Início FILMES Crítica TBT #110 | 101 Dálmatas (1961, Wolfgang Reitherman, Clyde Geronimi, Hamilton Luske)

TBT #110 | 101 Dálmatas (1961, Wolfgang Reitherman, Clyde Geronimi, Hamilton Luske)

TBT #110 | 101 Dálmatas (1961, Wolfgang Reitherman, Clyde Geronimi, Hamilton Luske)

Em seus mais de noventa anos de existência, o atual Walt Disney Animation Studios produziu obras inestimáveis e dos mais diferentes gêneros, de fantasia a mistério. E uma das obras mais ousadas e singulares foi 101 Dálmatas, lançada há 60 anos, em 25 de Janeiro de 1961.

SINOPSE

Pongo (Rod Taylor) está cansado da vida de solteiro. Enquanto olha para fora da janela de sua casa, ele reflete sobre a monotonia em que ele e Roger (Ben Wright) estão fadados e, tendo plena ciência que seu dono não fará nada para mudar a situação, ele decide agir. É então que ele avista a bela Prenda (Cate Bauer) e sua humana passando em direção ao parque e decide por seu plano em prática.

Após um desastroso e divertido encontro, os dois casais vivem tranquilamente sem muito luxo, mas com muita felicidade. E isso é acentuado com a chegada de 15 filhotinhos que acabaram de nascer, mas a chegada dos novos moradores desperta a cobiça de Cruella De Vil (Betty Lou Gerson), uma antiga amiga de Anita (Lisa Davis), que é simplesmente apaixonada por peles.

A megera faz uma proposta ao casal para comprar os filhotes, mas, após a recusa de ambos, Cruella sai indignada, preparada para conseguir seu objetivo a qualquer custo e fazer um lindo casaco de pele de dálmatas.

ANÁLISE

Assim como outras produções dos estúdios Disney, 101 Dálmatas não é uma história original. Ele foi inspirado em um livro lançado em 1956 da escritora inglesa Dodie Smith, e que leva o mesmo nome. Porém, para a criação do longa alguns detalhes da obra acabaram sendo adaptados. Um deles é o fato de que, no exemplar, a verdadeira mãe dos filhotes não é Prenda, e sim uma cadelinha chamada Missis Pongo.

Logo na abertura podemos ver quão diferente este clássico é dos dezesseis anteriores. Um trabalho muito artístico e divertido. Usando as manchas dos cachorros, os animadores criam várias piadas visuais, desde notas musicais a fumaça de chaminé. Isso já dita muito do tom dos setenta e cinco minutos seguintes, especialmente em parceria com a magistral trilha de George Bruns.

Com uma dinâmica inusitada e com a direção de três mentes brilhantes (Clyde Gerônimo, Hamilton Luske e Wolfgang Reitherman), o filme não apresenta dificuldades em construir a forte ligação do público com seus personagens, utilizando bem a passagem de tempo para o avançar da história e a construção de cenas dramáticas e precisas para despertar fortes emoções.

É engraçado como os humanos se veem de mãos atadas em determinadas situações e os animais precisam tomar a frente para resolver o problema.

Outro aspecto onde 101 Dálmatas entrega é o humor, permeado por sequências genuinamente engraçadas e divertidas que, também, ajudam a fazer do filme mais leve.

Os animadores, apesar de haver uma centena de dálmatas permeando o filme, conseguiram dar a alguns deles personalidades específicas, que são usadas em diversos momentos para gerar humor, mesmo que elas não sejam elevadas à máxima potência.

O contraste das fortes linhas pretas dos dálmatas auxiliaram a criar um visual ainda mais peculiar para o filme. Frank Thomas e Ollie Johnston, animadores de Pongo e Prenda, souberam usar isso a seu favor, abusando de suas expressões e da liberdade de trabalhar com animais para ressaltá-los.

Já os humanos Anita e Roger ficaram para Milt Kahl animar. Ao contrário de animais falantes, humanos precisam ser verossímeis. Mesmo com os traços exagerados e retos, o trabalho de Kahl é muito fiel à realidade. A cena na qual Pongo lambe a mão de Roger e seu cachimbo dá cambalhotas no ar é um deleite aos olhos.

Ken Anderson, diretor de arte, trabalhou arduamente para criar cenários que destacassem os personagens e combinassem com o novo estilo rústico do xerox. O resultado não poderia ser mais artístico: uma combinação moderna e abstrata de ângulos acentuados com uma simetria amplificada, com toques de assimetria a fim de torná-los mais reais, mas com uma qualidade sutil de caricatura.

A construção de Cruela também é um dos grandes acertos do longa, pois ela é uma vilã divertidíssima. Com seu aspecto esquelético, a pele albina, os olhos esbugalhados e o cigarro sempre à mão, ela é uma caricatura ambulante que parece que vai cair a qualquer passo com suas pernas longas e finas.

Suas expressões de raiva e indignação a tornam ainda mais engraçada, parecendo menos terrível que uma Malévola e chegando mais próximo de um personagem “malvado” de produções como a do Looney Tunes, por exemplo.

Não que ela deixe de ser perigosa, mas acaba se tornando muito mais simpática para o público. Não é à toa que Glenn Close assumiu com perfeição e conquistou os espectadores no remake live-action de 1996.

VEREDITO

Sendo uma aventura divertida, que possui comédia, suspense e ação na dose certa, 101 Dálmatas se tornou um ótimo e instigante entretenimento.

E por mais que o próprio Walt Disney não tenha gostado do filme, o público se encantou com a história, e hoje, Pongo, Prenda e todos os seus noventa e nove filhotes são uma parte tão querida da biblioteca da Disney quanto qualquer princesa.

Nossa nota

4,0 / 5,0

Assista ao trailer dublado:

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