CRÍTICA | Cyber Hell: Exposing an Internet Horror (2022, Choi Jin-seong)

    Lançado em 18 de maio de 2022, Cyber Hell: Exposing an Internet Horror é um documentário original da Netflix que aborda a rede de crimes sexuais cometidos na Coreia do Sul utilizando o aplicativo de mensagens Telegram.

    A produção coreana foi desenvolvida em parceria com a INDIESTORY Inc. e retrata a investigação jornalística e policial do caso conhecido como Nth Room, ocorrido entre o terceiro trimestre de 2019 e o primeiro trimestre de 2020. Confira nossa análise a seguir.

    SINOPSE DE CYBER HELL: EXPOSING AN INTERNET HORROR

    Uma rede de salas de bate-papo online estava repleta de crimes sexuais. Para acabar com ela, foi preciso coragem e perseverança.

    ANÁLISE

    O documentário Cyber Hell: Exposing an Internet Horror inicia com avisos necessários sobre a descrição dos crimes cometidos e dos atos que as vítimas foram obrigadas a realizar, destacando que mesmo situações genéricas e as descrições podem afetar negativamente a audiência. A produção também acerta ao esclarecer que localizações foram alteradas e determinadas situações foram encenadas para melhor contextualizar sem prejudicar ainda mais as vítimas.

    A produção coreana da Netflix se desenvolve a partir dos relatos de jornalistas e policiais que atuaram no caso Nth Room entre 2019 e 2020. Podemos dizer que o documentário se divide em três partes:

    • Até a chegada ao primeiro criminoso preso;
    • a caçada para prender o dono de um dos grupos, o Baksa;
    • e como foi complexo prender o Godgod, dono do outro grande grupo no Telegram.

    De início, os relatos ficam sob responsabilidade dos jornalistas, que explicam como tiveram os primeiros contatos com a existência das salas no Telegram e quais foram seus primeiros passos para apurar as denúncias.

    Nessa parte, o documentário se vale muito da pós-produção para recriar conversas no Telegram, envio de fotos e vídeos, entre outras situações. Também cria uma atmosfera pesada, mas respeitosa, por meio de ilustrações e encenações um tanto artísticas. Sem dúvidas, a pós-produção é um dos pontos altos de Cyber Hell: Exposing an Internet Horror.

    No entanto, a mistura de tantos elementos gráficos distintos infla desnecessariamente essa primeira parte da produção. Tirando as animações que remetem à tecnologia para ilustrar a atuação dos criminosos, as demais vão sumindo com o avançar da produção, tornando confusas algumas escolhas criativas.

    Alguns detalhes compartilhados pelos jornalistas também contribuem para essa sensação arrastada do primeiro terço de Cyber Hell: Exposing an Internet Horror. A investigação, o modus operandi dos criminosos e o contexto cultural coreano são interessantes demais, mas não são plenamente explorados, pois há espaço excessivo para algumas explicações que pouco agregam ao documentário.

    A produção avança em um ótimo ritmo quando os relatos dos policiais passam a dominar a narrativa a partir da primeira prisão no caso – o usuário Rabbit. Estranhamente a identidade do criminoso não é revelada pela produção, sem qualquer justificativa.

    Embora a pós-produção seja muito bem feita e contribua efetivamente para a contextualização dos fatos, a montagem de Cyber Hell: Exposing an Internet Horror poderia ser melhor.

    Primeiro, porque há um afastamento entre os relatos dos jornalistas e dos policiais nas segunda e terceiras partes da produção. Isso é estranho, pois a etapa inicial indicava uma atuação próxima entre todos. Faltou uma conexão melhor entre o que cada um relatava a partir da caçada ao Baksa, problema que se acentua na perseguição complexa para prender o Godgod.

    Outro ponto negativo da montagem é não aproveitar os relatos de profissionais mulheres que contextualizam o cenário sociocultural da Coreia do Sul, o consumo de pornografia e esse mercado criminoso. A maior parte dessas entrevistas estão literalmente no fim do documentário, dividindo a tela com os créditos da produção. Uma grande chance perdida de inseri-las ao longo da narrativa.

    Aliás, algo muito estranho diz respeito a todos os profissionais que não são jornalistas. Embora os nomes e cargos estejam na tela, em coreano, as legendas em qualquer idioma não exibem essas informações. Isso prejudica a experiência da audiência, pois ficamos sem saber quem está falando e qual o papel na investigação, ou qual profissional está explicando os contextos que mencionei.

    Espero que a Netflix arrume isso. Caso contrário, somente quem sabe ler coreano irá compreender essas informações.

    VEREDITO

    Cyber Hell: Exposing an Internet Horror é um necessário documentário da Netflix que explica bem como se deu a atuação de uma rede de crimes sexuais executada via Telegram. A mensagem principal da narrativa é passada com êxito e, por isso, já vale a audiência.

    No entanto, há pontos que poderiam ser melhores, principalmente em relação ao aproveitamento de profissionais que contribuem para explicar o contexto sociocultural da Coreia do Sul, e de como provavelmente redes criminosas do tipo continuam atuando no país.

    Nossa nota

    4,0 / 5,0

    Assista ao trailer de Cyber Hell: Exposing an Internet Horror

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