CRÍTICA – Higiene Social (2021, Denis Côté)

    Higiene Social (Social Hygiene), novo filme do diretor Denis Côté, faz parte da programação da 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo que acontece entre os dias 21 de outubro e 3 de novembro.

    Parte da categoria Perspectiva Internacional, o longa nada convencional de Côté apresenta uma história repleta de diálogos e câmeras fixas.

    SINOPSE DE HIGIENE SOCIAL

    Antonin (Maxim Gaudette) é uma espécie de dândi. Seu talento com as palavras poderia ter feito dele um escritor famoso, mas, ao invés disso, ele se vale de sua habilidade para livrar-se de problemas.

    Dividido entre a angústia de fazer parte da sociedade, ao mesmo tempo em que pretende escapar dela, seu charme e sua inteligência serão desafiados por cinco mulheres que estão prestes a perder a paciência com sua maneira de lidar com a vida: sua irmã, sua esposa, a mulher que ele deseja, uma coletora de impostos e uma vítima de suas atitudes.

    ANÁLISE

    Higiene Social é um projeto um tanto peculiar. Filmado em espaços abertos, mantendo a câmera sempre no mesmo lugar e posicionando os atores a mais de dois metros de distância uns dos outros, Côté cria uma dinâmica de teatro para sua nova produção.

    O espectador acompanha a história de longe, como parte de uma plateia, e tenta o tempo todo entender o contexto dos acontecimentos em cena. Os personagens usam roupas antigas, mas suas referências são atuais. As ideias debatidas são modernas, mas o linguajar é rebuscado.

    É como se você estivesse nos bastidores de uma filmagem. Você vê a cena de longe, sem enxergar propriamente as reações dos artistas, tampouco consegue analisar a imagem vinda das câmeras. É uma dinâmica pouco comum.

    Muitos podem pensar que Higiene Social é feito desta forma por causa da pandemia do Covid-19. Mantendo o distanciamento social e gravando em locações abertas, a estrutura poderia ser uma alusão ao atual período em que vivemos. Porém, de acordo com o diretor, o roteiro já existia desde 2015, bem como a ideia desse experimento audiovisual.

    CRÍTICA - Higiene Social (2021, Denis Côté)

    Seja como for, o longa de Côté perpassa vários temas interessantes, sem se aprofundar em nenhum, durante os inacabáveis monólogos de Antonin. Sendo constantemente corrigido e desafiado pelas mulheres em sua vida, o personagem vive a tragicomédia do homem privilegiado que tem tudo, mas nunca está satisfeito com nada.

    Composto de pequenas esquetes, cada ato representa um momento da vida de Antonin, e se passam em períodos de tempo que não conseguimos entender perfeitamente. Em meio à selva composta pelo diretor, é difícil não se perder não apenas nos pensamentos de Antonin, como também na distração dos próprios atores com a paisagem ao redor.

    Acho que “incomum” talvez seja a melhor palavra para representar essa produção. Ao fugir do que entendemos como modelo de audiovisual, Côté abandona os espaços fechados e mantém seus personagens presos ao chão em um campo aberto, utilizando apenas os diálogos para conduzir a narrativa.

    Em sua conclusão, Higiene Social não faz muito sentido, tampouco cria uma narrativa estruturada para os personagens. Acredito que seja correto dizer que não há nenhuma grande lição a ser tirada das frustrações do personagem principal, tampouco das mulheres envolvidas na história do ladrão. Tudo parece uma grande brincadeira, e talvez a intenção seja essa mesmo.

    VEREDITO

    Com uma proposta pouco usual, Higiene Social utiliza a força de seus diálogos para criar uma comédia absurda e irônica. Mesmo não sendo o melhor trabalho de Denis Côté, é ainda uma produção que desafia o comum.

    Nossa nota

    2,5/5,0

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