1693, Winnie (Bette Midler), Sarah (Sarah Jessica Parker) e Mary (Kathy Najimy) foram enforcadas pelos habitantes de Salem após tirarem a vida de Emily Binx (Amanda Shepherd) e, até onde se sabia, de Thackery (Sean Murray), seu irmão. 300 anos depois, um jovem chamado Max (Omri Katz) resolveu trazer as bruxas de volta à vida com uma brincadeira boba de acender uma vela encantada. Com a ajuda de seus amigos e do gato Thackery, Max derrotou as irmãs Sanderson e elas retornaram ao pó de onde vieram.

    Agora, muitos anos depois dos acontecimentos do filme de 1993, um grupo de amigas apaixonadas por bruxaria e filmes de terror resolve fazer o seu ritual tradicional na floresta. Porém, uma coisa mudou: Becca (Whitney Peak) está completando 16 anos e recebeu uma vela especial para comemorar o seu aniversário.

    É claro que o ritual foge completamente do que as meninas esperavam, e as irmãs Sanderson retornam dos mortos, prontas para se vingar dos habitantes de Salem. Winnie, Sarah e Mary mantêm a essência do filme anterior, oscilando entre a autodepreciação e a extrema confiança, sem meio-termo.

    CRÍTICA - Abracadabra 2 (2022,  Anne Fletcher)

    O novo longa possui uma hora e 43 minutos de duração, tempo não muito diferente do seu antecessor que possui uma hora e 36 minutos. A trama anda a passos rápidos, com diversos acontecimentos que se parecem com o filme clássico. Afinal, as Sanderson precisam aprender tudo o que o mundo de hoje tem a oferecer – e são iscas fáceis para adolescentes inteligentes.

    Bette Midler, Sarah Jessica Parker e Kathy Najimy estão em perfeita sintonia. Nem parece que o tempo passou para elas, pois é como se o trio jamais tivesse se separado. As Sanderson continuam ingênuas e maléficas na mesma proporção do primeiro filme, apesar de não possuírem tantos segmentos solos como na aventura anterior.

    O roteiro da estreante Jen D’Angelo possui diversas referências e homenagens ao clássico da Disney, trazendo objetos, pessoas e números que criam um sentimento enorme de nostalgia. Em certo ponto da história, as Sanderson se transformam em um universo próprio de Salem, sendo fácil perceber que elas se tornaram os ícones na cidade que, para nós, os telespectadores, elas sempre foram.

    A produção também dedica um tempo para uma jornada pela história das irmãs, linkando acontecimentos do passado em Salem com os momentos mais importantes do primeiro filme, em uma tentativa clara de facilitar que Abracadabra 2 chegue a um público mais jovem e que não precise, necessariamente, assistir ao longa anterior.

    Entretanto, mesmo que o roteiro possua boas intenções, existem diversos pontos fracos em sua trama. Alguns arcos são facilmente descartáveis, com personagens que não agregam tanto à trama.

    É o caso do novo personagem Gilbert (Sam Richardson) que, em certo ponto, acaba ficando escanteado, bem como o personagem vivido por Tony Hale. No fim, essas divisões do roteiro servem apenas para que Billy Butcherson, novamente interpretado por Doug Jones, ganhe um pouco mais de espaço na história e receba algumas conclusões que não vimos no filme de 1993.

    Das atrizes jovens, as que mais se destacam são Whitney Peak e Belissa Escobedo, que possuem mais tempo de tela e são as responsáveis por conduzir Winnie, Sarah e Mary no “novo mundo”. Infelizmente, por se tratar de uma duração muito curta e com muitos personagens envolvidos, suas histórias acabam sendo engolidas pelo plano de vingança das Sanderson, que são, de fato, a atração principal do roteiro.

    Portanto, fica difícil realmente torcer pelas meninas, ou se sentir comovida pela história delas. As personagens são boas e, talvez com um pouco mais de tempo, seria possível construir uma relação mais forte com a audiência, bem como aconteceu com Max, Dani (Thora Birch), Thackery e Allison (Vinessa Shaw) há 29 anos.

    Além disso, Abracadabra 2 não parece ter um orçamento muito robusto, pois mesmo as cenas em ambiente aberto parecem filmadas em pequena escala, e aquelas que se passam na clareira da floresta são bem humildes. Isso sem falar no CGI que, muitas vezes, lembra aquele utilizado em 1990.

    Entretanto, mesmo com todos esses pontos, é inegável que a nostalgia da produção, e o carisma do elenco clássico, conseguem tornar Abracadabra 2 um ótimo entretenimento.

    VEREDITO

    Protejam suas crianças! As irmãs Sanderson estão de volta e mais maléficas do que nunca! Para quem ama as irmãs Sanderson e o filme de 1993, Abracadabra 2 será um bom divertimento e uma oportunidade de matar as saudades das três bruxas mais polêmicas da cultura pop.

    Nossa nota

    3,9/5,0

    Assista ao trailer:

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