A pior semana da indústria de games passou, mas os próximos dias podem ser ainda mais sombrios

    Neste momento em que o Feededigno acaba de completar 10 anos de estrada, cobrindo diariamente os altos e baixos da cultura pop e da tecnologia, é impossível não notar o contraste amargo. Enquanto celebramos uma década de história, estamos testemunhando ao vivo e em cores o que parece ser uma das fases mais difíceis, frias e devastadoras da história da indústria de videogames.

    A semana passada foi terrível, o início desta não ajudou em nada e, se os rumores se confirmarem, os próximos dias podem ser ainda mais desoladores.

    Uma semana para esquecer

    Tudo começou a desandar na última semana de junho. Tivemos a triste notícia do falecimento de Claude Guillemot, cofundador da Ubisoft, em um acidente de avião. Simultaneamente, o ambiente online ferveu com polêmicas vazias culpando “questões de gênero” pelas decisões narrativas de God of War: Laufey e o desespero de criadores de conteúdo cancelando projetos de Ocarina of Time por medo dos “ninjas da Nintendo”.

    Em seguida, começaram os golpes diretos no bolso e na cultura dos jogadores:

    • O preço absurdo de US$ 1.000 anunciado para as novas Steam Machines.
    • A confirmação da Rockstar de que GTA 6 não terá versão em disco, fazendo com que lojistas se recusassem a vender o jogo.
    • Demissões em massa: A Bungie demitiu “a maior parte” da equipe de Destiny e parte do time de Marathon, perdendo seu chefe no processo.
    • A Microsoft confirmou que os consoles Xbox terão aumento de preço em agosto de 2026, com outro reajuste projetado para os próximos anos.

    A bola de neve das más notícias

    Se o meio da semana foi ruim, a virada do mês foi um verdadeiro massacre corporativo. A avalanche de baldes de água fria continuou impiedosa:

    • O fim do “Day-One” no Game Pass: A Activision avisou que o recém-anunciado Call of Duty: Modern Warfare 4 não entrará no Xbox Game Pass no seu primeiro ano. Após gastar US$ 69 bilhões na compra da empresa, a Microsoft parece ter percebido que o modelo de assinaturas para um gigante como CoD dá prejuízo.
    • Morte da Mídia Física e de Lojas Antigas: A Sony cravou que parará de fabricar discos em 2028, transformando o inevitável PS6 em um console totalmente digital, e ainda anunciou que as lojas do PS3 e PS Vita fecharão as portas em julho de 2027.
    • Facão nos estúdios do Xbox: A IO Interactive sofreu demissões pesadas após ter o financiamento de seu RPG cancelado. Pior ainda, estúdios como a Undead Labs (de State of Decay) e a Arkane Studios correm o risco iminente de serem totalmente fechados, arrastando títulos como Marvel’s Blade para o cancelamento definitivo.

    Vai piorar antes de melhorar?

    Dizem que as coisas precisam piorar antes de melhorar. No entanto, quando olhamos para os próximos dias, o cenário é de terra arrasada.

    De acordo com um relatório do The Verge, uma nova e enorme onda de demissões no Xbox está programada para começar no dia 6 de julho. Os números não oficiais são assustadores, sugerindo que o corte pode afetar até 1.500 funcionários da divisão de games da Microsoft. Diante do caos, os trabalhadores sindicalizados da empresa já estão clamando por proteções contra as decisões executivas.

    Existem inúmeros jogos fantásticos no horizonte, especialmente na tradicional janela de lançamentos de setembro, mas é difícil focar apenas no escapismo virtual quando o lado real e humano da indústria parece um cenário pós-apocalíptico de um de seus próprios jogos. No momento, o mercado dos games lembra mais um campo de batalha varrido do que um ambiente de inovação e criatividade.

    Acompanhe as lives do Feededigno no Youtube.

    Estamos na Youtube transmitindo gameplays semanais de jogos para os principais consoles e PC. Por lá, você confere conteúdos sobre lançamentos, jogos populares e games clássicos todas as semanas.

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