CRÍTICA – Retratos Fantasmas (2023, Kleber Mendonça Filho)

    Na última sexta, 18 de agosto, tive a oportunidade de assistir a pré-estreia do incrível documentário ficcional Retratos Fantasmas. Dirigido e narrado por Kleber Mendonça Filho, somos lançados em uma viagem ao passado não apenas do diretor Pernambucano, mas também às suas paixões e fixações, como o cinema.

    Mendonça parece ter nascido para o cinema, assim como o cinema parece ter sido criado para ele. Enquanto transita entre o real, o fictício e em sua própria história, acompanhamos sua vida, suas e o cinema, que fez parte da sua vida desde sua infância. Retratos Fantasmas é uma viagem no tempo, mais especificamente, à janelas abertas no tempo por capturas de vídeo. Sendo elas analógicas, digitais e o trabalho de mais de 30 anos da vida do diretor.

    SINOPSE

    No centro do Recife, no século 20, conheça a história do centro da cidade contada a partir das salas de cinema que movimentavam a população e ditavam comportamentos.

    ANÁLISE

    Retratos Fantasmas

    Para dar um panorama da cidade e das histórias que quer contar, Kleber Mendonça Filho nos ambiente à sua vida e a história de sua família. Enquanto nos mostra como seu pequeno mundo de quem vive próximo à uma praia da grande Recife se expandiu após o divórcio de seus pais e seu amor pelo cinema. Enquanto produzia filmes caseiros, ainda em sua juventude, o diretor viu em sua mãe sua maior fã e maior apoiadora. E na casa onde moravam, a maioria de seus filmes experimentais se desenrolavam.

    E enquanto somos lançados ao século XX, vemos diversas histórias se desenrolar ao mesmo tempo. A de Kleber, sua paixão pelo cinema, a decadência do centro do Recife e dos cinemas de rua. A história do longa nos lança a um mundo estranhamente conhecido. E como o diretor aponta, “Todo Centro de cidade grande se parece.” Ao mesmo tempo em que lança pelo filme diferentes máximas, mais uma se mostra real “Filmes de ficção são os melhores documentários”.

    Ao nos ambientar pela história quase que oculta daquela antiga metrópole, vemos como as histórias dos cinemas de rua e as histórias ocultas do centro do Recife se cruzam.

    Retratos Fantasmas

    Enquanto testemunhamos e temos acesso à pequenas janelas de tempo por meio de gravações feitas por Kleber Mendonça Filho, e retratos de outrora, vemos o quão apaixonado o diretor é não apenas pela história do cinema, como sua paixão lhe rendeu seu quarto filme. Retratos Fantasmas vem de uma série de três outros filmes aclamados pela crítica. Em Cannes, o filme esteve presente na Seleção Oficial da 76ª edição do Festival, e em sua pré-estreia no Centro de Artes UFF – cujo cinema foi o maior a receber espectadores de Bacurau -, Retratos Fantasmas contou com uma discussão após a exibição do filme com o diretor, que foi muito enriquecedora.

    Muito distante de se mostrar apenas como uma visita nostálgica ao passado, acompanhamos uma espécie de decaimento e perda do interesse dos espectadores pelos cinemas de rua. Mais especificamente, no filme, os cinemas de rua do Recife, hoje, quase todos fechados – cujos lugares foram tomados por “outros templos de adoração.”

    VEREDITO

    Retratos Fantasmas emociona, nos faz sorrir e elucida questões ligadas à paixão do diretor e mostra que Retratos Fantasmas é apenas o 4º da longa fila de vindouros filmes da brilhante carreira do diretor Pernambucano. Ver que o trabalho de 7 longos anos de montagem do filme funcionam, é ver o filme como um retrato tão real quanto fictício das mais distintas épocas. Seja em uma viagem ao século XX ou XIX, vemos a história da Recife antiga ser costurada com a tentativa de expansão de um governo totalitário em terras tupiniquins no auge da 2ª Guerra.

    Assim como Bacurau, Aquarius e O Som ao Redor, Retratos Fantasmas alimenta o que há de mais curioso em fãs do cinema. E assim como os filmes anteriores, conta com uma condução e ambientação magistral. E como o próprio Kleber Mendonça Filho ousou dizer “Ainda que o filme tenha um montagem tradicional, ele parece dar a volta e acabar por se tornar um filme experimental.”

    Seja por meio de retratos verossímeis de uma realidade ou pela elucubração de uma pessoa que sente falta de uma época que não volta mais, Retratos Fantasmas nos faz ver que a paixão do cinema transcende o tempo. Em uma viagem ao passado, vemos no longa o retrato mais pessoal da realidade e da carreira de Kleber Mendonça Filho em tela.

    Nossa nota

    5,0/5,0

    Confira o trailer do filme:

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