CRÍTICA – Spencer (2022, Pablo Larraín)

    Spencer é a nova produção do diretor Pablo Larraín (Jackie) e estreou nos cinemas de todo o Brasil no dia 27 de janeiro. O longa baseado na história da Princesa Diana traz Kristen Stewart no papel principal.

    O filme de Larraín traz um olhar profundo e intimista de um dos ícones da história moderna, uma figura que foi recentemente revisitada na quarta temporada de The Crown.

    SINOPSE DE SPENCER

    Durante suas férias de Natal com a Família Real na propriedade de Sandringham em Norfolk, na Inglaterra, Diana Spencer (Kristen Stewart), lutando com problemas de saúde mental, decide terminar seu casamento de uma década com o príncipe Charles (Jack Farthing).

    ANÁLISE

    Trabalhar a figura de Diana não é tarefa fácil, e trazer uma atriz como Kristen Stewart neste papel poderia ser, para muitos, um grande erro. Hoje, analisando as primeiras reações sobre Spencer e a escalação de Kristen, podemos perceber que os receios eram puramente ilusórios.

    A atriz está na melhor atuação de sua carreira. Spencer vem como uma forma de marcar o nome de Kristen na indústria, colocando-a no momento mais alto de sua jornada em Hollywood. Para aqueles que ainda cogitam que ela é apenas a menina de Crepúsculo, está na hora de conhecer mais de sua filmografia.

    É quase impossível não dedicar boa parte deste texto a Kristen, pois o filme por completo gira em torno de sua figura. A câmera de Larraín escancara momentos de angústia, solidão e tristeza, explorando o olhar tímido e repleto de lágrimas oferecido pela atriz durante as suas cenas. Atrelada à ótima trilha de Jonny Greenwood, a produção cria uma ambientação sufocante e insuportável, bem como a vida da princesa do povo na história real.

    Diana é uma figura muito viva no nosso imaginário. Todas as adaptações que mencionam a princesa rendem muito, principalmente quando se fala da caracterização. Desde seus vestidos clássicos, até o corte de cabelo: tudo o que envolve Diana é popular e, portanto, muito debatido. A caracterização de Kristen está no ponto e, mesmo que ela não possua semelhança física, seus trejeitos e sotaques conseguem sustentar muito bem a adaptação.

    CRÍTICA - Spencer (2022, Pablo Larraín)

    A escolha de manter a Família Real longe do que é retratado para focar apenas em Diana é uma boa opção do roteiro. Sua visão melancólica sobre a família de seu marido, seu lugar no jogo do poder, as paranoias, a relação com os seus filhos e a saudade dos pais. A fábula de Larraín permite que a personagem brilhe sozinha, dando todo o espaço para Kristen aproveitar o palco e entregar um grande trabalho.

    A força da atuação de Kristen não está no texto de Steven Knight, mas no olhar e no sentimento transmitido por ela em meio ao sofrimento de Diana. Ao longo dos três dias de evento com a Família Real, conseguimos perceber o quão controlada e sem liberdade a personagem se sente. Mesmo em momentos de silêncio, a fotografia proposta por Claire Mathon, atrelada à ótima condução de Larraín, consegue impactar o público com todo o significado contido nas cenas.

    O recorte feito pela produção, apresentando apenas os dias com Diana antes dela decidir se separar de Charles, é extremamente agridoce. Por sabermos o que acontece na vida real, é difícil não se sentir emocionado com a possibilidade dessa fábula cinematográfica ter um final feliz, que difere do conturbado fim que conhecemos. A escolha é certeira e traz um ótimo fechamento para a produção.

    VEREDITO

    Em uma breve passagem da produção, Diana se questiona como será lembrada na posteridade. Citando outros grandes nomes da realeza e seus respectivos apelidos (Guilherme “O Conquistador”, Elizabeth “A Virgem”), a personagem sugere que seria lembrada como “a insana”.

    A verdade é que a história da princesa ecoa até hoje, servindo de inspiração para filmes e séries. Seu retrato no ótimo Spencer é de sensibilidade e amor, sendo perfeitamente executado pela magnífica atuação de Kristen Stewart.

    Nossa nota

    4,0 / 5,0

    Assista ao trailer:

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