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CRÍTICA – A Caminho da Lua (2020, Glen Keane)

CRÍTICA - A Caminho da Lua (2020, Glen Keane)

A Caminho da Lua é um filme de animação dirigido pelo animador e diretor estreante Glen Keane (Dear Basketball). O filme original da Netflix foi lançado no dia 23 de outubro. Os destaques do elenco são Cathy Ang, Phillipa Soo, Ken Jeong, John Cho e Sandra Oh.

SINOPSE

Depois de ter finalizado a construção de uma engenhosa nave espacial, Fei Fei (Cathy Ang) embarca para a Lua para provar ao seu pai a existência de uma deusa mística que habitaria no astro. Chegando ao seu destino, a jovem descobre criaturas fantásticas que a ajudarão a completar sua missão e retornar para a terra sã e salva.

ANÁLISE

A Caminho da Lua se apoia na fórmula Disney, mas ganha pelo sentimentalismo. Não à toa, o animador Glen Keane é um dos nomes mais conhecidos quando se fala do estilo 3D das animações Disney já que o próprio ajudou a implementar a técnica.

Contudo, seu filme de estreia está longe de casa. Tanto o estilo, como a narrativa de A Caminho da Lua se assemelha às produções com princesas e musicais. Consequentemente, a sensação que fica é uma mistura entre a imitação e a familiaridade.

Mas, as críticas negativas param por aí. Apesar do “método Mickey Mouse“, a animação tem muito mais a oferecer. Na história, Fei Fei é uma jovem chinesa que vive feliz com seus pais até que sua mãe morre. Após quatro anos, seu pai decide se casar com outra mulher o que deixa a jovem inconformada.

Em busca de relembrar seu pai sobre o amor entre ele e sua mãe falecida, Fei Fei vai até a Lua encontrar a deusa Chang’e. A mulher da Lua que está aprisionada no astro também espera por seu amor.

Consequentemente, o filme tem músicas belíssimas e uma premissa que por si só já arranca lágrimas até dos mais durões. Dessa maneira, A Caminho da Lua abre espaço para debater questões como luto, amor e significado de família.

Protagonismo feminino e representatividade

Dessa maneira, Fei Fei é uma menina extremamente inteligente que evoca o protagonismo feminino em sua melhor forma. Além de quebrar com o padrão das personagens brancas, Fei Fei tem uma curiosidade afiada e uma determinação inspiradora.

Mesmo que a jovem seja um fruto do seu tempo que pede por personagens mais empoderadas, A Caminho da Lua não nega ser uma produção hollywoodiana. Atualmente, o cinema americano busca cair nas graça dos chineses. Nesse sentido, teremos cada vez mais filmes que buscam contar mitos chineses ou com protagonistas orientais.

Ainda que a maioria desses filmes caiam na armadilha da representação rasa, vide Mulan (2020). A nova animação da Netflix opta pela narrativa do mito realçando a emoção e o pertencimento. Logo, ao mesmo que representa, o filme também tem uma ótima mão criativa.

Na segunda metade para o final, o filme assume uma identidade colorida que até pode causar estranheza. Porém, colabora para a atualização do mito, cada vez mais vemos o tradicional atrelado a modernidade. Sendo assim, A Caminho da Lua mostra essa passagem de forma estonteante.

Por último, o filme ganha em sua representatividade e na direção segura de Glen Keane. Portanto, ao assumir uma narrativa familiar que chega a ser batida, o filme também consegue ser criativo e tocante.

VEREDITO

A Caminho da Lua é um filme que implica vários sentimentos. Além de suas questões fílmicas como roteiro e animação, o filme também trabalha fora da tela com a questão da representatividade e da indústria americana-chinesa. Apesar disso, é uma experiência bem vinda e reconfortante.

Nossa nota

Assista ao trailer dublado:

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