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CRÍTICA – Marighella (2021, Wagner Moura)

CRÍTICA - Marighella (2021, Wagner Moura)

Marighella é um filme biográfico sobre o político, escritor e guerrilheiro Carlos Marighella, sendo também um dos principais organizadores da luta armada contra a Ditadura Militar de 1964.

O longa é uma adaptação do livro Marighella: O Guerrilheiro, de Mário Magalhães, que incendiou o mundo; dirigido por Wagner Moura, roteirizado pelo mesmo e também por Felipe Braga.

No elenco estão Seu Jorge, Bruno Gagliasso, Luiz Carlos Vasconcellos, Humberto Carrão, Bella Camero e Adriana Esteves.

SINOPSE

Neste filme biográfico, acompanhamos a história de Carlos Marighella, em 1969, um homem que não teve tempo pra ter medo. De um lado, uma violenta ditadura militar; do outro, uma esquerda intimidada. Cercado por guerrilheiros 30 anos mais novos e dispostos a reagir, o líder revolucionário escolheu a ação.

ANÁLISE

Falar sobre o Brasil ditatorial é uma tarefa árdua, o passado quase sempre conta uma história que a maioria busca esquecer ou ignorar, mas falar sobre Carlos Marighella é mais difícil ainda. Não só estamos diante de um dos maiores nomes da revolução brasileira, como queremos de toda maneira honrar sua memória.

Nesse sentido, o filme Marighella, escrito e dirigido por Wagner Moura, tenta reforçar o legado de Carlos Marighella em um Brasil alheio às atuais transformações políticas. Não à toa, o longa sofreu censura e demorou cerca de dois anos para ser lançado. Isso faz parte de uma constante vigilância do Poder Público, que assim como em Marighella, quer saber todos os pormenores tratados por aqueles considerados “oposição”.

Mas, Marighella de Wagner Moura não é totalmente Carlos Marighella, guerrilheiro, político, escritor e comunista. A começar que a obra do diretor novato precisa ser tratado como uma ficção, longe de ser um documentário. Isso porque, no longa, o espectador não verá a real construção do revolucionário ou compreenderá de todo suas escolhas e trajetórias.

A produção é muito mais subjetivo quando precisa tratar da figura de Marighella, nunca usando demais a palavra “comunista” ou explorando sua personalidade ao máximo. A subjetividade fica também na cor de sua pele, Carlos Marighella era um negro de pele clara. A representação de Seu Jorge do guerrilheiro é sucinta, em muitos momentos chega a ser passivo em meio aos acontecimentos da trama.

Isso porque, o filme roda ao redor do protagonista, muito pouco em decorrência dele. A organização fundada por Carlos Marighella, Ação Libertadora Nacional, é retratada por seus companheiros que tão bem aparecem para dar o peso dramático à história à medida que cada um é pego pela Ditadura Militar. A Marighella cabe expectativa de esperar também pelo seu fim, algo que é apresentado nas fitas gravadas por ele para o filho.

Da mesma forma, não é nítido para onde Wagner Moura quer levar seu filme, se o intuito é contar a história de Carlos Marighella há tempo perdido com a falta de rumo do personagem. Por outro lado, também é um retrato do Golpe de 1964, aqueles 21 anos que o Brasil resolveu esquecer e são nessas cenas, entre torturas e censuras, que o diretor expõe o espectador. Além do desconforto, há a indignação e o medo.

Logo, o filme captura muito bem o que foi um período terrível no Brasil, mas que O Que É Isso Companheiro? (1997) e Batismo de Sangue (2006) soube fazer melhor. Mas, Marighella chega em um momento oportuno, no qual talvez os discursos polarizados possam finalmente se encontrarem através desse filme.

Visto que, existe um debate muito explícito sobre o poder e a vontade do povo. Marighella e seus companheiros ressaltam a todo momento que a população irá se juntar a eles quando a censura cair, quando for possível entender o que está acontecendo, quando o povo não tiver mais medo. O sentimento ao final do filme é de uma carta aberta, tanto para Carlos Marighella, mas principalmente para o Brasil de 2022.

VEREDITO

Marighella é um filme de ação, a direção de Wagner Moura coloca a todo momento o espectador no centro do conflito, utilizando de cenas de pura tensão para dar um tom de urgência para o filme. Com isso, temos um longa que conta quatro anos da vida e a morte de um dos maiores nomes do Brasil, Carlos Marighella, de forma catártica e efervescente.

Nossa nota

4,0 / 5,0

Assista ao trailer:

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Jornalista em formação e apaixonada pela sétima arte. Representatividade e movimentos sociais através do cinema é fundamental. Apreciadora de livros, animes e joguinhos de ps4 nas horas vagas. The final girl.