CRÍTICA – Human Lost (2019, Polygon Studios)

    As animações orientais em longa metragem sempre são uma expectativa de produções de grande qualidade, sendo referência deste segmente estúdios como a Ghibli que encantou gerações com filmes animados excelentes. Ao longo de tantos anos diversas outras produções entraram no gosto do público geral, sendo uma delas Human Lost.

    O longa é produzido pela Polygon Pictures, um estúdio de animação em 3D responsável por diversas produções como Knights of Sidonia, Ajin, Pacific Rim e jogos como Fatal Frame lll: Tormented. A direção é feita por Fuminori Kizaki conhecido por Afro Samurai, a distribuição foi realizada pela Toho, seu lançamento ocorreu na edição de 2019 do Annecy International Animation Film Festival e posteriormente no canal Funimation em 22 de outubro nos Estados Unidos e em 29 de novembro do mesmo ano nos cinemas japoneses.

    A produção é uma adaptação da obra semi-biográfica Declínio de um Homem do escritor Ozamu Dazai, considerado um dos maiores escritores da literatura japonesa durante o século XX.

    Human Lost foi exibido no ultimo dia 30 de julho, quando ocorreu a inauguração da Sato Cinema localizado no Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), cujo o planejamento é a exibição de 4 filmes por dia entre os sábados e domingos.

    SINOPSE

    Na Tóquio do ano de 2036, uma revolução na medicina eliminou todas as doenças, garantindo um tempo de vida de 120 anos para cada cidadão. Porém, a disparidade econômica cresceu de maneira astronômica e aqueles que não estão conectados a nanotecnologia que concede a todos saúde, criam mutações e malformações. Considerado um desses humanos malformados, Youzou Oba é um motoqueiro que descobre habilidades super-humanas em sua condição.

    ANÁLISE

    Human Lost

    Human Lost é mais uma dentre tantas obras que poderiam ser descritas como artisticamente excelentes. Sendo a harmonia do seu trabalho técnico e narrativo o seu ponto mais forte para trazer reflexões amplas sobre o temas mais completo que existe: a humanidade como realmente ela é.

    O trabalho de animação em 3D do estúdio Polygon é excelente, visualmente lindo destacando a movimentação dos personagens tanto para diálogos como cenas de ação, lip sync, construção de fotografia e a iluminação dos cenários que criam um ambiente que remete tanto um pós apocalíptico quanto ao cyberpunk.

    Narrativamente não é o tipo de animação que traz um calor no coração, mas uma reflexão sobre temas como diferenças sociais, o pessimismo humano em relação a sua existência em contraste a esperança de um mundo com igualdade. Mesmo contraste que remete a obra original da qual busca adaptar, cuja as perturbações do protagonista não arrastam o espectador para dentro deste espiral de escuridão, mas torna-se uma força oposta para que se alerte em buscar a esperança nos detalhes.

    Human Lost

    A história de divide em 3 atos ou livros, semelhante a obra de Ozamu Dazai, não tentando replicar em frases a adaptação, mas o conceito que o livro abordou em uma reflexão sobre a humanidade e os sentidos que busca. Entretanto dialoga com a complexidade dos limites que a humanidade passa para manter-se e como aqueles com poder perpetuam-se ao custo de semelhantes.

    As cenas de ação são impressionantes em todo os momentos mas não é o ponto central da animação, mas em excelentes diálogos que trazem densidade para a condução dos fatos da história.

    Particularmente ao refletir sobre Human Lost foi possível refletir sobre a luta de todos sobre a sua saúde mental, os medos, traumas e pensamentos que permeiam sobre as questões internas que temos. Assim buscando compreender-se e ter a resiliência nos momentos que nos perdemos ao pessimismo.

    VEREDITO

    Human Lost é uma excelente animação que segue os passos narrativos de obras de grande complexidade como Neo Genesis Evangelion ou Ghost in The Shell, que trazem o espectador a reflexão de questões amplas sobre a existência como um todo.

    Nossa nota

    5,0 / 5,0

    Confira o trailer legendado:


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