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CRÍTICA – Palm Springs (2020, Max Barbakow)

CRÍTICA - Palm Springs (2020, Max Barbakow)

Lançado diretamente no serviço de streaming HuluPalm Springs que é estrelado por Andy Samberg (Brooklyn Nine-Nine) já está disponível na Amazon Prime Video (EUA) e no YouTube.

SINOPSE

Nyles (Andy Samberg) é um homem entediado em um casamento em que ninguém praticamente o conhece, então ele encontra Sarah (Cristin Millioti), a dama de honra e irmã da noiva, que também se sentem desconfortável no evento. Após se envolverem, Sarah descobre que Nyles está vivendo o mesmo dia repetidamente.

O filme disponível no Hulu desde o dia 10 de julho, ainda não possui previsão de lançamento no Brasil.

ANÁLISE

Provavelmente você já viu alguns filmes e séries que exploraram a premissa de ficar preso em um loop temporal. Recentemente a série Dark foi fundo no tema, sendo bem sucedida, outra ótima produção a tratar do assunto foi o filme A Morte Te Dá Parabéns (2017), que conseguiu trazer ao loop temporal uma espécie de terror cômico. Mas, o que Palm Springs tem de diferente sobre um tema já visto e revisto tantas vezes? A resposta não é simples.

Bem recebido pelos críticos e considerado uma surpresa em um ano tão turbulento para o cinema, o longa de Max Barbakow tem um ás na manga. A maioria dos filmes atemporais buscam um único protagonista, que provavelmente é fútil ou não está satisfeito com sua vida e então a mágica acontece no loop: o protagonista em desgraça descobre o significado da vida.

Bill Murray quebra o ciclo do tempo em Dia da Marmota (1993) descobrindo o sentido da vida, em Palm Springs o tema é invertido. O filme não é sobre o loop temporal com as mais diversas situações para sair dele, não apresenta uma única pessoa presa e com toda certeza não é uma comédia romântica convencional.

Em entrevista ao Letterboxd, Andy Siara, um dos roteiristas do filme relata que desenvolveu a história ao longo de cinco anos. O tempo foi precioso para o amadurecimento da obra e distanciamento dos supostos clichês do gênero. Palm Springs é uma comédia romântica sobre um loop temporal, isso não há dúvidas, porém é sua execução de forma sutil, profunda e por vezes engraçadas que dá razão a surpresa deste filme.

Se por um lado, existe o protagonista Nyles que é um cara que já desistiu de tentar sair do loop, que está extremamente depressivo e usa de seus alicerces cômicos para manter o resto de sanidade que ainda lhe resta. Por outro lado, existe a Sarah que tanto quanto o protagonista, também, ao se ver presa em um dia horrível, vai em busca de uma saída do loop por ela mesmo. É nítido que existe o sentimento entre os dois, mas são personagens independentes e imperfeitos que precisam passar por seus próprios desafios.

Ainda em tempo, é preciso reconhecer a maravilhosa participação de J. K. Simmons como Roy, assim igual Nyles e Sarah, ele fica preso no loop temporal. Roy é um tipo de vilão com aqueles toques de humor; ele caça Nyles por ter o arrastado para o loop. Ao longo da trama, a relação entre Nyles e Roy gera momentos cômicos e reflexões sobre o que é a felicidade.

VEREDITO

Palm Springs não busca se apoiar em seu loop temporal, os personagens coexistem e se desafiam indiferente a adversidade atemporal exposta. Sendo um filme que discute acomodação a uma situação, medo de mudanças e principalmente, a existência e o que fazer com ela.

O longa tem por vezes seu tom de drama, mas permanece em sua essência leve, pois em certa medida é preciso leveza para encarar a vida como ela é.

Nossa nota

4,0 / 5,0

Assista ao trailer original (sem legenda):

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Jornalista em formação e apaixonada pela sétima arte. Representatividade e movimentos sociais através do cinema é fundamental. Apreciadora de livros, animes e joguinhos de ps4 nas horas vagas. The final girl.