Início FILMES Crítica TBT #129 | Chinatown (1974, Roman Polanski)

TBT #129 | Chinatown (1974, Roman Polanski)

O TBT dessa semana traz um dos filmes mais conceituados no cinema Hollywoodiano, seja pelo roteiro intenso de Robert Towne ou pela direção pragmática de Roman Polanski. Dessa forma, não tem como negar que Chinatown é um clássico que evoca discussões tanto dentro, como fora no cinema.

Nesse mesmo sentido, é quase impossível desassociar Chinatown de Polanski e suas acusações de assédio sexual, pelas quais o diretor é foragido nos Estados Unidos. Sempre lembrando que não existem dúvidas sobre as acusações. Por isso, é necessário reconhecer a importância do longa como um clássico e analisá-lo em seus diferentes contextos.

Indicado a 11 Oscars em 1974, incluindo Melhor Filme, Diretor, Ator e Atriz, o longa recebeu apenas um prêmio, o de melhor roteiro original para Robert Towne. Chinatown está disponível no streaming Paramount+ que chegou em março ao Brasil com todos os seus grandes sucessos.

SINOPSE

Chinatown

Los Angeles, 1937. O detetive particular Jake Gittes (Jack Nicholson) recebe a visita de uma mulher que acredita que seu marido, engenheiro-chefe do Departamento de Águas e Energia, tem uma amante. Gittes logo descobre que a mulher era uma farsante e encontra a verdadeira Evelyn Mulwray (Faye Dunaway), filha de Noah Cross (John Huston), um dos homens mais poderosos da cidade. O engenheiro aparece morto e Gittes, envolvido com Evelyn, se vê no meio de um perigoso jogo de poder, com muitos segredos e mistérios.

ANÁLISE

Não existe forma melhor de começar a falar de Chinatown que não seja pelo seu final estarrecedor. A icônica frase “esqueça, Jake. É Chinatown”, ainda reverterá após os créditos finais do longa, exemplificando que um roteiro bem escrito não precisa de explicações. Ainda que, ao longo do filme inteiro, muitas respostas tenham sido dadas.

Dessa forma, Chinatown se configura como um daqueles filmes que deixam sua marca no espectador. Na história, Jake Gittes é um detetive com um passado sombrio no bairro de Chinatown. Logo, ele se muda para a Costa Leste de Los Angeles a fim de trocar de vida. Se torna detetive e parte do seu trabalho é fazer revelações que irão acabar com casamentos.

Até aqui, nada demais. Apesar da atuação impecável de Jack Nicholson, o longa segue com seu estilo meio noir e meio setentista. Em boa parte, aposta na trama policial cercada de mistérios, mas também busca subverter as expectativas e mostrar uma realidade nua e crua.

Logo, é quando Gittes é enganado e se envolve em uma perigosa história familiar que Chinatown exibe seu verdadeiro potencial. Visto que, é quase impossível ver longas que tratam sobre assuntos tão burocráticos e até mesmo desinteressantes como o Departamento de Águas de uma cidade. Em Chinatown, isso se torna o fio condutor que dá a história um tom adverso, como se nada fosse realmente o que parece ser.

O que não se aplica somente a trama do filme. Os próprios personagens carregam ambiguidades muito além do que é esperado, seja no personagem de  Nicholson; Gittes tem um ar de espertão, mas esconde grandes traumas. Seja na “mocinha” do filme, Evelyn Mulwray, interpretada por Faye Dunaway, entregando uma atuação que ao mesmo tempo é fria, também é enigmática.

Logo, Chinatown deve ser apreciado em seus mínimos detalhes. A luta por agua e terras mostra que os ricos sempre querem mais, assim como, a falta de empatia que o longa transmite evidencia uma época que estava desacredita da existência do bem da humanidade.  Até mesmo, alguns pontos da história que em um primeiro olhar parecem confusos são amarrados perfeitamente para combinar em sua proposta de ser ousado.

Ousado, porque, o filme assume suas características niilistas. O abuso de Evelyn pelo pai que acabou gerando uma filha/irmã, o assassinato do marido também pelo pai e mais tarde, seu próprio fim trágico dão ao filme um tom amargo. Mas também autêntico, na medida que se entende que até mesmo o cinema sofre com os paradigmas da moralidade.

Por isso, se nem mesmo Everyn ou Gittes são poupados ou tem uma redenção, quem dirá a humanidade? Afinal, seria o mundo  um bairro chinês, onde os acontecimentos mais tenebrosos não tem a mínima importância frente a uma eternidade de sofrimentos? É, no mínimo, amedrontador querer a resposta. Assim como, é fatídico compreender que Chinatown será sempre Chinatown.

VEREDITO

Chinatown é um clássico do cinema e necessita ser julgado como tal. Ainda que, por vezes, o nome de Polanski seja o que se destaque no longa, sua direção é sucinta e não evoca nada de novo. Logo, o que leva Chinatown a seu verdadeiro estopim é sem dúvidas, o roteiro e atuações formidáveis.

Nossa nota

4,5 / 5,0

Assista o trailer do filme:

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Jornalista em formação e apaixonada pela sétima arte. Representatividade e movimentos sociais através do cinema é fundamental. Apreciadora de livros, animes e joguinhos de ps4 nas horas vagas. The final girl.