Início FILMES Crítica TBT #152 | A Hora do Espanto (1985, Tom Holland)

TBT #152 | A Hora do Espanto (1985, Tom Holland)

TBT #152 | A Hora do Espanto (1985, Tom Holland)

Poucos filmes foram tão eficientes ao condensar a mitologia dos vampiros quanto o primeiro A Hora do Espanto (1985). Fruto de um período em que o horror era um gênero bastante popular entre adolescentes, a obra de estreia do diretor Tom Holland atualiza a história de Drácula para uma deliciosa e ingênua trama sobre um garoto que descobre que o vizinho devora mulheres no interior de sua morada.

O elenco conta com William Ragsdale, Roddy McDowall, Amanda Bearse, Jonathan Stark, Art Evans, Chris Sarandon e Stephen Geoffreys.

SINOPSE

Charley Brewster (William Ragsdale) é um adolescente obcecado por filmes de monstros, cujo programa favorito é A Hora do Espanto, uma sessão de clássicos do gênero apresentado por Peter Vincent (Roddy McDowall), um ator decadente conhecido pelos papéis similares a Van Helsing, famoso caçador de vampiros criado por Bram Stoker. Como o personagem de James Stewart em Janela Indiscreta (1954), o jovem percebe um comportamento estranho vindo da casa ao lado. Desesperado, ele pede ajuda para Vincent, que inicialmente o ridiculariza, mas acaba convencido de que a ameaça é real.

ANÁLISE

O que se segue é um raro exemplo onde elementos de humor e terror caminham em perfeita harmonia. O filme diverte, mas também assusta quando precisa. E enquanto cada cena parece ter sido calculada para ser inesquecível, a ótima trilha sonora embala tudo daquele jeitinho especial que os filmes da década de 1980 sabiam fazer tão bem.

William Ragsdale e Amanda Bearse estão adoráveis no papel do casal Charley e Amy. Até mesmo coadjuvantes como Jonathan Stark, que interpreta Billy Cole, e Art Evans no papel do detetive Lennox, ganham momentos de destaque. Chris Sarandon entrega um dos vampiros mais marcantes do cinema, com uma atuação cheia de cinismo e trejeitos que homenageia os grandes clássicos do terror gótico da produtora inglesa Hammer.

Roddy McDowall segue a mesma linha no papel do elegante matador de vampiros Peter Vincent; e Stephen Geoffreys protagoniza algumas das cenas mais impactantes do filme, como aquela em que tem a testa queimada por um crucifixo e uma outra em que se transforma em lobo. Aliás, esse momento chega a ser emocionante, tamanho o empenho do elenco e a criatividade dos efeitos práticos.

A química entre Peter Vincent e Charley Brewster é tão boa que foi repetida em A Hora do Espanto – Parte 2 (1988), realizado sem a participação de Holland, que estava ocupado com Brinquedo Assassino (1988). A dupla ainda seria vista em uma série de histórias em quadrinhos, publicadas até o início da década seguinte. A popularidade do título ainda rendeu jogos de videogames e duas refilmagens (a sequência do filme de 2011 é, na verdade, uma nova interpretação do roteiro original de 1985).

VEREDITO

Mas ao contrário do que acontece com os filmes sobre vampiros atuais, o grande acerto de A Hora do Espanto é não tentar reinventar a roda. O roteiro do também diretor Tom Holland (que mais tarde nos entregaria outro clássico, Brinquedo Assassino) transporta o mito para os tempos modernos, mas mantém todas as suas características clássicas intactas. Eles se transformam em morcegos, em lobo e em névoa, eles dormem em caixões, têm medo de crucifixo e não têm reflexo no espelho.

Nossa nota

4,5 / 5,0

Assista ao trailer original (sem legenda):

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Amante da sétima arte. Fascinada na relação entre cinema, história e filosofia. Devoradora de quadrinhos, aprecia um bom clássico e combate o crime em Gotham City nas horas vagas.