CRÍTICA – Quo Vadis, Aida? (2020, Jasmila Žbanić)

    Quo Vadis, Aida? é o representante da Bósnia-Herzegovina na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar 2021. Roteirizado e dirigido por Jasmila Žbanić, uma sobrevivente da guerra na Bósnia, o filme apresenta uma história ficcional que se passa durante o Massacre de Srebrenica em 1995.

    O longa chega nas plataformas digitais para compra e aluguel no dia 20 de abril.

    SINOPSE

    Aida (Jasna Djuricic) é uma tradutora das Nações Unidas (ONU) na área protegida de Srebrenica. Quando o exército sérvio toma conta da cidade, sua família está entre os milhares de cidadãos que estão procurando abrigo.

    Com o seu papel de fonte interna nas negociações, Aida tem acesso a informações cruciais que ela precisa interpretar. O que está no horizonte para a família dela e todas as outras pessoas: resgate ou morte? Qual atitude ela deve tomar?

    ANÁLISE

    Normalmente os filmes concorrentes na categoria de Melhor Filme Internacional são ótimos, e em 2021 a competição está muito bem servida de produções. Quo Vadis, Aida? é um longa tão bom e impactante que poderia facilmente ser um dos indicados na categoria principal de Melhor Filme.

    Situado durante o Massacre em Srebrenica, quando mais de 8 mil bósnios muçulmanos foram assassinados por tropas sérvias, a trama consegue manter o espectador absorvido em todos os acontecimentos, desejando a cada minuto que o final para aquela população seja diferente da história original.

    Sem uso de grandes efeitos especiais para recriar a guerra, nem excesso de dramatização nas situações, acompanhamos a tradutora Aida fazendo de tudo para salvar sua vida e a de sua família. Ela traduz cada mensagem que os soldados da ONU direcionam para os refugiados, bem como faz parte das negociações entre os holandeses e o prefeito de Srebrenica.

    CRÍTICA – Quo Vadis, Aida? (2020, Jasmila Žbanić)

    O thriller ficcional é certeiro em todas as suas escolhas. Jasna Djuricic possui uma atuação comovente, usando os poucos recursos que uma “forasteira” na base da ONU pode utilizar para mudar o seu iminente destino. Os poucos privilégios que Aida possui por trabalhar dentro da organização são ilusórios, e o roteiro de Jasmila consegue desenvolver esse argumento muito bem.

    O roteiro consegue também externar a pressão, o despreparo e desespero dos soldados da ONU abandonados naquela base, temendo por suas vidas tanto quanto os bósnios. Na hora da sobrevivência, é nítido que cada um pensa apenas em si e nos seus, deixando qualquer outra pessoa próxima à mercê do próprio destino.

    A montagem de Quo Vadis, Aida? também é feita de forma muito inteligente, pois consegue trazer cenas da vida de Aida e sua família em meio a todo o contexto da guerra que os refugiados estão passando. O trabalho de direção de arte é bem conduzido, construindo um bom ambiente para os desdobramentos da história. Entretanto, nada supera os diálogos poderosos e inúmeras vezes revoltantes.

    CRÍTICA – Quo Vadis, Aida? (2020, Jasmila Žbanić)

    É impossível não ficar arrasado com o desfecho de Quo Vadis, Aida?. Acompanhando aos poucos a tragédia iminente, quase que em câmera lenta, é difícil não se sentir desolado quando finalmente tudo acontece. Analisar que este genocídio aconteceu em 1995, tendo a presença da ONU, nos faz questionar a nossa frágil realidade.

    Em seu ato final, uma condução profunda que se conecta com uma fala de Aida fecha o ciclo perfeito para o filme. É uma grande obra que merece todos os reconhecimentos que vem recebendo nas premiações internacionais.

    VEREDITO

    Angustiante e brilhantemente conduzido, Quo Vadis, Aida? é uma ótima produção internacional que merece ser indicada e assistida pelo maior número de pessoas.

    Nossa nota

    5,0 / 5,0

    Assista ao trailer:

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