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CRÍTICA – Encontros (2019, Cédric Klapisch)

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CRÍTICA - Encontros (2019, Cédric Klapisch)

Estamos acostumados com comédias românticas clichês que contam histórias com a mesma fórmula, mocinho conhece mocinha, se apaixonam, tem uma crise e, no fim, acabam se reencontrando, ficando juntos no final. Encontros acaba com essa premissa e nos mostra algo não muito usual; o cotidiano.

Cédric Klapisch não teve o intuito de focar numa história de amor, e sim em pessoas com seus problemas e dramas pessoais. Rémy (François Civil) é um homem solitário e anti social, por ser do interior da França, vive uma nova vida na cidade grande, em Paris, enfrentando as dificuldades de adaptação. Melánie (Ana Girardot) é uma jovem adulta que passa as mesmas dificuldades de Rémy, todavia, tem mais facilidade para se relacionar, mesmo sendo uma pessoa tímida. O grande ponto que os liga, além de serem vizinhos de porta, literalmente, é a depressão e suas vertentes. Os dois personagens estão em um momento ruim de suas vidas por questões episódicas, e isso é uma característica chave para o grande acerto do filme: o desenvolvimento de seus protagonistas.

Tanto François Civil, quanto Ana Girardot entenderam muito bem seus personagens. Enquanto ele é um homem ingênuo, imaturo e até mesmo bobo em alguns momentos, em outros passa uma profundidade absurda, com várias camadas da psique do personagem, demonstrando grande talento na atuação e convencimento dos seus sofrimentos e angústias. Ela já é uma personagem mais crua, e isso é uma virtude! Mélanie tem depressão por ter sido deixada pelo seu namorado Guillaume (Quentin Faure), e desde então não sabe mais quem é, absorvendo a identidade dele e odiando a própria, destruindo sua autoestima.



O filme brinca muito com questões atuais. Estamos conectados, mas a solidão nunca esteve tão presente em nossas vidas. O fato de conhecermos pessoas de formas genéricas nas redes sociais e aplicativos de namoro fazem com que a superficialidade tome conta do nosso cotidiano, fazendo com que os relacionamentos sejam artificiais, nos fazendo perder o interesse.

O roteiro acerta muito ao mostrar que mesmo tão próximos, os dois protagonistas estão muito distantes, pois vivemos na sociedade do “eu sozinho”. As formas de juntá-los são bem sutis, como algumas coincidências, fatos importantes da história ou o simples acaso, algo muito real.

Sobre os pontos técnicos do filme, Klapisch abusa dos planos abertos e fechados. Em alguns momentos, os personagens quase quebram a quarta parede, em outros é como se estivéssemos naquele cenário, observando de longe as ações deles. Temos diálogos ricos e o roteiro é redondinho, tudo que é apresentado não fica com pontas soltas, sendo quase uma sinfonia bem elaborada, a direção não deu nenhum ponto sem nó.

Encontros é um filme diferente, divertido e interessante. Para quem gosta de bons personagens, é um prato cheio e com certeza vale aquela conferida no cinema.


Assista ao trailer legendado:

Encontros chega aos cinemas hoje. Lembre-se de após assisti-lo, voltar aqui para deixar seus comentários e sua avaliação 😉

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